Durante muito tempo, eu espero a sua chegada.
Primeiro pensei que você fosse a morena bonita, amiga da minha irmã, por quem me apaixonei platonicamente, aos 9 anos.
Vieram depois outras mulheres: louras, morenas... e tantas outras, que às vezes eu esqueço a ordem natural das coisas e penso que sou a encarnação de um Casanova qualquer.
Depois percebi que de todas elas, nenhuma era você.
Porque elas não tinham o doce frescor do seu óleo de amêndoas.
Aquele que sempre sinto quando você se aproxima de mim e pousa suas mãos delicadas e macias por sobre os meu ombros. E coloca o seu rosto junto ao meu, fazendo os seus cabelos longos bailarem no ar, como se uma estranha e doce sinfonia invadisse o ambiente em que estamos.
Curiosamente este ambiente é variável: ora num campo, ora num Palácio da Eslovênia, ora num quarto quente e abafado de um casebre em Bombaim... mas em todos os lugares, eu te sinto como o seu corpo fizesse parte do meu. E os nossos destinos, hermeticamente selados por todas as eternidades.
Em nenhuma mulher, eu te encontrei.
E, pra ser sincero, acho mesmo que não vou encontrar.
Por isso resolvi desacelerar a minha busca por você. Por isso, o desencanto de agora.
Me perdoa se cansei de te buscar em outras, quando o melhor seria você deixar de ser etérea e ser a mulher real.
Não sei se você vai aparecer mais.
O tempo de busca tem me deixado cansado, desanimado, como se o ânimo esvaísse pelo suor do meu corpo neste verão implacável.
Entrego os pontos, por ora.
Não sei se vai ser pra sempre. Você sabe como canso em me desdizer.
Mas o melhor é nos encontrarmos em uma próxima vida.
Acho que falta pouco pra eu chegar lá!...

meu coração parou.
Espero que vc tenha gostado do texto:)