março 2009 Archives

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Amor é fogo que arde sem se ver, Luís Vaz de Camões.)

Palavras já tão conhecidas que qualquer um sabe dizer ao menos um verso. Aula de Literatura, meio-dia, muito sono; ouvir o professor falando de uma matéria que já sei não é algo que me deixa acordada.

Então ele falou do amor, de como os relacionamentos dão errado, dos defeitos que as pessoas vêem quando se tornam mais próximas. Tudo que eu conseguia fazer era sorrir. Coincidentemente, hoje fazemos um ano e três meses - sem brigas, sem intervalos, o que sempre causa surpresa nas pessoas.

O professor continuou falando de como as brigas surgem por motivos bobos: um olhar para o lado quando uma mulher passa já causa problemas; no nosso caso, eu riria e comentaria junto sobre suas curvas. Falou de amarras, citando o verso "É querer estar preso por vontade"; enquanto tudo que sinto é cada vez mais livre, cada vez voando mais alto.

Então paro e penso se somos nós que somos estranhos ou se todo o resto que complica tanto o que é estar com outra pessoa. Concluo sempre que é a segunda opção.

comemorando.

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É estranho dizer que comemoro o aniversário de algo que eu nem sabia da existência há um ano, mas sim, faço festa, me emociono e brindo.

A chance que estou tendo, com dezessete anos, de participar de um grupo como este é única. A Verbeat se tornou uma casa, uma família, que sinto um orgulho extremo de fazer parte.

Choro hoje porque amo a todos; cada conversa, cada post, cada mesa de bar. Tudo que aprendo, tudo que me faz sorrir. Pessoas que fazem valer a pena.

Não vou agradecer, pois brigam comigo toda vez que faço. Então apenas deixo a certeza de que muitos anos mais virão.

Dando uma pausa no meu mundo de fantasias e sem sentido, preciso falar de algo real; muito. É um assunto que me engasga faz tempo, me transtorna e me faz querer sair correndo e mudando as coisas. Aqui é onde grito.

 

Faz alguns dias - alguma madrugada dessas, perdi a noção do tempo - que assisti Ônibus 174. Acabei não assistindo quando o filme lançou por ser muito nova, com dez anos ninguém me deixaria ver algo do gênero, e só agora ele caiu em minhas mãos.

 

Lembrava pouco do caso, mais uma vez por causa da minha idade, então não sabia muito bem o que esperar.

 

Fui pega de surpresa por uma realidade que pouco conheço. Ou, que apenas conheço pelo outro lado. Nasci em uma família que saiu do Rio de Janeiro por causa da violência, no final dos anos 80. Cresci em carros com janelas fechadas e vendo meu pai desconfiar do menor garoto que fosse.

 

Hoje percebo quão absurdo é tudo isso.

 

Chorei assistindo ao filme. Lágrimas irritadas por não conseguir pensar em nada que mudasse a situação. Me sentindo pequena, deitada em minha cama, enquanto outros estão lá fora.

 

É tanta coisa borbulhando em minha cabeça que mal consigo colocar de forma que faça sentido. Não vou tentar falar sobre algo que não sei, afinal, é apenas um desabafo.

 

Mas são em momentos como esse que tenho ainda mais certeza do que escolhi para a minha vida: mostrar para as pessoas aquilo que elas não vêem, ou, pior ainda, não querem ver.

 

Quero fazer algo, ainda não sei o quê. Começo, pelo menos, recomendando para que todos assistam.

 

Vou ver uma vez mais e quem sabe escrevo algo decente. Ou, chamo ele para me acompanhar e convenço-o de falar sobre. Afinal, ele que é meu professor comunista.