dezembro 2009 Archives

Regulamento individual para 2010 e além

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Art. 1º - Desneurotize automaticamente.

Art. 2º - Produza fontes alternativas de renda que neutralizem qualquer espécie de prostituição profissional.

Art. 3º - Cace o mosquito do empreendedorismo e exija ou compre ou, em último caso, implore genuflexo por uma picada na veia da testa.

Art. 4º - Beba, no mínimo, por baixo (bem baixo, baixo demais), uma garrafa de Chimay por mês.

Art. 5º - Amplie consideravelmente a fidelidade ao seu espírito idiota e bote fé no instinto primitivo.

Art. 6º - Esqueça a posição política da Alternância Ilusória de Poder e anule o voto nas eleições presidenciais.

Art. 7º - Aja muito sempre antes de pensar. Pare de sonhar e pratique. Mais atividade, menos contemplação. Mas, continue lendo este até o fim, faç' favor.

Art. 8º - Escreva, escreva, escreva e depois atire fora, na poubelle (piada interna/A.F.C.A.), o pior do menos ruim.

Art. 9º - Adquira um aparelho fotográfico decente.

Art. 10º - Viaje para o Morro das Pedras e fique por duas semanas, ao menos uma vez por ano.

Art. 11º - Transforme o alongamento do esqueleto num hábito.

Art. 12º - Não gaste todos os seus trocados em bala e chiclete (Nota pros dias burros: este é um artigo simbólico).

Art. 13º - Resfrie a mufa nos prazeres (sabe aqueles prazeres?, é, nesses, e naqueles outros também), se continuarem não querendo te levar pra dar voltas no carrossel.

Art. 14º - Leve uma cópia deste no bolsinho com zíper da carteira, já que os Órgãos de Fiscalização e Corregedoria são internos, desleixados e corruptos.

PS: Outros artigos relevantes poderão ser adicionados ao andar da carruagem cotidiana.

Eu não

| 4 comentários

Eu não quero habitar aquele apartamento brilhante
Onde um besouro ao entrar pela janela já cai morto no assoalho branco
Onde as aranhas se recusam a tricotar o aconchego mortífero das teias

Eu não consigo circular nessas rodas de inteligência rameira e pedante
Onde as bebidas secam de medo em canecos pós-modernistas
Onde a verdade é retilínea demais e a mentira não vale um bocejo

Eu não posso respirar nas higiênicas salas de reunião e escritórios
Onde a labuta cansa tanto todos de tanta falta de serventia
Onde os corredores têm complexo de labirinto sem saídas

Eu não tenho a bravura congênita pra suportar multidões ao redor
Onde os indivíduos miscigenam-se num monstro ensandecente e fascista
Onde a razão pro aglomerado humano geralmente não pode me convencer

Eu não, eu não.

Mas acontece que tudo isso no cotidiano me caça
Me morde, mastiga, me cospe
Esfrega no meu semblante que inevitável mascaro
O que eu já sei decorado e finjo não entender:

Eu não apareci no mundo sangrando e nojento dentre as pernas da mãe
Pra mascar sementes duras numa caverna sombria de montanha nenhuma.


  • Filosofias iconoclastas de boteco às quatro da manhã. Mitologias do século XXXIV, reportagens esdrúxulas e relatos fantásticos. Poesia falcatrua e texto experimental. Causos e lendas de regiões improváveis e receitas de autoajuda para tatuíras desesperadas...


  • por Tiago Thomé

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