dezembro 2009 Archives

2009... Foi um ano pra lá de surpreendente!

Foi o ano em que finalmente consegui publicar o meu primeiro album de quadrinhos! E colorido! Tem gente que já tá na estrada há muito mais tempo do que eu, e ainda não conseguiu fazer um album colorido!

"Darwin no Brasil", meu album de quadrinhos, com textos e desenhos meus, caminha pra segunda edição.

Foi também um ano de retomada e posicionamento profissional. Talvez o mais importante, é que eu não nasci mesmo pra pertencer a panelas, a turmas e essas coisas tão usuais de hoje em dia.

Voltei pra Mad e já saí de lá. Não é mais a mesma revista e virou uma barafunda editorial e graficamente, parace um catálogo de cores. Agora têm uns caras como colaboradores que não tem nada a ver com a revista, mas sabe como é... aparecem na tv nos ditos programas "humorísticos" e tal. Sei lá, não é mesmo a minha praia! Com o tempo você começa a se cansar de coisas sem sentido...

Então resolvi fazer a INFLÁVIO Semanal, uma revista em PDF gratuita de humor e quadrinhos, a única do mundo! Ela volta em 2010. Isso é pra quem pensava que eu tinha perdido o fôlego.

Na parte pessoal, mil furacões, mas acabei vivo! Isso é muito importante!

Coloco o pé na estrada pra uma virada de ano diferente da que tinha planejado. Uma bem-vinda surpresa me apareceu no final de dezembro, jogando pelos ares o bom mocismo e me deixando inteiramente à vontade. Me dei essa chance, a derradeira de 2009, pra começar 2010 com o coração em ponto de bala!

Porque, afinal de contas, eu mereço!

Bye, bye, 2009!

Bem-vindo, 2010!
Os que insistem em viver a mil, te saúdam!

Só admito patrulha, de quem paga as minhas contas!

Como quem paga as minhas contas sou eu, logo não admito patrulha de ninguém!

E mais: cara feia, pra mim, é fome!

Nesta noite

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Nesta noite, em bilhões de lares pelo mundo afora, será uma noite alegre de Natal.
Menos na minha.

Aliás, nem sei se posso chamar a minha casa de "lar".
É tudo tão impessoal, sem nenhum quadro na parede, sem uma porção de coisas que tem em qualquer lar... principalmente sem amor, sem uma pessoa ao meu lado pra suprir minhas carências.

Mas poderia ser uma alegre noite de Natal na casa do meu pai, que é aqui pertinho.

Mas desde a morte da minha mãe, meu pai matou essa tradição familiar.
Ele se casou outra vez e apesar de ter passado quase 50 anos ao lado da minha mãe, ele, de uma maneira deliberada, matou vários costumes e tradições que nos uniam. Como se durante o casamento dele, ele tivesse que aturar várias coisas, pra se manter "feliz".

É uma coisa que jamais entra na minha cabeça. É um dia normal pra ele. Ele dorme cedo e é uma noite como outra qualquer.

A cada Natal em que eu tinha uma família, eu me recordo. Hoje, então, desde cedo, os últimos Natais com a minha mãe, se tornam cada vez mais presentes.

Espero que um dia essa angústia passe e alguém me devolva os Natais que me foram roubados, desde que a minha mãe se foi.

Hoje eu vou dormir cedo e rezar pra sonhar com os Natais felizes com a minha mãe.
E voltar a ser o moleque Flavito, comendo rabanada, pernil com farofa, salada de frutas e panetone. E sendo, irremediavelmente, feliz!

Em paz

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Qualquer pessoa que segure a minha mão
Sentirá o frescor de folhas suaves
São elas que tem inebriado a minha alma

Qualquer pessoa que siga os meus olhos
Verá o quanto tenho seguido pessoas
E como tenho me achado

Qualquer pessoa que discuta comigo
Só ouvirá o volume alto de sua própria voz
E o meu olhar de desapontamento

Qualquer pessoa que entre em minha vida
Deverá seguir o ritmo do meu coração
E pisar leve em meu caminho

Qualquer pessoa que pense em mim
Estará fazendo afago em minha mente
E banhando de alfazema o meu interior

Qualquer pessoa que cante para mim
Estará entoando canto de anjos
De quem eu tenho me tornado amigo

Qualquer pessoa será bem-vinda
Como uma porta aberta em mim
E um punhado de rosas vermelhas
Pra deixar mais leve a vida.

Os meus votos

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Cartao1

Capa

Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 12.

O elenco, como sempre, é de primeira: Papai Noel e outros caras suspeitos, tomaram de assalto a revista!

Baixe a INFLÁVIO Semanal Nº 12 aqui!

Blues

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Com a cara amarrotada, Laura acordou com um gosto amargo na boca.

A maquiagem borrada, a camisola rasgada... e a garrafa de bourbon aos pés da cama. Mais uma noite sentindo a falta de Matheus.
Mais uma vez esperando pela volta dele.

E mais uma vez, lendo o bilhete. Pela décima oitava vez.

"Laura

Em tão pouco tempo que a gente se conhece, eu lhe digo que você é uma das pessoas mais importantes dessa louca vida pra mim.

Eu sei que é difícil pra você entender isso. Porque o que rege a sua vida é a realidade. Mas existe um tempo em que a razão nunca fala mais alto. É no tempo da espiritualidade que eu te sinto mais presente.

É na madrugada, no silêncio das horas, nas coisas corriqueiras, que eu sinto você presente comigo. Como se quisesse encurtar a distância geográfica entre a gente, como se comunicasse de coração a coração.

É nesses momentos que eu te sinto inteira, sem explicações plausíveis, porque apenas a essência de nós dois é que se manifesta, que se encontra e que nos deixa felizes pelos carinhos e cuidados mútuos.

Pra mim, você é só essa pessoa de luz, que me faz feliz.

E eu agradeço a Deus por ter te encontrado, porque você foi uma das melhores coisas que me aconteceu neste ano.

Te quero pra sempre na minha vida!

Eternamente, seu

Matheus"

E agora o bilhete ganhava mais uma marca apaixonada de batom... e de saudades!

Um nome a zelar

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Se um dia me acusarem de ser um conformista, um burguesinho, uma vaquinha de presépio...aí vai ter briga!

Já fui chamado de encrenqueiro, polêmico (perdi as contas de quantas vezes fui chamado disso!...), maluco, inconstante...e de mais uns 6365225 nomes da mesma estirpe.

Mas não me incomoda se tentam me rotular.

Só não dá pra me rotular... afinal de contas, tenho um nome a zelar!

Marina era uma humilde professora numa escola de roça.
As crianças, sempre muito carentes, tinham dificuldade no aprendizado e quando acabavam as aulas, Marina voltava pra casa exausta.

O caminho da volta pra casa era a pé, já que não era muito longe da escola.

Ao chegar, ainda ajudava a prima Eulália a cuidar da janta e a olhar a mãe, que vivia entrevada numa cama. Eulália passava o dia cuidando da tia Filomena. Marina sempre ia de manhã e à noite lhe tomar a benção.

Todas as noites, Marina sonhava que voava.

Era quando se sentia mais feliz, porque ela voava por sobre a sua casa, a escola, a Igreja da cidade, o parque da cidade e todas as propriedades que eram vizinhas da sua casa.

Aos sábados, Marina ia até a cidade de charrete fazer as compras.
Acordava cedo, tomava um banho e se arrumava.

Um sábado, na hora de tomar o banho, ela notou calombos nas suas costas. Eram calombos diferentes, como se alguma coisa fosse sair de dentro do seu corpo, pra fora.

Não deu muita importância e continuou na sua vida de casa pra escola, da escola pra casa.

Numa noite ao revirar na cama, levou um susto. Pares de asas, lindos, brotaram das suas costas.

Ela pensou que estava sonhando, mas não. Eram asas mesmo.

Levantou da cama apavorada, saiu de casa e foi até o terreiro. Era uma madrugada linda, com o céu estreladinho.

E deu a vontade de seu sonho se tornar realidade.

Imaginou que sonhava e começou a ganhar altura: sobrevoou a casa, a escola, as fazendas vizinhas, chegou até a cidade, a praça principal, o parque, as árvores, pastos...tudo era tão familiar, que parecia que toda vida ela tinha voado.

Nunca mais Marina foi vista.

Mas a sua mãe Filomena, jura que a vê da janela do seu quarto, todas noites de lua cheia.

E ela ainda vem, carinhosa tomar a benção da mãe.

Gervásio chegara em casa de madrugada, outra vez.
E de porre, também outra vez.

Desde que Morena se foi, o sentido da sua vida foi pras cucuias.

Saído da roça, resolveu se mudar pra cidade pra ficar mais perto do seu amor. Mas Morena, depois que arrumou o emprego de balconista na lojinha do Michel, mudou muito.

Trabalhava sempre até mais tarde.
Quer dizer, trabalhar não era bem o termo.
Michel fechava a loja e Morena passava pra sua casa, nos fundos da loja.
Fazia dupla jornada na cama do turco que lhe cobria de jóias.

Uma madrugada, Gervásio enfiado no bar da praça, descobriu que Morena o traía. Queria matar os dois, mas foi contido pelo amigo Marquinhos que tomou algumas com ele e deixou-o em casa.

O cubículo em que Gervásio vivia, cheio de fios com gambiarras e muito sujo, era um autêntico esconderijo pra uma alma doente.

Além da bebida, o vício do cigarro lhe consumia. Já estava na fase de um cigarro acender o outro.

O sono lhe dominou com o cigarro ainda acesso. Uma brasa avançou por uma gambiarra e o fogo logo começou a tomar o cubículo.

Os vizinhos apavorados conseguiram arrombar a porta. Era tarde demais

Gervásio ardia em chamas e com um sorriso misterioso nos lábios esturricados.

De tanto arar a terra, Agostinho sabia que a sua propriedade já deu o que tinha que dar.
O vizinho, Diomedes, largara de vez a plantação e o pasto agora era só das vacas leiteiras.
Diomedes descobriu uma pedreira em sua propriedade. Seus lucros se multiplicaram e Agostinho ficara pra trás com a sua plantação de arroz, milho e feijão.

Não conseguia mais ninguém pra trabalhar com ele na lavoura.
Ou o pessoal trabalhava nas pedreiras, ou ficavam encostados vendo a rota do sol o dia todo, e ganhando o Bolsa Família.

Chegou de noite a sua casinha. Isaura, sua mulher, estava na cidade na casa de Luzia, a filha recém-casada.

Deitou-se na cama, pegou uma garrafa com um punhado de terra da lavoura. Jogou sobre o seu peito. Pegou a velha garrucha do pai e disparou um tiro seco no ouvido.

Foi enterrado em sua propriedade.
Com sete palmos de sua querida terra, por sobre o seu caixão.

Entrou na água ainda com o corpo curvado.
Neusa agora tinha vergonha dele.
Quem sabe deixando a sujeira do pecado ir embora, nas águas puras da represa, seu corpo voltaria a ter a pureza de antes?

Há muito o cunhado lhe assediara com propostas indecorosas.
Pensou em contar tudo para a sua irmã, Celeste, mas Lúcio - o cunhado - lhe ameaçara.
Mergulhou até o fundo da represa. Suas lágrimas, seus soluços...tudo tinha ficado pra trás.

Seu corpo nunca mais foi visto.
Enfim a paz, no fundo da represa. Com a corda amarrada no pescoço e a outra extremidade da corda, numa pedra.

Sábado é sempre de eu ir até à "civilização".
Vou até Pádua fazer as compras da semana, mas a primeira parada é sempre na banca de jornais.

É onde encontro onde o dono, gordo, gordo... com quem bato papo há quase 2 anos, mas nem o nome dele eu sei. Mas eu o chamo de Mestre. E como ele também não sabe o meu, me chama de Ilustre.

E é sempre uma conversa boa porque o Mestre é um cara culto, já tendo morado em Niterói e ter tido várias bancas de jornais. O seu "império" se estendia pela Região dos Lagos e Norte Fluminense, até chegar o Plano Collor! O cara perdeu tudo e só ficou com essa banca de Pádua. Mas a banca é bem localizada e tem sempre um bom movimento.

Hoje eu reclamava da ausência da Piauí, que há mais de 6 meses eu não encontrava na banca dele. Ele disse que ia ligar pra distribuidora e me disse que a revista é de alto nível e que os caras da distribuidora acham que a revista não vende no interior, por causa do nível cultural daqui.

Eu fico meio sem argumento e ele insiste. Ele me pergunta como eu, "um cara culto", consegue morar num lugar em que o nível cultural é baixíssimo? Eu esboço um sorriso amarelo e digo que se não tivesse a internet, realmente a possibilidade de emburrecer seria imensa.

Aí ele desanca a falar mal do lugar: que só tem gente que quebra pedras e mal consegue falar, etc. Eu dou razão pra ele e digo que se eu não conversasse quase todos os dias, com uma amiga que é formada em Direito em Minas, pelo MSN, eu certamente morreria de tédio e burrice.

Ele me olha fixamente e diz que infelizmente pra ele, já que ele gosta de conversar comigo, mas que eu vou ter que ir embora daqui. Que eu não tenho nada a ver com esse lugar e, principalmente, com as pessoas. E começa a elencar os defeitos do lugar. Eu fico sem jeito e só balanço a cabeça concordando.

Pego o jornal do dia, pago, cumprimento o Mestre e saio da banca, que já começa a encher.

As palavras dele ecoam na minha cabeça. Paro na calçada, olho ao redor e me sinto como um ET em Pádua. Ou em tantos outros lugares, onde jamais me senti em casa.

Será que um dia essa estranheza vai passar?

Renata Miwa

| 6 comentários

renatamiwa

Essa belezura de ilustração é da jovem e promissora Renata Miwa.

Com apenas 20 anos, a menina já tem jeitão de gente grande!
Ela é filha do grande cartunista e amigo, Jorge Barreto, que um dia pediu que eu desse uma chance à ela, na Jam Session.

É claro que eu dei a tal chance.
E de lá pra cá, eu venho acompanhando a evolução do trabalho dela. E me surpreendo cada vez mais.

O Jorge deve ser muito feliz em ter uma filha talentosa como a Renata.

Parabéns, Renatinha!
A estrada é longa e dura, mas a paisagem é linda!
Aproveite!

Eu tenho um coração solitário
Eu carrego uma solidão lúdica
Eu estou só
Em qualquer lugar que eu vá
Não tenho sombras a me seguir
Não tenho caminhos a seguir
Não tenho alguém que seja minha
Eu não temo o destino
Porque o meu destino é incógnito
Eu não quero carros, bares e lares
Só a solidão do bater do coração
Que carrega segredos inalienáveis
Eu sou a raiz da solidão
O sim do não
O céu cinzento
A chuva ácida
Que cai sobre árvores
Desfolhando a alma
Drenando a mente
Até me esquecer de mim
Quem sabe assim
Não chego ao fim?

Caminhar tem sido, nos últimos dias, uma autêntica terapia.

Vou processando os últimos acontecimentos e, principalmente os não-acontecimentos das últimas 24 horas.

Consegui resgatar o mp3 player que estava jogado num canto do guarda-roupa. Enchi ele de músicas que me acompanham há muito tempo, e a cada passada, um replay de um acontecimento flasheia na minha mente.

Digito agora ao som de "Flor do Medo" de Djavan. Esta música tem se tornado um ícone das últimas 24 horas. Nunca tinha prestado muito atenção nesta letra, mas como ontem tive que copiá-la e mandá-la pra uma certa pessoa que anda habitando o sótão do meu coração, vi o quanto é bela e um grito de libertação dos sentimentos aprisionados.

Mas na caminhada o hit foi outro: "Dois Rios" do Skank, a bela canção de Samuel Rosa, Nando Reis e Lô Borges (que trinca!), tocadas por exatas cinco vezes!

Porque às vezes pra entender Minas, você tem que escutar a música de Minas. E aí você vai vendo como agem os cidadãos de lá, o modo de encarar a vida (sempre subjetivo), as diferenças e passa a entender as reações e, principalmente, as não-reações.

E confesso que ultimamente, eu um belicista convicto, tenho aprendido a desarmar-me de tudo. Vou baixando os meus seriados aqui no pc e assistindo-os à noite, porque os dias tem sido duros de trabalho, e a tendência é que só aumentem. Ainda bem, porque eu mereço!

Parece que os dias de malhar em ferro frio, vão ficar pra trás!

CapaINFLAVIOSemanal11

Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 11.

O elenco, como sempre, é de primeira: a origem do Buda Lelê, o guru mais comilão de todos os tempos e as trapalhadas de políticos com dinheiro na cueca, essas coisas corriqueiras do Brasil!...

Baixe a INFLÁVIO Semanal Nº 11 aqui!

"O modo como vemos as coisas se foi e ninguém entende.
Só você.
E isso é muito valioso!"

Teorema

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É um teorema pra lá de complicado!
Senão, vejamos os ingredientes:

Convite, encantamento, hesitação, dúvidas, aceleração, carinhos, freio de arrumação, sonhos, não aos sonhos!, viva a relidade!, viva a realidade relativa!, festa, "fiquei com um cara!", balde de água fria, conversa de cerca-lourenço, etc, etc, etc,etc...

E eu que nunca fui bom de matemática!...

Acredite!

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As mãos de Keiko são pequenas e macias.
Na parte de baixo do pulso direito, uma tatuagem de um ideograma japonês: acredite!

Ela se recorda de quando entrou no studio de tatuagem em Tóquio, quando o tatuador se recusou a fazer o serviço:
- Também pudera! Eu estava com o uniforme da empresa que trabalhava!

A tal empresa, era apenas a melhor empresa de robótica do Japão.

Seus olhos pequenos e pretos sorriem como o seu rosto: ora tímido (na maior parte das vezes), ora sorriem escancarado, quando uma pequena pinta acima da boca lhe dão um charme especial. Os cabelos pretos escorridos e longos, são a marca da "rebeldia":
- Logo que saí da empresa, a primeira coisa que fiz foi deixar os cabelos soltos e deixar crescer.

Na tal empresa, passava o tempo desenvolvendo novas mãos mecânicas, cada vez mais sensíveis.

Quando o trabalho se tornava enfadonho, ela colocava clipes antigos de Bob Dylan em concertos dos anos 60, no seu desktop. E numa "air guitar" poderosa, ela acompanhava as perfomances do seu ídolo.

A gota d´água pra dar adeus a empresa, foi que cada vez que tinha uma reunião da Diretoria (só de homens), ela era obrigada a servir chá pra todos.

Um dia ela se cansou de ser humilhada!

Foi pra casa, discutiu com a mãe, que já queria lhe empurrar um "marido" e a mãe lhe disse que ela tinha que tomar o rumo da vida dela. Mas fora daquela casa!

Há umas quatro ou cinco noites seguidas, ela sonhava que se encontrava com um jovem médico americano, num restaurante de sushi em Los Angeles.

Pegou as suas coisas, empunhou o seu violão, enxugou as lágrimas e se foi do Japão.
Juntamente com uma prima, que sonhava sem parar, com um músico carioca.

Vieram as duas, direto pro Brasil. A prima, Yuko, tanto rodou bares e boates que acabou encontrando o músico que sempre aparecia nos seus sonhos. Foram morar juntos em uma casa-estúdio em Santa Teresa, no Rio.

Keiko agora achava que a era a sua vez.
Há cerca de um mês, embarcou pra Los Angeles. Vestindo uma camiseta com um grande ideograma japonês: acredite!

Na despedida, ela, tímida, tinha uma frase do dramaturgo espanhol Calderón la Barca, na ponta da língua:
- A vida é sonho!

Acena miúdo e meio que corre pro setor de embarque internacional, do Aeroporto Tom Jobim.

A prima Yuko e seu novo amor, João Mauro, gritam:
- Acredite!

Uma fábula

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Vivia no meio do mato. Escondido em uma casa que pouca gente sabia que existia.
Algumas pessoas tinham ouvido falar dele, há muito tempo atrás.
Era um cara sisudo, fechado, de poucos amigos.

Tinha sido um profissional brilhante há muito tempo atrás, mas ao invés de andar pra frente na carreira, jogava tudo pro alto e resolvia voltar ao local que tinha nascido.
E cada vez mais encontrava pessoas desconhecidas nesse local.
Os seus amigos de infância não moravam mais lá. Não tinha mais contato com ninguém.

Morava até numa casa de fácil acesso numa cidadezinha pequena, mas a solidão há muito habitara o seu corpo e passou a se sentir incomodado com a presença das pessoas.

Soube que um antigo fazendeiro tinha morrido e estava com as suas terras à venda.
Foi até o advogado, que representava os 7 filhos do fazendeiro, todos morando na cidade grande. Alguns até fora do país.

Conseguiu comprar um terreno no meio de uma reserva florestal, que o fazendeiro tanto gostava.

Ele mesmo desenhou a casa que queria. Pequena, de um quarto, uma sala, cozinha e banheiro.
Toda de madeira.

Em dois meses, se mudou pro meio do mato.
E nunca mais foi visto em lugar nenhum.

Dizem que os homens que construíram a tal casa foram mortos um a um, de maneira misteriosa.

A trilha que levava até a casa foi toda tomada de mato. A mesma coisa aconteceu com a parte externa da casa, que virou uma autêntica camuflagem.

Passava os dias e noites lamentando, chorando em sua cama, dos amores que tivera na vida. Foram muitos. E a dor no lado esquerdo do peito nunca passava.

Tinha uma marca nas costas de um terrível tumor, que cresceu assim do nada, no meio da coluna. Mas que foi extirpado por uma junta de médicos universitários, que só tinham visto tal coisa em livros de medicina.

Ele ainda se lembra da humilhação que passou, com aquele tumor enorme lhe dando o aspecto de um camelo. Tinha percorrido toda a rede pública da cidade grande em que morava, procurando socorro.

Um dia, uma boa alma lhe conseguiu uma internação num hospital universitário. E ele ficou internado por lá durante duas semanas.

Depois da cirurgia, resolveu voltar à sua cidade natal. Largou a sua carreira promissora de lado e passou a viver das economias acumuladas em mais de 30 anos de carreira.

Se encerrou dentro de si.

Tinha o coração em brasas. Doía noite e dia.
De madrugada urrava com as dores.
Nas roupas e na roupa de cama, as manchas de sangue sujando o lado esquerdo do peito.

Foi então, que num ato de extremo desespero, numa madrugada, resolveu arrancar o coração do peito.

Na manhã seguinte, viu o velho coração no chão perto da cama.
Olhou com desdém pro órgão que só tinha lhe feito sofrer.E descobriu que não precisava do coração pra viver.

Resolveu trancar a casa no meio do mato e voltou pra cidade grande, que tinha morado por muito tempo.

Retomou a carreira, passou a ganhar muito dinheiro, passou a ser admirado, invejado e cobiçado. Finalmente a sua sua vida fazia sentido.

As mulheres se jogavam a seus pés, mas ele não tinha mais coração.

Tinha só a indiferença, a ironia e a desfaçatez.

E hoje em dia, isso vale muito!

"Aditivos" 2

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Quero você com todos os seus "aditivos".
Quero você 100%... e até mais do que isso!

A volta mágica

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Para a F.

Tentei esquecer aquele nosso domingo negro, em que fomos imprudentes um com o outro.
Pensei que tivesse tirado você da minha mente, assim como quem tira um par de fones do mp3 player e diz baixinho, pra dentro de si: desapareça!

Mas, felizmente, a vida não é assim. Ela é muita mais complexa.
De uma complexidade tão extremada que nos fez nos aproximarmos, de uma maneira tão sutil, tão barroca, que ontem à noite...nos falamos outra vez.

E nos perdoamos pelas imprudências mútuas e pela primeira vez eu senti que o tempo com você voa, porque é tudo tão intenso, engraçado e...mágico.

Como foi mágica a sua primeira abordagem, que me deixou sem palavras, sem saber o que fazer, ensaiando mil atitudes, até me render a você.

Mas agora eu descubro que 36 horas por dia com você, seria muito pouco. Porque eu queria descobrir, ao vivo, cada sentido de cada pausa sua no comunicador. Cada olhar surpreso a cada coisa que eu escrevo e sentir a sua respiração suspensa. Seu sorriso tomando o seu rosto e um leve (ou intenso) rubor a te corar a face.

E por você ter sido tão presente dentro de mim (mesmo sem eu saber), nos dias em que não nos falamos, é que te digo com o coração em festa: nossa mágica continua!

Capa

Esta é a Capa da INFLÁVIO Semanal Nº 10.

O elenco do décimo número, é de primeira: Fido Rex, Dasdô, serenatas com mp3s e esse povo da política (como sempre)!

Baixe o décimo número aqui!



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  • Flávio é um cartunista com mais de 30 anos de praia e que literalmente leva a vida correndo o risco. Ele acha que nasceu numa época errada, mas tenta desesperadamente acertar o relógio dos séculos passados com os de hoje. Nem sempre consegue, mas vai fazendo o possível pra ser contemporâneo entre estes séculos dissonantes.

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