Latidos de cachorro andaluz
Na brisa da noite sem lua cheia
Sonhos de trêbado na bodega de esquina
E preces decrépitas dum mendigo astigmata
Lupanares sujos abrigando singelas putas
E o garimpo eterno por menos piores aragens
Fervendo nas veias de um qualquer vampiro
O pesadelo que ninguém vê daquela menina ruiva
E o bocejo molenga de um garçom paraguaio
Silhueta insone de pássaro trapezista no fio de luz
Não percebe a liberdade da madrugada sem guia
Inexistem atalhos para a cama onde dorme Maria
E a distância é infinita por simples falta de amor
O sentido da vida piscando em néon vermelho
Na avenida Fantasma do andarilho tunante
Olhares vesgos de um idoso gato no meio-fio da calçada
Pro alvorecer iminente do dia onze atirado num mês quase frio
Desempregados despertam cismando esperança
E a padaria Genoveva ainda não abriu
Mas um cheiro de pão -- navega
Na rua Treze quase deserta.
PS - Postagem inaugural de EscárniOficina em novo endereço verbeatnik, optei por uns versos falcatrua de primavera. Gracias ao meu tocaio Casagrande pelos grandes serviços prestados.
bem vindo, amigo! o/
Gracias muchas, camarada..