Teu vestido azul esvoaçante, não me sai da memória.
Vestido azul, a pulseira e o colar cumprido também azuis.

Assim como o seu beijo (aquele adiado por tantos anos), o seu abraço no reencontro, o seu olhar cor de mel, as suas mãos pequenas, os seus cabelos... nada me sai da memória!

Não sei mesmo se isso é o fim de tudo.
Eu gostaria de ter certeza de tanta coisa!...
Mas é só fechar os olhos e você aparece cercada de vários pontos de interrogação.

Sinto a sua falta, como senti ontem, e há dois dias, como senti desde que a gente se despediu naquele domingo. E eu meio que sabia, de uma maneira cifrada, de que era a última vez que nos veríamos.

Acho isso tudo muito injusto com a gente.
Esperamos tanto tempo, o destino fez a sua parte e nós falhamos.

Mas eu ainda acredito em nós dois juntos.

E eu até imagino como seria esse reencontro.
Você viria naquele vestido azul esvoaçante.
A pulseira e o colar cumprido, também azuis.
E eu, mais uma vez, não resistiria a você!

E o destino nos envolveria de novo.
Como há muito tempo atrás.

E a gente se agarraria a ele.

Capa

Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 17.

Neste número, uma HQ de 1949, de Ivam Almeida, meu pai, publicada no Almanaque O Tico Tico 1950!

Baixe a INFLÁVIO Semanal Nº 17 aqui!

222: 1 ano!

| 4 comentários

1ano
Como sou muito do distraído, só agora que a data se passou, é que percebi que este blog já completou um ano!

A efeméride ocorreu no dia 20 de dezembro do ano passado.

Mas ainda aceito os Parabéns!

Durante muito tempo, eu espero a sua chegada.

Primeiro pensei que você fosse a morena bonita, amiga da minha irmã, por quem me apaixonei platonicamente, aos 9 anos.

Vieram depois outras mulheres: louras, morenas... e tantas outras, que às vezes eu esqueço a ordem natural das coisas e penso que sou a encarnação de um Casanova qualquer.

Depois percebi que de todas elas, nenhuma era você.

Porque elas não tinham o doce frescor do seu óleo de amêndoas.
Aquele que sempre sinto quando você se aproxima de mim e pousa suas mãos delicadas e macias por sobre os meu ombros. E coloca o seu rosto junto ao meu, fazendo os seus cabelos longos bailarem no ar, como se uma estranha e doce sinfonia invadisse o ambiente em que estamos.

Curiosamente este ambiente é variável: ora num campo, ora num Palácio da Eslovênia, ora num quarto quente e abafado de um casebre em Bombaim... mas em todos os lugares, eu te sinto como o seu corpo fizesse parte do meu. E os nossos destinos, hermeticamente selados por todas as eternidades.

Em nenhuma mulher, eu te encontrei.
E, pra ser sincero, acho mesmo que não vou encontrar.

Por isso resolvi desacelerar a minha busca por você. Por isso, o desencanto de agora.

Me perdoa se cansei de te buscar em outras, quando o melhor seria você deixar de ser etérea e ser a mulher real.

Não sei se você vai aparecer mais.
O tempo de busca tem me deixado cansado, desanimado, como se o ânimo esvaísse pelo suor do meu corpo neste verão implacável.

Entrego os pontos, por ora.
Não sei se vai ser pra sempre. Você sabe como canso em me desdizer.

Mas o melhor é nos encontrarmos em uma próxima vida.

Acho que falta pouco pra eu chegar lá!...

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Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 16.

Cartuns sem barreiras pra alegrar o seu verão!

Baixe a INFLÁVIO Semanal Nº 16 aqui!

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Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 14.

O elenco, como sempre, é de primeira: economista encalhada desesperada atrás de homens, presidente sem noção e cartuns, já que ninguém é de ferro!

Baixe a INFLÁVIO Semanal Nº 13 aqui!

Publicado originalmente no dia 3 de abril de 2005

Nos seus dias de infância esquisita, aprendeu: ele era o filho do meio.

As prioridades (isso estava sempre bem claro e patente), eram o irmão mais velho e a irmã caçula.

A avó paterna descobriu logo, com o seu olhar de lince e língua ferina, que por vezes não cabiam na própria boca. E assim ele foi "adotado" pela avó.

Claro, ficou um troço meio capenga. A avó morava longe. E não tinha o carinho e o amor efetivo do dia a dia.

Então ele desenvolveu técnicas de guerrilhas emocionais: antes de ser atacado, atacava. E com napalms, nada de tiros de festim.

E assim, sua trajetória foi feita à ferro e fogo. 24 horas por dia em alerta. Uma desgastante rotina.

Quando a irmã caçula se foi, ele pensou que tivesse um pouco do amor que lhe fora sonegado. Ledo engano.

O irmão, espaçoso, se apoderou de tudo. Mais uma vez ele se viu sem nada.

Começou a colecionar sonhos.

Resolveu (ele sempre resolvia impulsivamente) seguir sem nada. A avó não estava mais com ele. Fora pro mesmo lugar que a irmã caçula.

Conseguia pequenas vitórias. Mas tinha no peito, um buraco imenso que nada preenchia.

No caminho, muitos abutres e corvos. Ora lhe comiam o fígado, ora lhe atingiam a alma.

Já não sonhava mais. Respondia apenas a estímulos.

Um dia, desistiu dos sonhos.

Enfim, se tornou um homem normal.

Fluir

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Publicado originalmente no dia 3 de abril de 2005

Fluir
Talvez seja esse
O segredo da vida

Represar
Talvez seja esse
O mal da vida

Publicado originalmente no dia 2 de abril de 2005

Em rio que tem
Muitos lobos
Bebendo água
A morte por sede
É só uma questão de tempo

Terri e JP II

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Publicado originalmente no dia 31 de março de 2005

Terri Schiavo, finalmente cumpriu a sua missão e foi desta para muito melhor, hoje por volta de meio-dia.

Já o Papa. Bem... o caso do Papa é muito mais grave do que a gente imagina.

O Vaticano simplesmente não sabe o que vai fazer com ele.

Se arma a "renúncia" dele e o despacha pra um mosteiro na Polônia, ou na Igreja em que ele foi arcebispo. Imediatamente um novo Papa teria que ser eleito.

Mas é aí que a porca torce o rabo.

Ninguém vai abandonar João Paulo II à própria sorte, na Polônia ou no resto do mundo. Seria criado um papado paralelo, coisa que seria um pesadelo pro Vaticano. Sem contar as romarias e toda a parafernália em volta.

O que não se pode negar, é que João Paulo II está com o seu nome inscrito na História.

Derrotou o comunismo.
Primeiro na Polônia, através da fundação do sindicato independente de Lech Wallesa, o Solidariedade. E depois na União Soviética, a queda do muro de Berlim e por aí afora.

O comunismo em sua versão arcaica, quase na idade da pedra lascada, sobrevive apenas na Coréia do Norte, com um líder totalmente despirocado, sentado em cima de uma bomba atômica.

E em Cuba, com a ameba de fidel castro, cambaleante, caindo de podre e totalmente gagá, sem perder a mania de fuzilar e prender os descontentes.

O Vaticano agora tem que se virar pra manter o Papa vivo.

Mas esta exposição da morte do Papa diária, em capítulos, é dose.

Nem a inacreditável novela "América" (a mistura surreal de O Clone e Pantanal com um tema de abertura de enlouquecer, e músicas incidentais que são verdadeiros acintes ao bom gosto), tem tantos canastrões atuando e falhas de roteiro, como a agonia do Papa.



v e r b e a t b l o g s

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  • Flávio é um cartunista com mais de 30 anos de praia e que literalmente leva a vida correndo o risco. Ele acha que nasceu numa época errada, mas tenta desesperadamente acertar o relógio dos séculos passados com os de hoje. Nem sempre consegue, mas vai fazendo o possível pra ser contemporâneo entre estes séculos dissonantes.

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