<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">
    <title>Estrambolia</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/" />
    <link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/atom.xml" />
    <id>tag:verbeat.org,2009-02-17:/blogs/estrambolia//87</id>
    <updated>2009-09-13T23:40:15Z</updated>
    <subtitle>Estrambolia</subtitle>
    <generator uri="http://www.sixapart.com/movabletype/">Movable Type 4.24-en</generator>

<entry>
    <title>passagens de volta</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/09/passagens-de-volta.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.34598</id>

    <published>2009-09-13T23:20:48Z</published>
    <updated>2009-09-13T23:40:15Z</updated>

    <summary> (...) Larissa mal havia se ajeitado no sofá quando um gato pulou em seu colo. Olhou fundo pra ela e abriu a boca num miado longo. -- Que foi, gatinho? -- É gata -- respondeu uma menina sentada no...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="ficção" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<blockquote>
(...)

<p><br />
Larissa mal havia se ajeitado no sofá quando um gato pulou em seu colo. Olhou fundo pra ela e abriu a boca num miado longo.</p>

<p>-- Que foi, gatinho?<br />
	<br />
-- É gata -- respondeu uma menina sentada no outro sofá.</p>

<p>-- Ah.</p>

<p>Acariciava a gata quando Rebeca veio da cozinha trazendo uma lata de cerveja. Luiz e um sujeito barbudo fumavam na sacada. Um laptop na estante tocava AC/DC e a menina do outro sofá cantava baixinho trechos do refrão: <i>Who made who, who made you? Who made who, ain't nobody told you? Who turned the screw?</i> Parecia absorta na letra, fazendo Larissa pensar Que tipo de gente presta atenção em letras do AC/DC? Na mesa da copa anexa à sala, dois cabeludos e dois adolescentes que não pareciam ter mais de dezoito anos conversavam num tom que variava entre euforia e completo transtorno. Rebeca sentou ao lado da menina, falou da experiência de Larissa em Curitiba e logo as três também acrescentaram vozes ao burburinho da sala, despejando vivências de todos os lugares que lhes vinham à memória.</p>

<p>(...)</p>

<p><i>Mas logo abandonava a idéia porque se crianças eram devolvidas ao lugar de onde vinham porque suas mães não queriam ter as vidas muito alteradas, também não deviam ser pensadas como objetos de correção de algo que deu errado. E nesse ponto Larissa se perdia tentando entender por que caralho as pessoas tinham filhos. Enxergava mil motivos possíveis e nenhum parecia muito sólido. Ela mesma, quando mais nova, já havia pensado em um dia ter uma filha que talvez chamasse de Gabriela, que seria parte de uma família que pelo menos se esforçaria para ser funcional. Mas agora até Gabriela tinha sua coerência despedaçada e caía num poço niilista. E era nada mais que o produto biológico disso que Larissa via assim, meio de relance, como o passatempo favorito da humanidade e de tudo que vive no planeta: a reprodução, meudeus, essa folia, essa folia sem limites.</i></p>

<p>(...)</blockquote></p>

<p></p>

<p>[aos amigos que vêm perguntando sobre o trampo: trechos totalmente aleatórios e antagônicos de <i>A menina das passagens de volta</i>, a NOVELINHA REALISTA que estou escrevendo pra publicar junto com os contos no livro do ano que vem. tô me divertindo demais escrevendo isso. acho que é bom sinal.]</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>síntese de meu dezembro/2008</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/08/sintese-de-meu-dezembro2008.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.34376</id>

    <published>2009-08-27T01:59:44Z</published>
    <updated>2009-08-27T01:59:44Z</updated>

    <summary>Fosse eu viver com ela, morrer com ela ou viver sem ela, sabia que nada voltaria a ser como era antes. Preciso sair do Leith, sair da Escócia. Pra sempre. Agora mesmo, não apenas passar seis meses em Londres. As...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="epifania" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p><i>Fosse eu viver com ela, morrer com ela ou viver sem ela, sabia que nada voltaria a ser como era antes. Preciso sair do Leith, sair da Escócia. Pra sempre. Agora mesmo, não apenas passar seis meses em Londres. As limitações e a feiúra desse lugar tinham sido expostas pra mim, e eu nunca mais o veria com os mesmos olhos.</i> (Irvine Welsh, Trainspotting, coisetal)</p>

<p>Oi. Entendo.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>não-ensaio sobre blindness</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/08/nao-ensaio-sobre-blindness.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.34082</id>

    <published>2009-08-05T14:46:09Z</published>
    <updated>2009-08-05T14:46:09Z</updated>

    <summary>Filmar o Ensaio sobre a cegueira em inglês foi uma tough choice. Além da sensação de perda brutal de verossimilhança (e talvez aqui poderiam entrar umas teorias lingüísticas sobre a intimidade que uma obra tem com sua língua original, no...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="ficção" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Filmar o Ensaio sobre a cegueira em inglês foi uma tough choice. Além da sensação de perda brutal de verossimilhança (e talvez aqui poderiam entrar umas teorias lingüísticas sobre a intimidade que uma obra tem com sua língua original, no sentido de que a concepção e o resultado da mesma estão intimamente ligados à visão de mundo contida numa língua específica, mas deixa pra lá, eu mesmo vivo de tradução, quem sabe um dia, se voltar à academia, toco uma pesquisa sobre "Problemas de sustentação da verossimilhança no processo de tradução literária" ou algo que o valha), fica a sensação de falta de coesão nas atuações. A exigência do Saramago de ter uma cidade irreconhecível faz sentido, não localiza nem regionaliza a obra. Mas reunir atores de vários locais acabou tendo um efeito bem esquisito, como se não tivessem ensaiado o bastante cada cena pra que os detalhes pudessem aparecer como tempero pra massa do filme, como se não estivessem de fato contracenando. A impessoalidade da obra original não implica a ausência de intimidade. Pelo contrário. Não é só o leitor que passa a ver os personagens com uma lente especial. Os próprios cegos estão expostos a uma visão inédita de si e dos outros, do mundo. Há que se considerar o tamanho da produção, a concisão extrema do roteiro pra abarcar o máximo do enredo do livro num filme de duas horas (outra má escolha, algumas cenas de baita potencial pra exploração dramática ficaram não mais que sonsas) e o fato de ser uma história sobre cegos, o que dificulta a exploração de pontos de vista e possibilidades de interpretação. Mas ainda assim, poderiam ser melhor usados os caminhos abertos pelo elemento da cegueira. Num outro contexto de dificuldade de produção, Jarmusch transformou barreiras em tapete pro êxito. Lembro ter o lido comentar, em algum lugar, que como os recursos pra filmar Stranger Than Paradise eram escassos, o foco na força das atuações foi prioritário. Não há transições de cenas, a câmera quase sempre fica parada num único ponto e pega toda a ação dramática, o que fez os atores ensaiaram extensivamente cada cena pra que os detalhes pudessem se destacar conforme o esperado e ser a blue note da harmonia. O que faltou em Blindness foi justamente um tom, uma voz. Faltou alguém botar o dedo lá e dizer: ASSIM VEJO EU, pra matar essa aura de dramatização de caso policial causada pela escolha de cenas de pontos-chave da narrativa. Faltou o recorte, o Recorte, o RECORTE, bicho. É de recortes caprichados que se constrói uma boa narrativa. O filme chega ao fim e quase não percebemos um processo de perda de identidade dos personagens, praticamente não há transições. E do que mais trata a ficção senão das transformações que sofrem aquilo que entendemos como identidades, ahn?</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>edgar allan fucking poe, bitch</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/05/edgar-allan-fucking-poe-bitch.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.32999</id>

    <published>2009-05-24T01:40:24Z</published>
    <updated>2009-05-24T01:45:59Z</updated>

    <summary> Papai eterno....</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="literatura" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<center><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_allan_poe"><img src="http://11.media.tumblr.com/07hw13MU9nspkc4zPOFFoKnco1_500.jpg" title="" border="0"></a></center>

<p>Papai eterno.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>choose life</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/03/choose-life.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.32209</id>

    <published>2009-03-30T21:52:51Z</published>
    <updated>2009-03-30T21:54:51Z</updated>

    <summary>carros, cidades, luzes, noites, estradas, estados, ônibus, viagens, café da manhã, hotéis, livros, cerveja, escritores, cigarros, emails, conversas, outono, amor, amizade, espera, menininhas perfeitinhas, silêncio, palavras, ruído, paz, euforia, calmantes, solidão, pai, mãe, irmã, gatos coloridos, livros vermelhos, sorrisos, óculos,...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="diarinho" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>carros, cidades, luzes, noites, estradas, estados, ônibus, viagens, café da manhã, hotéis, livros, cerveja, escritores, cigarros, emails, conversas, outono, amor, amizade, espera, menininhas perfeitinhas, silêncio, palavras, ruído, paz, euforia, calmantes, solidão, pai, mãe, irmã, gatos coloridos, livros vermelhos, sorrisos, óculos, esperas em poltronas laranjas, estátuas, imagens religiosas, desenhos, filmes, bizarrice japonesa, contos, letras de música, trabalhos, clientes, prazos, planos, roteiros, estratégias de mercado, contatos, dívidas, financiamentos, cartão de crédito, juros bancários, negociações imobiliárias, crise econômica mundial, problemas & soluções, dias, meses, anos, ficar velho:</p>

<p><br />
<div style="text-align: center;">THIS IS LIFE AND I'M FUCKIN OK.</div></p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>hoje, um conto</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/03/hoje-um-conto-belas-tabuas.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.32020</id>

    <published>2009-03-20T15:19:12Z</published>
    <updated>2009-03-22T05:07:35Z</updated>

    <summary>BELAS TÁBUAS não durmo mais nas noites de inverno. desisti. meus pés gelam tanto que, quando prego o olho, sonho que estou sozinho e pelado no meio duma enorme concha branca revestida de gelo. não consigo andar. olho pra baixo...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="ficção" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<blockquote><strong><div style="text-align: right;">BELAS TÁBUAS</div></strong>

<p><br><br />
<br><br />
<br><br />
<br><br />
não durmo mais nas noites de inverno. desisti. meus pés gelam tanto que, quando prego o olho, sonho que estou sozinho e pelado no meio duma enorme concha branca revestida de gelo. não consigo andar. olho pra baixo e vejo que meus pés estão atolados no chão branco. não me desespero. sento pra pensar no que está acontecendo, mas minha cabeça é uma enorme concha branca e vazia. espero. durante muito tempo nada acontece. aí olho pra cima tenho a sensação de que o espaço ficou menor. tento ignorar, estou alucinando, deve ser esse frio, vou tentar dormir um pouco. não consigo, o jeito é aceitar: a concha está mesmo encolhendo. logo começo a sentir o teto tocando minha cabeça. devagarzinho vou penetrando uma massa sedosa. meus braços saboreados pelas paredes que vão me engolindo e me transformando em algo pálido, disforme e silencioso, suspenso no nada. algo que, se ainda fosse humano, talvez pensasse em acordar.</p>

<div align="center">* * *
</div>
faz uns vinte anos que nasci, mas não sei quando os sonhos começaram. só sei que desde então prefiro passar as noites em claro. é mais seguro. sempre me apavorou a idéia de acordar no meio da noite com os dedos congelados, só esperando a hora em que um moleque viria galopando na pira da pedra cemitério adentro, um único tropeção e ploc: lá se vão meus dedos.

<p><br>aí acabo dormindo durante o dia e os pés agradecem. acordo sempre perto das seis da tarde, quando o cemitério tá fechando. desço algumas ruas e dou voltas pelo calçadão. nessa hora a maioria das lanchonetes também tá fechando, não é difícil conseguir alguns restos de lanches com funcionários legais - e eles existem, pode acreditar. algumas lanchonetes chegam até a despejar lanches inteiros. sempre bem bons.</p>

<p>ontem acordei um pouco mais tarde, tava escuro e chovia de leve. saí atrás da comida. quando cheguei no calçadão, tudo fechado, menos as barracas de cerveja, onde nunca encontrei funcionários legais. era feriado. sentei na escada do teatro e fiquei lá pensando no que fazer. lembrei dos carrinhos de lanche do terminal.</p>

<p>duas quadras pra baixo e o terminal brilhava como sempre. sentei discreto na banqueta plástica de uma das barracas. não dá pra ficar pedindo comida antes do fim do expediente, saquei isso logo nas primeiras vezes que perambulei por lá. se nenhum lancheiro vai embora no meio da noite, esquece.</p>

<p>nessa hora, a fome ainda não tinha batido violenta e acabei me distraindo com uma das tevezinhas preto-e-branco que ficam ao lado de quase todo carrinho. era hora do jornal e os caras tavam falando de aquecimento global e os caraio, geleira derretendo, enchente e mais uns lances sobre o fim do mundo. babaquice. fiquei puto, esqueci da fome e saí fora. sem ter pra onde ir, acabei chegando na porta do cemitério, lógico. pulei o muro e voltei pra um dos túmulos preferidos. deitei olhando pro céu e fiquei acompanhando os pingos que desciam certeiros até bater no meu nariz. fiquei lá resmungando pra Ninguém ouvir. passou tempo suficiente pra eu parar de resmungar e lembrar da fome.</p>

<p>era tarde.</p>

<p>ouvi a voz da molecada que vê o cemitério como um lugar seguro e meio inspirador pra fumar. já não chovia mais. levantei e comecei a me aproximar devagar, iluminado o tempo todo pelas lâmpadas que ainda funcionam pra não assustar ninguém  alguns anos na rua são suficientes pra saber como pode ser perigoso o encontro das piras com o Desconhecido, ainda mais dentro de cemitério. mesmo assim, não me notaram. soltei um Opa seguido de um aceno com sorriso, simpatia total pra agradar a galera.</p>

<p>deles, o silêncio.</p>

<p>cheguei mais perto e disse que não queria incomodar mas tava com fome e queria saber se alguém ali não tinha uma larica pra me lançar, que não, eu não tinha chá pra inteirar e também não, não tava afim de dar uma bola, só queria mesmo morder alguma coisa porque não tinha comido o dia inteiro, só não contei que também tinha dormido o dia inteiro, o que funcionou, porque de dentro da bolsa de uma menina muito magra e simpática de cabelo vermelho e cacheado saiu um pacote de Doritos, uma barra de chocolate e água mineral com gás. Sentaí, véi, disse um dos meninos. sentei, comi com eles e fiquei ouvindo a conversa e as risadas.</p>

<p>meio que fiquei feliz.</p>

<p>aquela fumaça toda deve ter batido de alguma forma. quando foram embora, morguei. voltei pro túmulo, deitei na mesma posição de antes e, contrariando minha rotina noturna de inverno dos últimos anos, fechei o olho e dormi. e sonhei.</p>

<div align="center">* * *
</div>

<p>é um dia nublado, talvez quarta-feira, mas meus dedos estão aquecidos. zanzo pelo cemitério durante algum tempo até chegar à saída. quando boto os pés pra fora, começa a chuviscar. continuo andando. e quanto mais me afasto do cemitério, mais forte a chuva fica.</p>

<p>dessa vez vou pro sul da cidade. quando chego na barragem do Igapó, a chuva já tá debulhando tudo. encharcado, paro e observo as pessoas na beira do lago. ninguém nota o temporal. nos bancos que contornam o lago, jovens tomam água de coco sentados e chupam sorvete. um sujeito na ponte da barragem com um garoto que provavelmente é seu filho atira pedras na água e espera ansioso pra ver até onde as pedras chegam. um casal de japoneses faz caminhada na via de pedestres. um grupo de adolescentes tá sentado em cima de um lençol, fazendo piquenique com música de celular e rindo muito. um cachorro passeia entre as árvores da orla, chega perto de mim e coloca a língua pra fora. me olha um tempo, late e depois vai embora.</p>

<p>sento num dos bancos e suspiro. fico olhando pro lago, que é metralhado por uma rajada de pingos. não demora muito pra a transbordar. invade a via de pedestres, sobe a encosta arborizada e logo chega ao banco onde estou. não saio do lugar. primeiro vejo meus pés submersos. então me distraio com a vista da cidade: a água tomou conta de todo o centro. quando volto a olhar pra baixo, o lago já engoliu metade do meu corpo. respiro mais algumas vezes e então fico só com a cabeça pra fora da água.</p>

<p>é quando começo a flutuar.</p>

<p>sou levado pra cima junto com a água e vou subindo e olhando o mundo daqui de cima nas costas do lago que já não é mais lago mas alguma coisa maior - oceano? - e quando olho pra baixo a água é muito limpa e cristalina e dá pra ver que a cidade continua um organismo vivo indiferente ao dilúvio e adaptada ao novo ambiente e deve ser isso que chamam de evolução enquanto aqui em cima caralho o caos começa a crescer, certo que hoje morro, sempre desconfiei que não podia confiar em natureza, alá as nuvens pretejando trovões e vento quase me arrancando os olhos e eu arremessado de um lado pro outro junto com as ondas elas são tão grandes mas quebram tão fácil e caem só em cima de mim porque só eu tô aqui em cima e olhando por esse lado eu não pareço ser um sujeito de sorte.</p>

<p>me sinto só.</p>

<p>quando ouço trombetas sei que é hora de olhar pra cima. então vejo que uma das nuvens - a mais escura - tá se abrindo como uma enorme rosquinha de coco e de dentro dela começa a sair uma luz branca que vai me cegando mas mesmo assim consigo ver, todo ofuscado, que Ele vem descendo, flutuando com as mãos estendidas e sorrindo pra mim. me desespero, tento gritar mas então fico paralisado, a boca e os olhos tortos de agonia, mas Ele continua sorrindo, impassível ao meu sofrimento, intocado pela tempestade.</p>

<p>então me chama pelo nome. as trombetas param. meu rosto vira súplica, estou destravado mas não digo palavra e Ele mesmo assim responde que entende meu sofrimento e que sabe exatamente como é estar no meu lugar, mas que minha alma fora julgada justa e que isso tem um preço, que ele chama de Missão: construir a Arca e botar dentro dela tudo que for digno.</p>

<p>continuo calado, com a mesma cara, só quero sair daqui. e Ele segue em frente, começa a falar do livre arbítrio, que eu posso muito bem dizer não e que nesse caso, veja bem</p>

<p>EU ACEITO ACEITO ACEITO VÉI JÁ DEU, sério, só faz favor de me tirar daqui, te construo uma Arca com baita capricho, belas tábuas e tudo, mas vê se</p>

<p>minha voz some. grande paz no mar. e Ele volta a sorrir. se aproxima de mim, me pega em seus braços macios e me coloca deitado sobre o leito agora calmo do grande oceano. ajeita meus braços sobre meu peito, se inclina, me beija paternal na testa e volta a subir pra mesma direção de onde veio, acenando e sorrindo o tempo todo. as trombetas tocam de novo e o oceano começa a descer calmo, me depositando em cima do túmulo. meus olhos ficam fixos no céu e conforme Ele vai sumindo, tudo à minha volta começa a sumir também. o Vazio me conforta.</p>

<div align="center">* * *
</div>
acordo com o cheiro de flor velha do cemitério e penso que não dá mesmo pra dormir de noite, só rola sonho bizarro. sento no túmulo, coço a barba e olho pra cima. 

<p><br>reparo que é um dia nublado, talvez quarta-feira, mas meus dedos estão aquecidos. zanzo pelo cemitério durante algum tempo até chegar à saída. quando boto os pés pra fora, começa a chuviscar. continuo andando. e quanto mais me afasto do cemitério, mais forte a chuva fica.</blockquote></p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>bardos em palavras</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/03/bardos-em-palavras.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31915</id>

    <published>2009-03-16T03:32:19Z</published>
    <updated>2009-03-16T03:32:19Z</updated>

    <summary>Domingo à noite. Acordo depois de horas de sono surreal, torcicolo e sonhos esquisitos de cafeína e ganja, olho em volta e procuro um relógio pra saber as horas. Sento no pufe vermelho, inspiro e expiro, inspiro e expiro chamando...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="diarinho" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Domingo à noite. Acordo depois de horas de sono surreal, torcicolo e sonhos esquisitos de cafeína e ganja, olho em volta e procuro um relógio pra saber as horas. Sento no pufe vermelho, inspiro e expiro, inspiro e expiro chamando a consciência de volta ao corpo. Então levanto, taco fogo num Lucky, abro as cortinas, o vento invade o apartamento, acendo um incenso. Sou místico. Venho pro computador, boto Nadja pra tocar, abro um texto que venho compondo há duas semanas. Olho pra estátua do Buda na estante ao lado, o Buda olha pra mim. Sou religioso. Um aceno de cabeça reafirma a direção a que rumamos. Estralo os dedos e penso em voz alta, <i>hora de abrir as tumbas</i>. Então parentes mortos sacodem a poeira e invadem meu texto, se penduram nas linhas e se multiplicam fazendo uma enorme mandala de sonhos e impressões e memórias e sentido, sempre o sentido: sutil como fios de uma teia de aranha que cobrem cuidadosamente a capa d'O Livro da Neblina que atravessa, nesse exato momento, o canal do nascimento e sofre como devia sofrer, enquanto outros atravessam, também nesse exato momento, o canal da morte, sofrendo como deviam sofrer, <i>com o olhar paralisado enquanto a luz do quarto diminui e diminui até ser nada mais que uma fresta luminosa que muito estreita passa pra dentro daqueles olhos enormes e verdes e vazios e muito abertos, tão abertos que já não piscam mais.</i></p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>propósito</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/03/proposito.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31779</id>

    <published>2009-03-10T06:18:49Z</published>
    <updated>2009-03-10T06:18:49Z</updated>

    <summary>Três semanas de estudo e prática. Na terceira semana, volto a escrever, depois de um mês de férias literárias. E uma constatação: ao longo dos anos, escrever tem se tornado cada vez mais um exercício de concentração. Atenção pra pescar...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="literatura" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Três semanas de estudo e <a href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/dharma/">prática</a>. Na terceira semana, volto a <a href="http://tremabooks.org/autores.html">escrever</a>, depois de um mês de férias literárias. E uma constatação: ao longo dos anos, escrever tem se tornado cada vez mais um exercício de concentração. Atenção pra pescar as idéias que aparecem em estado bruto na mente, discernimento no momento em que nasce a escolha de usá-las, aplicação caprichosa da imaginação pra buscar novos ângulos. E então novamente a concentração ao atribuir símbolos pra depois trabalhar em formas, fazer escolhas narrativas conscientes. Em poucas palavras: um nível crescente de clareza a cada etapa do processo e um senso de satisfação ao ver trabalhos que vão se completando e cumprindo assim uma espécie de dever, não só comigo mas também com qualquer feliz leitor que possa, nessa década ou nas próximas, pousar os olhos nessas letrinhas que nascem a cada noite: esquisitas mas compostas com muita diligência. E concentração. Fica a dica.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>prática e sofrimento</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/02/pratica-e-sofrimento.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31516</id>

    <published>2009-02-23T21:19:01Z</published>
    <updated>2009-02-23T21:26:55Z</updated>

    <summary>Dzogchen Ponlop Rinpoche é o único Rinpoche que a gente conhece que tem e usa um Blackberry! Segue uma modesta transcrição de alguns trechos do Episódio 76 do Buddhist Geeks, que trata, dentre outras coisas, dos momentos em que o...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="dharma" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p><i>Dzogchen Ponlop Rinpoche é o único Rinpoche que a gente conhece que tem e usa um Blackberry! </i></p>

<p>Segue uma modesta transcrição de alguns trechos do <a href="http://personallifemedia.com/podcasts/236-buddhist-geeks/episodes/3774-rebirth-suffering-how-important">Episódio 76</a> do Buddhist Geeks, que trata, dentre outras coisas, dos momentos em que o sofrimento aparece de forma ampliada a aguçada na prática cotidiana. Palavras e sugestões de <a href="http://dpr.info/biography.htm">Dzogchen Ponlop Rinpoche</a>:</p>

<blockquote>The practice does not increase the suffering, but our experience of suffering, and our awareness of suffering becomes more naked. Really raw. Becomes so obvious and clear.

<p>(...)</p>

<p>If you keep sitting, and instead of looking at the pain, if you look at the experience of the pain, rather than focusing on the pain all the time, but focusing on the mind that experiences that pain, looking at the experience itself, that's really helpful in meditation. And also, when you do that, you're not denying the suffering, you're not denying the pain. But you're working with the pain in a different way.</p>

<p>(...)</p>

<p>But I think the most important thing is to study the view in that moment. And not to really push too hard; sometimes pushing doesn't help. Studying the view and seeing a bigger picture. It's much bigger than what you just see now. And then reality is much deeper than just suffering. </p>

<p>(...)</p>

<p>So we also have to remember the absolute view. I don't mean we deny the relative suffering by the absolute view, but having a good balance between relative and absolute: view and meditation. View and meditation go hand in hand. That's why we always say: "view, meditation and action".</p>

<p>And so, when you're having a hard time at the practice in that way, it's sometimes good to remeber the view, study it a little bit more, read more and get a little bit bigger picture. And try to understand that suffering more, rather than just sitting with the pain. Try to understand it with the view. And also try to penetrate that experience by meditation methods, as I mentioned earlier, <i>looking at the observer, rather than the observed object of suffering</i>.</p>

<p>(...)</p>

<p>Try to practice to be kind to yourself, to be patient with oneself. And to be soft. Not to be too hard on youself saying "<i>hey, you're the worst person in the world</i>", you know, "<i>all these bad habits, and all this pain and suffering</i>", but be more balanced between the view and meditation.</p>

<p>(...)</p>

<p>Buddhist Geeks: I guess I'm one of them!</blockquote></p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>romance empoeirado</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/02/romance-empoeirado.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31485</id>

    <published>2009-02-21T05:57:42Z</published>
    <updated>2009-02-21T06:12:50Z</updated>

    <summary>Ninguém sabe ao certo sabe qual é o nome verdadeiro de M. Agueiev. Teve quem afirmasse ser pseudônimo de Nabokov, o que me parece divertido, mas improvável. O que se sabe de fato é que o camarada russo escreveu, em...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="literatura" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Ninguém sabe ao certo sabe qual é o nome verdadeiro de M. Agueiev. Teve quem afirmasse ser pseudônimo de Nabokov, o que me parece divertido, mas improvável. O que se sabe de fato é que o camarada russo escreveu, em algum momento do século passado, um dos romances mais afudê que li nos últimos tempos: Romance com Cocaína.</p>

<p>Ambientado na Moscou dos anos vinte, começo do processo revolucionário, narra o período de perda da inocência do pós-adolescente Vadim Maslennikov: começa na vivência escolar, passa pras caças por sexo nas ruas de Moscou, chega ao amor, mergulha gostoso no vício e, finalmente, tece reflexões sobre esse período e o conseqüente paralelismo com o mundo externo, com as relações humanas, envolvendo noções constantes de ascensão e queda, euforia e depressão, domesticação e subseqüente bestialidade.</p>

<p>Pensando em temática, ritmo e construção de elementos de subtexto, é impossível não fazer conexões com Salinger, principalmente em Catcher in the Rye. Mas achei superior: riqueza das metáforas, digressões fabulosamente arranjadas, referências éticas e sociais, inserções poéticas jogadas em tom pretenso a cru. Visão de mundo codificada com maestria em literatura.</p>

<p>Usando alternadas vozes pra contar a epopéia, elipses bem colocadas e uma progressão narrativa que, embora linear, usa uma estrutura bem-sucedida de colagens - obviamente inovadora pra o período em que a obra foi escrita -, Agueiev me fez ler o romance inteiro sem despregar o traseiro do sofá, por mais dolorosas que tenham sido algumas passagens. Mas nada que uma pausa pra respirar não resolvesse.</p>

<blockquote>O homem vive pois, não dos fatos do mundo que o rodeia, mas das reflexões desses fatos na sua consciência.</blockquote>

<p><i>How true</i>!, resmungo repetidas vezes. E rabisco o livro inteiro, sublinhando passagem atrás de passagem, pensando que daqui posso tirar inúmeras epígrafes - e provavelmente o farei.</p>

<p>A obra foi publicada na França em 1934, mas só ganhou atenção nos anos oitenta. Não fosse o título e a violência temática de algumas passagens, já teria entrado definitivamente pro rol dos cânones. De minha parte, pelo menos, já ocupa lugar de destaque no topo da prateleira: CRÁSSICO RUSSKY.</p>

<p>E na cabeça, o lembrete: reler quantas vezes possível, assim como me aconteceu quando, aos 16 anos, peguei o primeiro Borges na mão. Nunca mais fui o mesmo.<br />
</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>tamo enlouquecendo geral por causa de maus hábitos?</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/02/tamo-enlouquecendo-geral-por-causa-de-maus-habitos.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31483</id>

    <published>2009-02-20T20:06:02Z</published>
    <updated>2009-02-20T20:08:47Z</updated>

    <summary>Esse artigo da New Scientist confirma uma idéia que há um bom tempo vem marcando presença na minha cabeça: problemas de sono podem ser a causa e não o sintoma de distúrbios psiquiátricos. &quot;Era muito fácil dizer sobre um paciente:...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="partilha" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Esse <a href="http://www.newscientist.com/article/mg20126962.100-are-bad-sleeping-habits-driving-us-mad.html">artigo</a> da New Scientist confirma uma idéia que há um bom tempo vem marcando presença na minha cabeça: problemas de sono podem ser a causa e não o sintoma de distúrbios psiquiátricos.</p>

<blockquote>"Era muito fácil dizer sobre um paciente: Bem, ele sofre de depressão ou esquizofrenia, é normal que não durma bem - e nunca questionar se poderia haver uma relação causal no sentido inverso", diz Robert Stickgold, pesquisador do sono na Universidade de Harvard. Mesmo quando estudos apontavam em tal direção, os resultados eram quase sempre subestimados, ele comenta.</blockquote>

<p>Sobre bipolaridade, o artigo diz que sono desregulado pode ser a causa de muitos picos eufóricos - e aqui concordo plenamente. Os períodos insones ocorrem simultaneamente a SEMANAS de euforia. No geral, a resposta fácil é: o paciente não dorme bem porque <i>está acelerado</i>. Dá pra inverter isso: o paciente está acelerado porque dorme mal.</p>

<p>Faz total sentido pra mim. E aqui alguém comenta: mas os distúrbios de sono também têm sua causa. Concordo. E acrescento: sono desregulado é, na maioria das vezes, descuido do próprio paciente. Seja negligenciando a medicação ou se submetendo a períodos prolongados de ansiedade e outras perturbações mesmo tendo consciência da própria doença.</p>

<p>Quer manter a sanidade? Tenta começar a dormir direito que tudo fica mais fácil.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>mangá pra homem</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/02/manga-pra-homem.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31470</id>

    <published>2009-02-20T02:09:25Z</published>
    <updated>2009-02-20T02:12:40Z</updated>

    <summary>É improvável, mas pode ter acontecido de você ter visitado a seção de mangá de uma loja de quadrinhos ou de uma banca de revistas. Caso isso tenha acontecido, não é tão improvável que você tenha visto um ou dois...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="nerdice" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>É improvável, mas pode ter acontecido de você ter visitado a seção de mangá de uma loja de quadrinhos ou de uma banca de revistas. Caso isso tenha acontecido, não é tão improvável que você tenha visto um ou dois ou três voluminhos de Homunculus, perdido no meio de infinitas séries com capas desanimadoras e temática assim, adolescente. Mais provável ainda é que o Homunculus tenha passado desapercebido. E se você tivesse perguntado pro dono da loja se o trabalho é bom, ele responderia que não sabe, nunca leu, não conhece ninguém que leu.</p>

<p>Não é? Claro que é. Aconteceu comigo. Mas me faça o favor de começar a ler Homunculus depois de ler isto:</p>

<p><br />
<center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3509/3293524367_9ea2af3ffa_o.jpg" title="Homunculus 4" border="0"></center></p>

<p><br />
Susumu Nakoshi é um desempregado que passa os dias no meio de mendigos que habitam um parque em frente a um hotel luxuoso. Dorme dentro do carro, sofre de mitomania e inventa um passado diferente a cada resposta que dá sobre quem é. Então aparece Manabu Ito, um estudante de medicina rico e todo exquiso que lhe propõe passar pelo procedimento de trepanação - uma operação experimental que implica fazer um furo no crânio do sujeito pra ver o que acontece. Espera-se que isso libere a válvula do que se entende por sexto-sentido por meio de alterações na pressão intracraniana.</p>

<p>É então que cousas começam a acontecer. E Nakoshi embarca, junto com Ito, numa viaggi pelas descobertas que seu crânio recém-perfurado lhe proporciona. O leitor vai junto e começa a cair num labirinto de temáticas como medicina experimental, psiquiatria, psicanálise e outras diversões. Tudo aparece em sucessivas bizarrices que envolvem conflitos de identidade, passados traumáticos, dilemas morais e distúrbios comportamentais na sociedade japonesa contemporânea. O problema básico apresentado é o molde de educação conforme rígidos manuais de boa conduta. Exemplos ocidentais não faltam, da queima de igrejas na Noruega aos massacres adolescentes de arma de fogo seguidos de suicídio.</p>

<p>Esse tipo de trabalho geralmente não vende e não é traduzido no Brasil, já que nossos leitores têm maioria de público adolescente e o Homunculus é escrito pra adulto e pra macho. Então, se você tem essas características - mesmo que de forma dissimulada ou subjetiva - comece a acompanhar a série hoje mesmo. Tem seis anos e nove volumes: dá pra seguir em tempo real.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

<entry>
    <title>jesus em londrina</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/2009/02/jesus-em-londrina.html" />
    <id>tag:verbeat.org,2009:/blogs/estrambolia//87.31445</id>

    <published>2009-02-19T00:34:01Z</published>
    <updated>2009-02-19T00:43:47Z</updated>

    <summary>Caro leitor, Eis a mais pura Verdade: Acabo de passar na Feira da Lua pra comer batata recheada. Quando estava vindo embora, fui abordado por um grupo de senhoras loiras que me estenderam um folheto e me informaram que Jesus...</summary>
    <author>
        <name>abner dmitruk</name>
        <uri>http://verbeat.org/blogs/estrambolia</uri>
    </author>
    
        <category term="mondobizarro" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://verbeat.org/blogs/estrambolia/">
        <![CDATA[<p>Caro leitor,</p>

<p>Eis a mais pura Verdade:<br />
 <br />
Acabo de passar na Feira da Lua pra comer batata recheada. Quando estava vindo embora, fui abordado por um grupo de senhoras loiras que me estenderam um folheto e me informaram que Jesus Cristo Homem já está entre nós. E que seu nome é José Luis de Jesus Miranda.</p>

<p>Bem ao centro do folheto, em letras grandes: "666". Então as senhoras mostraram seus <a href="http://wapa.tv/vervideo.php?nid=20090214183639&sec=menu1">BRAÇOS TATUADOS</a> com o número 666 e com a sigla SSS. Achei meigo.</p>

<p>E uma foto de José Luis. Mui bem vestido, cabelo cortado e bem penteado, um sorriso vencedor no rosto. Dois dedos da mão direita tocam a testa. À direita, o folheto informa o horário e a estação de rádio AM que transmite o Programa de Jesus.</p>

<p>Um segundo folheto debulha o catolicismo, o celibato e o papa. O título: "Celibato, Doutrina de Demônios".</p>

<p>Agradeci com um sorriso, meio sem saber se estava mesmo acordado ou delirando por causa da batata recheada, nunca se sabe, já tive severas VISÕES por causa de coisas comidas no centro da cidade.</p>

<p>Isso é Londrina,<br />
Isso é a América Latina,<br />
Isso é a Internet.</p>

<p>Isso é Estrambolia.</p>

<p>Olá.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

</feed>
