Se eu tivesse uma banda de rock ela ia se chamar Morangos Tangos.

I, me & myself

Esse blog tá meio parado, mas esse escriba não tá sem escrever, não.
:>)

Volto ao OPS! falando de filmes e discos desconhecidos ainda nesta semana.

E estréio hoje na Amálgama, com... com... ér... textos, umas coisas velhas, umas coisas novas...

Botem nos favoritos, pow!

windows.jpg

Eu assisto todo tipo de filme.
Costumo gostar até de filme ruim e alguns até por serem especialmente ruins.

Que eu me lembre, filme ruim que eu não gostei por ser especialmente ruim, foi "O Sombra".
E também foi de arrepiar o que fizeram com o James West.

Aliás, pessoal pisa na bola com adaptações de seriados... tirando "Miami Vice", difícil achar boas adaptações.

Bom, eu assisto e tenho uma tendência a gostar de todo tipo de filme... Só tem um tipo de filme que eu não assisto de jeito nenhum: filme com o Billy Zane!

Você viu nos cadernos de cultura falando que Josh Rouse esteve no Brasil?

Conhece o cabra? Já ouviu?

Pô!

Acho difícil que alguém faça música pop mais interessante que ele atualmente.
Aqui vc baixa TUDO do rapazote, amigo de Renmero Rodriguez.

malandra.JPEG(Lia na nossa festa julina)

ADORA O PRIMO.JPEG(Prestes a beliscar o primo querido, Tomás, filho de Jennifer Aniston)

TRIO.JPEG(Isabelle, Dudu e Lia)

TRIO 2.JPEG(As meninas com Karen)

NO COLO DO PAI.JPEG(Com John Lennon)

COM FRIO.JPEG(Prestes a colocar a blusa, antes de ir para a escola)

De tanto martelarem que "esporte também é cultura", há tempos indissociável, nos meus pavlovianos ouvidos, do complemento "... Rede Globo de Televisão", acabei embirrando com o truísmo. Foi bom ouvir o mote pela primeira vez e por algum tempo, quando o esporte ainda parecia necessitar de uma "ação afirmativa". Depois, virou clichê. O esporte jamais deixará de ser uma manifestação cultural, mas é preciso não abusar do relativismo. Do contrário, acabaremos dando à natação o mesmo peso do cuspe em distância e a uma obra-prima do engenho criativo o mesmo status de um gol de placa.

A propósito das Olimpíadas.

Assim como eu, Sérgio Augusto não acha que corrida de carro seja, de fato, esporte.
E lista alguns poucos nomes de escritores, cientistas, ganhadores do Nobel que "foram e continuam sendo mais importantes que os campeões olímpicos Jesse Owens, Emil Zatopek e

Eu, particularmente, acho um desperdício de dinheiro e a tentativa de reafirmação de superioridades várias, quando não de certa empáfia nacionalista exacerbada que me dói os cornos.

Nada contra as práticas esportivas, mas ontem um cara enchia a cara e comia torresmo enquanto torcia (sic) pela Daiane dos Santos, essa garota que eu acho sensacional e que é mais cobrada do que deveria.

Apdeite: O grande misantropo branco também escreveu sobre o assunto, só vi depois. Saudades do Branco e do seu raciocínio inexorável.

eu e borges

Eu fui fissurado pelo Borges, nos anos 90. Em 99 fui a Buenos Aires para tomar umas xícaras de "te" nas imediações da mítica Florida, em El Caminito, procurar por ali alguma briga de canivetes. Nesse única viagem, logo na primeira noite, tomei um porre homérico num show de tango, entrei numa van com turistas americanos e tentei convencê-los que a tradução para Hyde Park Hotel, o hotel onde eu estava hospedado, era "Raio Que os Parta Hotel". Na ressaca, caiu minha ficha de que eu era mais histriônico e menos sardônico, mais Hunter Thompson que Jorge Luis e, ali mesmo, em Buenos Aires, desencanei do velho sério e erudito.

A literatura de Borges tem tanto humor quanto mulheres. Tem algum humor involuntário, alguma ironia profunda, algum sarcasmo literário mas quase nada que provoque gargalhadas.

Pessoalmente, porém, e quanto mais velho, Borges foi ficando mais solto, mais engraçado.

borges.JPEG

Lembro de uma das últimas entrevistas que Borges deu para a TV. Foi para Roberto Dávila, no programa da TV Manchete dirigido por Walter Salles. Borges estava todo torto, desconfortável num sofá, mas transbordava alegria. Quando perguntado sobre qual conselho o escritor daria às pessoas que quisessem se casar, Borges respondeu: "No!".
:>)

Tudo isso dito, confesso uma lacuna na literatura de Borges: "Seis Problemas para dom Isidro Parodi", escrito em parceria com o amigo Adolfo Bioy Casares sob a alcunha de H. Bustos Domecq. Comprei a nova edição da Globo, capinha feia, sem o nome de Domecq na capa - e estou rindo muito!

Colabora com essa graça, certamente, a nova tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro que atualiza gírias, faz o texto ficar mais moderno.

Eu fico imaginando o quanto Borges e Casares se divertiram imaginando esses "contos-policiais-ao-contrário". Para quem não sabe, "dom Isidro era dono de uma barbearia no bairro Sul e havia cometido a imprudência de alugar um quarto a um escrevente da delegacia 18, que já lhe devia um ano. Essa conjunção de circunstâncias adversas selou a sorte de Parodi: as declarações das testemunhas (que pertenciam à turma do Pata Santa) foram unânimes: o juiz o condenou a vinte e um anos de reclusão.". O preso acaba se transformando num investigador que resolve os crimes atrás das grades.

DOM ISIDRO.JPEG

Não tou nem na metade do volume, mas tinha que escrever isso, dar a dica. Quem acha Borges sério, pesado, difícil, pretensioso, bem podia começar por esse "Seis Problemas para dom Isidro Parodi", que traz também "Duas Fantasias Memoráveis" - que ainda não li.

1 - I Lost My Taste - Mendoza Line

2 - That's How People Grow Up - Morrissey

3 - I Keep Faith - Billy Bragg

4 - Midnight Man - Nick Cave

5 - Lucky Man - The Verve

6 - Sea Legs - The Shins

7 - Tonight I Have To Leave It - Shout Out Louds

8 - Supernatural Superserious - REM

9 - The Bitter End - Placebo

10 - Dream Catch Me - Newton Faulkner

Bom, eu não gostei do "Batman Begins", achei esquemático demais, aquela música tocando enquanto Waine era treinado pelo Qui-Gon Jinn tava mais para "Karatê Kid" do que para "o filme que eu esperava do Nolan". Havia ainda a espetacularização da coisa toda, com explosões demais, trama demais, duração demais, personagens demais. Sem contar que o Batman voa e todo mundo sabe que o Batman não voa.

Começo dizendo que não gostei que o segundo filme tenha se apropriado do nome da HQ do Miller, apenas para justificar a fotografia escura, o Coringa Sinistro e alguma tentativa de derrubar maniqueísmos construídos pela série. O filme podia bem chamar "Batman contra Coringa".

O Coringa do Ledger é muito bom, é a grande atração do filme mas... ele aparece menos do que eu esperava... a trama toda com a máfia e o duas caras se arrasta demais, faz o filme ter os mesmos defeitos do primeiro - embora este seja bem menos esquemático, mas ainda assim extremamente linear; parece que Nolan esqueceu tudo o que aplicou em "Amnésia" e, depois desse, passou a fazer filmes totalmente lineares e sem inventividade narrativa.

Muita coisa me incomodou no filme: o batom que o Bale usa como Batman, bem perceptivel já na primeira cena; a voz gutural forçada (o Batman não usa um modificador de voz, vai dizer?); a nova Rachel, Maggie Gyllenhaal, boa atriz mas sem apelo para atrair os protagonistas todos; uma certa canastronice do Gary Oldman e... alguns exageros, como a máquina de rastreamento de celulares para localizar o Coringa, os cabos de aço que derrubam o helicóptero ou mesmo a ação de Batman contra a Swat - um escarcéu que não chama a atenção do Coringa que está no andar de cima.

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O filme é bom? Leva o Batman para outro nível no cinema, com discussões interessantes que eu pude ter com minha filha, Isabelle, de 15 anos. Podia ser melhor, se fosse mais curto, se tivesse menos explosões, se os embates entre Batman e Coringa tivessem mais de "Asilo Arkhan" que de "A Piada Mortal", fossem mais verbais...

O Gravataí Merengue escreveu bom post sobre o filme - ele não morreu de amores.

Apdeite:

Boa matéria de Pedro Butcher na Folha, com o título "Realista e extremamente sério, Batman cai na redundância". Trechos:

O slogan do filme, retirado de uma frase do Coringa, se impõe como a pergunta que deve ser feita ao diretor Christopher Nolan: Why so serious??? (por que tanta seriedade???).
[o filme] é um filme-discurso, reiterativo, em que os personagens fazem questão de explicar seu papel. O próprio Coringa é cheio de frases que descrevem sua função dramática.

(Menos maluco e mais dramatúrgico, esse Coringa chega a ser lógico demais)

[...] Coringa se revela uma espécie de roteirista do "Você Decide", criando desfechos francamente demagógicos, como aquele com as duas barcas recheadas de explosivos.

No final, Butcher compara o filme a "Onde os Fracos não Têm Vez", que tem o vilão que atira moedas para decidir o destino de quem cruza seu caminho, como o Duas Caras. O filme dos Coen sim é caótico e assustador. O Coringa é fichinha perto do Javier Barden.