Copa do Mundo - Bem... O Brasil sediando uma Copa mundial de ludopédio, sei não... Exigirá um esforço de Sísifo para interpretar as entrelinhas herméticas e os dados aparentes e escamoteados para saber quem vai sair ganhando com essa história. O torcedor, pagando bem, poderá xingar a mãe do árbitro ao vivo no meio da balbúrdia de arquibancada. Fora isso, sabe lá o que o público (marginal inato para o que importa) vai ganhar com isso; tá, uma alegria de instante, talvez. Não é espírito suíno, não. Preocupação legítima de outro marginal alienado.
A fome bateu? comam troféus, feito na ditadura.
Fila do SUS também grita Gol.
Terceiro mandato - É horrendo e nauseabundo testemunhar a discussão pública sobre um terceiro mandato para o presidente Lula. Figuras de renome cuspindo suas opiniões sobre o assunto e (pasmem, camaradas) jornais e revistas respeitados mancheteando o ridículo tema. Como se fosse algo a se pensar. Exigimos silêncio ensurdecedor e correto sobre tal acinte. Sabemos que as opções na próxima eleição, sejam quais forem, serão apavorantes, sabemos que vão-se as moscas, ficam os merdéis. Mas, fora uma nova Era Glacial ou a esquizofrenia, só o que nos resta é a Alternância Ilusionista de Poder.
outubro 2007 Archives
Tinha rios afluentes vermelhos no branco dos olhos
E veleiros pingos naufragando nas penínsulas de catarata
Tinha avisos de perigo por baixo das unhas negras
E um gosto de fruta nobre na esquálida mão do faminto
Tento aprisionar à inexistência
Todas as grades que invento
Que os ventos errantes
Carreguem meus anti-sentidos
Do profundo inconcebível
Limite que há em mim
Desejo esse olhar torto para cúmplice
Dos meus crimes ordinários
Veredas afora
E o contrário também ou me iludo
Busco as mesmas cores que pintam
Os dias doidos em que eu te vejo
Atiro meu grito onde acaba tudo
E aí rascunho um segundo infinito
Com a força nos dedos
E as saídas que invento
Desmaquinado
No sonho de ontem
Eu fugia de espelhos
Hoje – quase – quase lúcido
Rindo sozinho no chão suspenso
De um décimo quarto andar
Ainda pareço fugir
É pele indecisa
Sem guias, modelos
Ou mapas
Coisa séria ou nem tanto
Mergulha nos ares
De delirantes paisagens
Sem freios pro incerto
Fumando raras melodias
Onde talvez tudo Seja
Exista
ou Invente-se
Nos caros quilômetros
De vida encenada
Nos buracos de amor
Cavados no distúrbio dos dias
Onde nada o tudo que sonho.
Ainda que não tenhamos a inteligência, engenhosidade e genial iniciativa de nosso colega, aqui homenageado, nenhum de nós consegue conceber a vida sem a existência suprema do ovo. Com o auxílio do tempo, que vulgariza tudo, parece não haver restado o mínimo resquício de lembrança em nossas mentes de épocas anteriores ao inigualável invento. Seu formato perfeito que podemos admirar nos desenhos do projeto, expostos na sala Fecundus do Museu de Criação, atesta a competência do nosso staff de demiurgos. Sem dúvida nenhuma se não tivéssemos, ainda, o existir de tal aparato, certamente, teríamos de inventá-lo. Porém, que árdua tarefa seria, de provável impossibilidade.
Com o saudável hábito de manifestar sua existência nos tipos oligolécito, heterolécito, telolécito ou centrolécito, tal zigoto carrega na casca: a gema e seus lipídios; a clara, coagulável por aquecimento; a membrana; a calaza; o gérmen e afins. Não me estendo mais, amigos; depois ouviremos detalhada e brilhante palestra sobre o ovo, proferida por seu inventor. O tema da apresentação será "A Tecnologia do Ovo e seus Predicados". Eu, na pele de CEO (chief executive officer) de nossa tradicional empresa, só posso homenagear a sutileza majestosa de nosso funcionário, com lágrimas torrentes nos olhos. Louvemos em regozijo total e absoluto esta invenção que fez nossas ações catapultarem em crescimento vertiginoso, estagnando em patamar seguro e lucrativo. E é com imodesto júbilo e deleite que chamo ao palco o engenheiro e designer K.B.N., o nosso mais novo Homem do Milênio Original.
– Como você se enxerga? – Como um corte aberto coagulando, ou no espelho.
– Onde você imagina que estará daqui a cinco anos? – Num trem, de Paris a Barcelona, com a massagista ruiva acabando com meu corpinho.
– Qual a maior personalidade do século XX? – Minha amiga Julinha.
– Uma situação que tira você do sério, qual seria? – Um chute no meu saco.
– Lembra de algum sonho da noite passada? – Eu recebia um buquê de flores mortas do secretário presidencial e uma galinha caolha bicou meu pé.
– Quando vale a pena mentir? – Quando me perguntam se recordo de algum sonho da noite passada.
– O que levaria para uma ilha deserta? – Um isqueiro com recarga infinita.
– Você julga imaginar o significado da existência? – Um deles me é revelado ao comer o espaguete à puttanesca do Armando.
– O que acontece numa segunda-feira ideal? – É declarado o Feriado Eterno, fico em casa comendo beijando, era tudo sonho, reinam paz, amor, sabedoria e dinheiro no banco entre os povos.
– Alguma palavra para os nossos dois leitores? – Parem de ler agora!