inverdades

daí que você é um professor. um professor respeitável em duas cidades pequenas, já nos estertores da altaneira Serra da Mantiqueira, onde qualquer faísca é explosão e um piá de longe resolve terminar de vez com a sua boa fama, com seu tão carismático perfil, com sua mentira mais bem contada.

mas o cara é el_rey. não se discute. de forma que:

1) já não lembro o ano, mas não faz muito, infelizmente. chorei em pé, ao lado das bilheterias do Via Funchal, em São Paulo, quando a moça do guichê fechou a porta na minha cara, avisando que o último ingresso pro show do Coldplay tinha acabado de ser vendido. eu aprendi depois, confiem em mim.

2) já há mais alguns anos, seguindo uma tradição esdrúxula e forçado por aquilo que te torna um adolescente cheio de espinhas e nada na cabeça, embarquei no avião que levou minha turma de oitava série ao Inferno na terra: Porto Seguro. passei uma semana tocando berimbau; acredito (ou prefiro acreditar) que pra castigar os meus ouvidos e tentar irritar a todo e qualquer ser humano não-surdo que ficasse perto de mim por mais do que dois minutos.

3) ainda quando adolescente, apaixonei-me. perdidamente. por essa menina que mora(va) na rua de cima. voltávamos juntos todos os dias da escola e eu ouvia sempre tudo o que ela tinha a dizer, inclusive as reclamações sobre o namorado. alguns dias antes daquele Natal, comprei pra ela um colar de ouro, por R$55,00, o que era uma fortuna pra um moleque do primeiro colegial. dois dias depois, no Natal, lhe entreguei um urso, uma carta e meu coração. fuck me.

4) sete anos depois, já na faculdade, por acaso encontro com essa garota. passamos algumas horas conversando. pelas tantas: "às vezes tenho vergonha das coisas que fiz quando gostava de você". "você gostava de mim?" - e olhos arregalados. "ah, mas vá te foder!". faz um tempo que não converso com ela... estranho.

5) era um bar, em Belo Horizonte. um bar com um tema: jogos de tabuleiro. você senta e o garçom te traz o cardápio de bebidas e o de jogos. são muitos e nos divertimos a valer. era uma noite em que o chopp servia-se até o primeiro pazzo levantar pra ir ao banheiro. demorou "o suficiente", eu diria, até aquele rapaz levantar. depois dos chopps, margueritas. eu, por minha conta, até onde posso afirmar, bebi seis. doses cavalares - você sabe: não há miséria em Minas. sei que acordei deitado no chão do bar, abraçado à cadeira.

6) era uma tarde de sábado. uma tarde de sábado quente como só em Campinas as tardes de sábado sabem ser quentes. muitas nuvens no céu e um negrume no horizonte. o que eu poderia ter feito? ido pra casa ler um livro? sentar num boteco e tomar umas cervejas? encontrar aquela amiga? assistir um belo filme no acolhedor Cine Paradiso? não. ao invés disso tudo, disso tudo, eu aceitei ir ao jogo entre o Guarani Futebol Clube e o Avaí Futebol Clube. era a partida que decidiria o futuro do glorioso Bugre. o combalido estádio Brinco de Ouro da Princesa transbordava com os mais de 30mil bugrinos saltitantes no tobogã. onde, justamente, eu me encontrava, perguntando pra todos os santos e demônios, por que cazzo eu estava ali. na segunda seguinte, no jornal Correio Popular, a foto estampava a alegria da nação alvi-verde: uma arquibancada forrada como há muito não se via, a comoção das declarações - o Guarani passara pra segunda fase do Campeonato Brasileiro da Série B de 2005. no cantinho da foto, entre a massa verde e branca: um ponto preto. a camisa que me emprestariam não serviu. destoei. mas cantei. sei o hino até hoje.

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7) eu escuto Los Hermanos. e ainda gosto.

3 Comments

eu já sabia de tudo. perde a graça. =P

Thiagão, me empolguei e também montei a enquete... Acho um barato esse fenômeno de enquetes.

o setimo segredo é sempre o mais terrivel. nossa amizade, meu caro verme, esta abalada.

diga lá:


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