Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Amor é fogo que arde sem se ver, Luís Vaz de Camões.)
Palavras já tão conhecidas que qualquer um sabe dizer ao menos um verso. Aula de Literatura, meio-dia, muito sono; ouvir o professor falando de uma matéria que já sei não é algo que me deixa acordada.
Então ele falou do amor, de como os relacionamentos dão errado, dos defeitos que as pessoas vêem quando se tornam mais próximas. Tudo que eu conseguia fazer era sorrir. Coincidentemente, hoje fazemos um ano e três meses - sem brigas, sem intervalos, o que sempre causa surpresa nas pessoas.
O professor continuou falando de como as brigas surgem por motivos bobos: um olhar para o lado quando uma mulher passa já causa problemas; no nosso caso, eu riria e comentaria junto sobre suas curvas. Falou de amarras, citando o verso "É querer estar preso por vontade"; enquanto tudo que sinto é cada vez mais livre, cada vez voando mais alto.
Então paro e penso se somos nós que somos estranhos ou se todo o resto que complica tanto o que é estar com outra pessoa. Concluo sempre que é a segunda opção.

