tempos modernos

goo.jpg fui ao templo da perdição na livraria Cultura hoje e notei, quietinha como quem não quer nada -- ao final da gôndola dos cds, havia uma outra, pequena, de DISCOS DE VINIL.

socorram-me; subi no ônibus em 1988.

a delícia à esquerda foi quem captou minha atenção. gigante e gloriosa como uma pizza de sulcos harmônicos.

250 pilas. sendo que os preços começam nos 80.

donde,
1. porque o raio da indústria fonográfica não investe de novo no vinil? ganhar mais dinheiro de menos pessoas e tal etc.
2. maior variação de preço para um bem de consumo cultural em parco período de tempo.
3. championship vinyl lives on. e a toca do disco também.
4. SMELL THE HYPE. backwards hype. vintage feeling.
5. um ouvinte de vinil será como o cozinheiro que planta seu próprio tempero. vinil será o slow food da música.

stone the crow



via flisk de Laurent Filoche


agosto, mais um pico da senoide do enfaro e da falta de paciência. mundo demais aqui, e aqui também, e eu de menos. humano de parco e raso equilíbrio, vou alimentando fantasias infantis de justiçamento, com repertório-dicionário de medicina legal. mas mesmo antes da pergunta da esfinge, respondo nenhuma das anteriores. percebendo o reflexo no espelho desformando em areia. picos e vales há, e tudo há, porque já não há mais inexistência nem silêncio. toda massa foi tomada e moldada. tudo há e não resta dúvida alguma sobre nada. procurando ruído em antena e alimentando desejo néscio diante de tantos letrados. nada há e não resta dúvida alguma sobre tudo. e eu pulso de 1 hertz, análogo, alternado, me observando no osciloscópio, tracinhos de grid, luminescências de ponteira em circuito. senóide, quadrado, triangular, dente de serra.


You too have died before
I fought as hard as yesterday
I never stoned the crow

stand up and shout (for a sandwich)

saltando de link em link cheguei no yelp, que é um servicinho genial - uma central de resenhas, dicas, fotos e comentários sobre restaurantes, bares, lojas e tudo o mais (para o pessoal dos EUA). tudo UGC - user-generated content, ou seja, opinião de humanos, sem editores ou intermediários. é um passo na direção do geoblogging - e o yelp deve ser deliciosamente útil num celular.

navegando pra conhecer, escolhi um restaurante ao acaso, clicando num link qualquer. chego nessa Deli em San Francisco, recomendada pelos sanduíches. e eis que eu encontro essa foto, do usuário Toro E.:



sim! um sanduba homenagem a DIO!
que inclusive parece ótimo:

"Are you ready to heat things up? Legendary rocker Ronnie James Dio eats this before every show. Made with pastrami, melted pepper jack cheese, horseradish and jalapeños, this super hot heavy metal sandwich always brings down the house!"

ótimo e apropriado. HOT as a RAINBOW from HELL.


internet, música e comida. it's all one song.

gaudério 101

from: Gustavo Brigatti
to: tiago casagrande
date: Tue, Aug 5, 2008 at 6:25 PM

O lance é que decidi estrear minha cuia de chimarrão. Então fui no mercado e comprei um pacote de erva. Antes disso, tive que escolher a erva. E no Zaffari tem uma prateleira inteira só de erva. Fiquei tentado em pegar a erva cuja embalagem é uma índia seminua chupando a bomba - um lance meio rótulo de Catuaba, manja? Mas aí peguei a tal da Rei Verde. Beleza. Cheguei em casa, peguei minha cuia, enchi a dita com erva até o começo do gargalo e completei com água quente (não fervendo, apenas quente). E deixei ela curtindo. Então fui ler a embalagem da erva. E o que estava escrito? "Composição: erva mate e açúcar". AÇÚCAR! Das trezentas ervas que haviam na prateleira, eu fui pegar logo uma das poucas que tinham açúcar! Não, não vou tomar essa merda. É como beber café descafeinado, pára porra! Se tu quiser - ou conhecer alguém que queira - tô passando 1kg de erva açucarada. Senão vou jogar fora. E sem peso na consciênca. Humpft.

memorabilia {senso-auditiva}




cara - se tem uma outra coisa de que eu sinto falta nesses tempos computadorizados, é o botão de volume GIGANTE. que nem que tinha no painel dos 3-em-1.

preâmbulo. sendo alguém cuja subsistência e 3/4 dos projetos (e ainda parte do lazer) se desenvolvem na microcomputadora, passo eterno tempo de frente pra tela. evidente que o mp3 me tornou um ouvinte muito mais e melhor - numa escala impossível de imaginar há 15 anos atrás. e se durante o dia em fones ouço, à noite tenho um par de caixinhas bastante boas aqui na escrivaninha. dos tempos em que o kit multimídia vinha com falantes de verdade, ímã pesado, boa resposta de freqüência - ao invés desse plástico chiador pavoroso distribuído hoje e que devia ser proibido pelas autoridades de saúde. tanto é vecchio que seu (mini) potenciômetro de volumen, hoje bêbado de poeira, não gosta nada que mexam com ele - senão fica mudo. às vezes num canal, às vezes noutro, ou nas duas. mais difícil que sintonizar rádio atrás de morro. donde, trabalha fixo em vol 9, e todo resto é software.

faz falta o botãozão, que se gira com impulso quando a canção 'bate', pra se procurar a quantidade exata nos fones, pra ter certeza de que não dá pra aumentar mais mesmo. o comando físico da massa sonora. rob gordon se jogando na cadeira, dando um peteleco pra jogar o som nas alturas. e medidores VU, de ponteiro, sempre atraídos pelo vermelho. movidos a eletricidade - não emulados por software. sim, esse é o caminho do chiado da agulha na bolacha, música de carregar embaixo do braço, o bônus do encarte gigante em fonte maior que seis. a quase-pornografia dos álbuns duplos.


mas também não alimento demais essa nostalgia; que, já disse, os avanços trouxeram grande melhora. de resto, eu sou um bicho acima de tudo preguiçoso prático. e eu já deixei um vinil no sol.


claro que posso comprar um microsystem novo pra sala, e botar o auxiliar e as caixas do 3-em-1 a trabalhar pro computador. ou instalar uns monitores bacanas e essa mesinha Mackie aqui, quando eu ficar rico com jardinagem. mas, enfim, esse não é um post que se resolva com tecnicidades.


enquanto isso, aperfeiçoa-se a técnica do EXTREME MOUSEWHEELIN'.



motivado por este prosaico post, olivia-google-reader-shared

como reflexão e conclusão à leitura deste post do O Primo, logo depois desse do Brigatti, e até esquinando nesse do Cardoso, me presto à seguinte conclusão pública:


eu não quero saber o que você me indica. o que você viu, ouviu, provou e gostou. cultura, mas provavelmente outras coisas também. produtos.


isso de uma maneira geral, claro, apontando pra um "você" misturado à turba de coelhos sorridentes, branquinhos, multiplicando-se ad eternum. é evidente que a opinião dos eleitos (amigos de gosto parecido/semi-estranhos inteligentes e razoáveis - cada um tem os seus) segue sendo uma das melhores maneiras de se filtrar o jigo do troio. principalmente em tempos de jornalismo cultural lobbista e asséptico. mas também está bastante claro que o hype, junto do senso comum, atinge níveis inimagináveis, e insuportáveis, de gritaria, esparro e ruído na sociedade em rede - onde não basta, simplesmente, parar de ouvir rádio FM ou ler jornalão/revistinha descolex.


por isso, não me diga o que você gostou. eu quero saber é do que você NÃO gostou. não aceito elogio sem machadada junto. se não tiver viés crítico, é melhor não dizer nada do que alimentar a BESTA.



ninguém faz outra coisa a não ser falar de tal filme há três meses? não vou ver. tal banda é o que há de mais incrível nos últimos anos e já vendeu x milhões de cópias? não ouço, tô fora. faço questão de não fazer parte disso. de não saber e não ventilar mais do mesmo. "ah, mas tem que conhecer pra poder criticar etc". desde quando? se tem gente aos borbotões elogiando sem ter consciência crítica, ou sem nem ter visto ou ouvido de qualquer modo o objeto em questão, porque eu não posso virar as costas pra o que eu sei que não me acrescenta nada - ao contrário, me rouba tempo, vida, paciência e pila?


Brigatti chama isso de ditadura do "legal, né?". é feio criticar, botar dedo na cara, até mesmo dizer quando é uma porcaria e não vale o hype artificial. aquela banda que recria o rock agora, de novo? "ah, mas é legal". tal filme com 200 milhas em marketing? "ah, é legal, deixa de ser pentelho" etc. legal? pergunta por quê, pra quem, e espera pra ver se tem mais de duas frases de justificativa. e se transbordam um PIR¹.



sabe, é preciso gostar menos das coisas. sério. se uma massa representativa na população do planeta levanta um polegar, desconfia. se levantar os dois polegares, melhor cortar as mãos antes de ser cooptado. não pode estar certo. claro - quem quiser pode viver na segurança do mundo pasteurizado, do louvor ao médio, daquele sentimento de pertencer social em cada comentário inócuo de disco, livro, novela, filme. como quem fala do tempo ou de doença. cada um faz o que lhe apraz.

mas a própria existência ganha meio mílimetro de profundidade a cada vez que se exerce a crítica. feroz, sem concessões fáceis. negar três vezes. esquecer tudo que se sabe a respeito do objeto e olhar a cena de fora; apontar o que surgir de ridículo, de acéfalo, de mal intencionado. sem constrangimento. a crítica não isola - é libertadora.

[sim, a liberdade, por sua vez, caminha com o isolamento. mas isso é outro papo.]



a massa acrítica engole e digere aquela que é crítica. reagir é chato, e muitas vezes é ser o chato. mas é isso, ou é raspar a cabeça, subir numa torre e metralhar transeuntes. o oposto da massa crítica é a misantropia, e se tudo continuar desse jeito, vou ser Urtigão, me fechar num fim de mundo e usar a garrucha contra qualquer um que se aproximar do meu portão.


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¹ no interior do RS, singular de "pires" é pir.
imagens: the original illustrated catalog of ACME products

"jardim da curiosidade"

"Ainda que investindo em uma sonoridade mais próxima do ambiental, Tiago parece enxergar e deixar enxergarmos além. Em nossa opinião, filia sua música não tanto a um estilo ou gênero, mas a um estado de experimentalismo caseiro que visa, e nos permite, evocação e curiosidade ao escutá-la."


all your gardening needs na seção Holofote da Trama Virtual.


mais incentivo pra fechar os olhos pro resto e investir mais no projeto. em breve.

the whole world smiles too

há uma semana atrás eu gritei no twitter que muito queria ver esse filme. até fiz post aqui no berê e tudo.

corta pra quinta, tiagón correspondência, um aviso del correos, dizendo que uma entrega tinha baleiado. coçando a sobrancelha e tentando lembrar se havia bebido por perto do cartão de crédito, ignorei. afinal, iam tentar no outro dia - e dar de cara na porta de novo, lógico, não tem porteiro, inclusive motivo pelo qual sempre uso o endereço profissional pra encomendas. ou seja, menos sentido no aviso do sedex. mas bueno, voltaria pra central dos correios, e depois um motoboy faria o serviço.

mas que hoje atípica sexta, dia de viver a liderança e aproveitar o breve, fugaz momento em que o futebol anestesia e resolve todos os problemas existenciais (dá ressaca), de inverno com sol e cerveja me esperando em casa, pude fugir mais cedo do trabalho. cedo a tempo de ver o carteiro buzinando algum interfone enquanto me aproximava do prédio. era pra mim, mesmo. "melhor que isso só com hora marcada", e eu até sorrio, porque, claro; valeu, caos.

subindo as escadas rasgando a lateral da caixinha de papelão com logo de loja de devedê que eu não conheço; na lateral, leio Poderosa Afrodite. penso de novo se não tinha comprado - afinal, eu olhei em diversos sites, sexta passada, enquanto me alimentava etilicamente - mas, cacete, eu sei que não!

desempacotando, fim do mistério: a (sem-graça da) loja mandou a nota junto.
e por sorte, eu conheço algumas identidades secretas dos super-heróis e heroínas por aí.


mighty


por isso hoje, graças à Viva, eu tenho mais um woody pra coleção ^^

e o meu segundo no top5 dos preferidos. oh my oh my oh my
pode ficar melhor que isso?
so a botecagem posterior na minha próxima flanada pelo Rio. beijão, Viva! :D


e agora com licença que tá começando.

denúncia!

este blog vem tornar pública uma DENÚNCIA contra o prefeito de Porto Alérgico, Sr. Fogazza de Queijo Cremily.


entra FANFARRA MARCIAL DE PÍFAROS FANHOS COM FAROFA DE ÔVO


embalagens de brinquedo Kinder c/ Ovo e Bacon estão sendo alteradas geneticamente para atender aos fins eleitoreiros da prefeitura! retiradas de seu hábitat natural, são hoje criadas em cativeiro, tratadas com hormônios, abatidas com crueldade, brutalmente aprisionadas à solda de concreto E obrigadas a alimentar-se de LIXO!

kinderlixo

este blog iniciará petição online para pôr fim ao abuso, maus tratos e tortura perpetrados pela desadministração pública.

~.~


uma variação mais agressiva deste post falava em democratização do kinder ovo. "prefeito leva o conceito de surpresa para as crianças de rua" etc.

~.~


já prevendo que este protesto, abaixo-assinado e ação popular sejam derrubados em gilmárica instância, Bereteando apóia o anarquista anônimo do protesto abaixo - colado numa daquelas caixas que abrigam centrais telefônicas elétricas (ou algo do tipo) ali na (ex-)esquina da OSPA.

chega de justiça!



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