não gosto muito que peguem em mim. não precisa tocar, especialmente se não somos próximos; acho desnecessário. não é "nojo" ou qualquer coisa estúpida desse tipo -- só me sinto pouco confortável.
mas aí tem essa menina, na quinta série, que não entende as indiretas. todo dia quando chego na sala, lá está ela: os braços esticados, as mãos postas na altura dos meus ombros. a cada sílaba, um toque. me irrita. é provável que meus olhares pra ela não sejam os mais cândidos.
ela segue não entendendo. perdi a paciência um dia e desviei o corpo. ela fez cara de susto, mas continuou no próximo movimento a pôr as mãos em mim. por conta disso, foi nascendo um tipo qualquer de indisposição minha com relação à menina.
mas.
na última quarta-feira, entrega de notas. corrigia as provas com os olhares atentos sobre mim e chamando cada um pra conversar. chegou a vez da menina, que roía (todas) as unhas. ficou abaixo da média -- um ponto abaixo da média.
ela voltou pra carteira e quando sentou tinha uma cachoeira lhe escapando pelos olhos e soluçava de balançar o corpo. chamei de volta e perguntei. "meu pai e minha mãe vão me bater porque eu vou ficar com nota vermelha no boletim" -- entre muitas fungadas.
ela não estava mentindo. a gente sabe quando estão mentindo. "a gente", digo, professores; mas todo mundo sabe.
num movimento contínuo, tirei a prova da mão dela, mudei um errado pra um certo. a nota subiu um ponto. de vermelha foi pra azul. (é vazio.)
porque ninguém apanha por minha causa. ainda mais por causa de nota que eu tenha dado. (que não significa porra alguma.)
ganhei um sorriso. e um beijo na bochecha de uma amiga dela.

Gostei tanto do seu texto...
Gostei tanto do seu texto...
tanto assim? :)
:)
bunitinho mesmo. E a menina da 5a. série?
Tudo assim.