A intenção, escorrendo pelo ralo, era um primeiro post que destilasse duas coisas: 1) sincero apreço pelo convite (público e desavergonhado) feito por el_rey em meio a um post sobre cervejas, irlandeses e rosângelas; 2) algum orgulho (que tentarei explicar) por estar ora instalado na Verbeat, que surge em função de algo que, se me permitem, reproduzirei aqui, copiando do que dizem os fundadores.
Queremos agregar pessoas em não-grupos, onde se cria e se faz valorizando o indivíduo, seu talento, experiência e ambiente, misturando aos outros, mas que não sejam assimilados e nem assimiladores. A diferença fundamenta o desenvolvimento, a evolução, a transformação.
E por que o "orgulho"?
Especialmente porque me alegra existirem iniciativas como a Verbeat. E antes que me acusem de "novato deslumbrado", de "bixo" e queiram me aplicar trotes que me abaixem a crista, vale dizer que não afirmo isso apenas por agora estar aqui. Há anos acompanho os projetos que Tiagón e Gejfin mantêm - participando de todos: como leitor, como comentarista, como propagador das idéias, como admirador, como entusiasta, enfim. Portanto, não é mero oportunismo minha emoção verdadeira.
A blogosfera brasileira, como bom pote adolescente de hormônios que é, passa ultimamente por crises existenciais profundas. Tão profundas que se nos sentamos em suas beiradas, é provável que não alcancemos o asfalto.
Não raro, caminhando alhures, assistimos a chuvas de regras. Nada me irrita mais do que regras, é bom que se diga. E -- indo além do meu belo umbigo - nada em absoluto foge mais da idéia essencial de blogosfera do que essa tentativa capenga de sugerir (pouco sutilmente) o modo de agir de uns quantos a todos os que formamos esta fuzarca. Blog é liberdade: inclusive para sermos como uns quantos e inclusive para não sermos.
No momento em que perdemos isto de vista, o fim - com o pacote completo: seus quatro cavaleiros, quedas de servidores, atualizações mal-sucedidas de plataformas, confusão de códigos - estará, inexoravelmente, batendo à nossa porta. (Provavelmente com menos educação.)
Os blogs são possibilidades incríveis de subversão da ordem posta. São ferramentas impressionantes na difusão de informações - e, preferencialmente, de conhecimento. Têm a chance de motivar mudanças estruturais em todo o aparato de produção dessas informações. E de fato têm feito isso; não são poucos os exemplos nesse sentido.
Se o que é anárquico, não-hierárquico, fluido, descentralizado, acessível, em suma, livre, ganhar correntes, deixa de ser o que é, e se transforma no que já existe - e não nos ajuda. O que põe as crises existenciais numa perspectiva tão profunda quanto um pires. Aqui, na blogosfera, tudo é possível. Não acabar com essa idéia, reproduzi-la, difundi-la, evoluir com ela, encontrar semelhanças, respeitar diferenças de usos/interpretações, quero crer, é a proposta da Verbeat. E por isso, é uma honra sem tamanho estar aqui.
Com mais tempo, certamente, voltarei ao tema "blogs". Dissecando essa ferramenta e, como geógrafo, tratando de inseri-la numa realidade "macro", que vai além dos teclados de cada um.
Agradeço o convite, a oportunidade, o espaço. É um prazer. Sejam bem-vindos.