Charles nunca fez isso

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Latidos de cachorro andaluz
Na brisa da noite sem lua cheia
Sonhos de trêbado na bodega de esquina
E preces decrépitas dum mendigo astigmata

Lupanares sujos abrigando singelas putas
E o garimpo eterno por menos piores aragens
Fervendo nas veias de um qualquer vampiro

O pesadelo que ninguém vê daquela menina ruiva
E o bocejo molenga de um garçom paraguaio
Silhueta insone de pássaro trapezista no fio de luz
Não percebe a liberdade da madrugada sem guia

Inexistem atalhos para a cama onde dorme Maria
E a distância é infinita por simples falta de amor

O sentido da vida piscando em néon vermelho
Na avenida Fantasma do andarilho tunante

Olhares vesgos de um idoso gato no meio-fio da calçada
Pro alvorecer iminente do dia onze atirado num mês quase frio

Desempregados despertam cismando esperança
E a padaria Genoveva ainda não abriu
Mas um cheiro de pão -- navega
Na rua Treze quase deserta.


PS - Postagem inaugural de EscárniOficina em novo endereço verbeatnik, optei por uns versos falcatrua de primavera. Gracias ao meu tocaio Casagrande pelos grandes serviços prestados.

2 comentários

bem vindo, amigo! o/

Gracias muchas, camarada..

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  • por Tiago Thomé

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