Atravessei a cortina do boxe, com seus peixinhos desenhados, e a porta do banheiro num desajeito de aprendiz. Arrastando os pés {flutuavam sobre a aura do carpete} me senti numa esteira rolante. A última imagem viva apagava-se da memória: o tufo de cabelos, Marina, amontoados no azulejo do boxe, imitando um Miró monocromático. Cheguei à sala. Marina? Miró? Mar... Mi... Os nomes escapavam de mim. Olhei através de minhas mãos para a janela fechada. Não via os contornos de meus dedos, nem de meu braço, mas sentia que estavam ali. Deslizei até a cozinha: a mulher de cabelos negros lavava pratos. Fechou a torneira, secou as mãos na saia e atendeu ao telefone:
— Alô... Oi, sim... Ele tá caído lá no boxe do banheiro. Impossível... É... Vou terminar de limpar a louça e depois eu telefono. Certo, beijinho...
A mulher abriu a torneira. Num repente, fui sugado pelo buraco a uma velocidade imensurável. As cores do buraco, listrado de azuis e vermelhos, não cambiavam, mas descreviam espirais hipnóticas. Ao fundo, eu podia ouvir o conjunto de batuques, vozes, gritos. Formavam a melodia mais bela e apavorante que tenho lembrança. Depois, agora, ainda, restaram o silêncio úmido e a queda interminável...
setembro 2007 Archives
ou chocam. A cena mais espetacular que já vi no cinema mostra Rebekah Del Rio cantando, num teatro, a capela, a canção Llorando (versão de Crying do animal Roy Orbison). Arrepiante. Fantástico. O filme é Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001) de David Lynch. Eu olhava boquiaberto para os poucos espectadores que assistiam à película em minha companhia. Estupefato era meu estado. Parecia uma apresentação ao vivo. Ver e ouvir aquilo tudo sendo despejado pelo telão foi momento raro. A cena me foi lembrada pelo meu primo e amigo multinacional Carl Inverno. Saudades, meu velho. Quem quiser abocanhar uma vaga idéia do poderio hediondo destes instantes cinematográficos, assista ao vídeo youtubeado clicando AQUI.
Aos cegos, prometo: um dia ainda picho em braile!
O que os outros pensam que sou é na verdade: um pseudo eu reinventado por uma personagem mal copiada de um simulacro real que interpreto como uma projeção de alguém que não existe mas anda por aí pelas ruas como qualquer outro.
O único cara que sabia tudo sobre a morte morreu ontem, antes de me dizer...
Deus é a soma de tudo, menos nada, multiplicada por onze na vigésima nona potência, mais dois infinitos na metade de meio átomo e algumas coisas que eu não conheço.
Minha vida é um papel secundário numa produção caseira de um filme pornográfico em que as cenas de sexo são feitas por um dublê.
Ass: Tarado Corno.
Pobres de espírito não pedem esmola, talvez...
Os lírios do campo não movem moinhos, nem a tua tia Jurema.
Exigimos tratamento psicológico aos fetos neuróticos já!
Qualquer indivíduo são que tenha o mínimo desejo sincero de tornar-se presidente de repúblicas ou afins é um cretino irrecuperável.
A imaginação é nossa lei, a ilusão nossa rainha, a perfeição eu não sei...
Eu quase compreendi tudo, mas o mensageiro morreu no meio do caminho.
Supercazzola prematurata come se fosse antani e terapia tapioca com escapellamento a destra o a sinistra.