Fecho os olhos e as imagens vão se sucedendo rapidamente, como se estivessem se arquivando em pastas respectivas. (Uma metáfora típica dos tempos.) A sensação: um túnel formado por paredes de paisagens mentais, recortes mnemônicos, flutuando. Reconheço poucas coisas e na maioria do tempo suponho se tratarem de momentos que deliberadamente escolho recordar entre tantos outros possíveis.
Esses retalhos vão se acomodando em cantos obscuros da memória, de onde não sei se sairão... Foram situações verdadeiramente importantes, mas depois que atravessam esse "túnel", transformam-se em resquícios pouco coerentes de dias passados. Sem encaixe.
As questões que se impõem são: por que é tudo tão transitório? Tudo é ou, desafortunadamente, se torna transitório em mim? Por que tão pouco realmente se fixa? Por que, inexorável e involuntariamente, esqueço?
Não importa quão grande tenha sido o que aconteceu; invariavelmente, esquecerei. E quando olhar no fundo da memória, buscando essas passagens que, no fim das contas, me fazem ser o que sou só consigo ver um grande borrão de rostos, de sons. Tudo varrido por um vento que me impede de saber quando ou como.

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