Amazônia - vista aérea 

Dia 05 de setembro, próxima 6a feira, é comemorado o dia da Amazônia, e nós aqui do Faça a sua parte, estaremos reunindo os posts dos blogs que quiserem entrar na discussão sobre o tema. A nossa florestona querida vem enfrentando vários tipos de problemas e o foco das discussões nos diferentes blogs provavelmente será variado. Prato cheio para uma boa troca de idéias e conhecimentos.

O convite está aí: os que quiserem, sintam-se à vontade para participar conosco do dia da Amazônia! :)


Para se inscrever e ver a lista de participantes clique abaixo no "Mister Linky" :

O ministro do Meio Ambiente está no cargo há 100 dias e nesse período já provocou muita polêmica. O Greenpeace fez uma lista com os pontos positivos e negativos da gestão do substituto de Marina Silva na pasta. Dá pra perceber que, até aqui, Minc deu mais bolas foras do que dentro...

LUZES

* Decreto de Crimes Ambientais;
* Criação do Fundo Amazônico para pagamento de serviços ambientais;
* Apoio à Moratória da Soja;
* Apreensão dos "bois piratas" em Unidades de Conservação;
* Fiscalização dos danos ambientais das usinas de cana em Pernambuco;
* Pacto da Madeira Legal assinado com a Aimex e a FIESP;
* Decisão no sentido de priorizar a implantação de Unidades de Conservação já criadas.

SOMBRAS

* Revisão do Decreto de Crimes Ambientais;
* Acordo para modificação do Código Florestal para permitir o plantio de exóticas na reserva legal;
* Licença para a construção de Angra 3;
* Licença para o asfaltamento da BR-319, sem o estabelecimento de medidas de proteção à floresta e avaliação da alternativa da ferrovia;
* Licença para o plantio de cana no Pantanal;
* Adiamento da vigência da Resolução do Conama que estabelece a redução do teor de enxofre no diesel;
* Anúncio de que o MMA não priorizará a criação de novas Unidades de Conservação;
* Submissão do Ibama às diretrizes de implantação do PAC;
* Desprezo pela ação coordenada entre o MMA e os demais Ministérios na execução do Plano de Ação de Combate ao Desmatamento;
* Aceitação da ingerência do Ministro Mangabeira Unger na formulação da política ambiental, com a defesa explícita da necessidade de se limitar a proteção ambiental no país.

Li com atraso no World Changing que a revista Canadian Geographic aceitou um desafio supimpa: fez sua edição de junho com 60% de papel feito a partir de trigo. Aparentemente, os leitores não notaram a diferença, e a sensação do papel era a mesma do papel feito com a celulose do eucalipto.

A idéia de fazer papel a partir de trigo é extremamente interessante, a meu ver. Por 2 motivos: 1) utiliza-se o "galhinho" do trigo que é normalmente jogado fora pelos produtores - que aproveitam apenas o grão para suas vendas - dando portanto função a um "lixo" agrícola; 2) tira um pouco da pressão enorme que a monocultura tenebrosa plantação de eucalipto gera no ambiente [link via GReader do Tiagón].

Eu cresci no Espírito Santo, um dos maiores produtores de celulose do país (devido à presença da Aracruz Cellulose, talvez a empresa mais greenwashed que já vi). Nos quase 20 anos que vivi por lá, entre incontáveis descargas poluentes que a indústria liberava na calada da noite (o cheiro podre chegava na minha casa com frequência), muitas modificações no ambiente (e em outras "cositas") decorreram da produção em demasia de celulose do eucalipto. Eu ainda era criança, mas lembro do biólogo Augusto Ruschi dizendo nos jornais que o estado sofreria um grave problema hídrico se as plantações de eucalipto continuassem no ritmo que estavam - Ruschi já morreu, mas suas "previsões" foram acertadas: o Espírito Santo hoje tem uma área de 220 mil hectares considerada "deserto verde" (e crescendo...), onde só há eucalipto, lençóis freáticos secam a uma velocidade estarrecedora e o abastecimento de água é problemático.

Dado o gigantesco impacto que o eucalipto produz no ambiente, a notícia de reutilização de um subproduto do trigo para produzir papel é, a meu ver, muito esperançosa. Claro, melhor seria se economizássemos papel, ponto. Mas como na vida real a burrocracia humanidade em geral ainda insiste em existir no papel, tudo que posso dizer é: tomara que as dificuldades técnicas ainda existentes a produção via trigo sejam superadas, que se torne logo economicamente mais viável usar o trigo para fazer papel, e que em breve toda vez que a gente precisar usar papel, este seja de preferência com uma tecnologia mais ecoconsciente como esse de trigo parece ser, para aliviar um pouco o avanço desastroso do eucalipto pelo planeta.



A Toshiba exibe os mais recentes avanços de produtos e tecnologias ecologicamente conscientes na IFA 2008, em Berlim, Alemanha,até o dia 3 de setembro.


A Toshiba publicou a sua Visão Ambiental 2050, em novembro de 2007 e está promovendo vários programas, como melhorar o valor e a co-eficiência dos seus produtos e processos de negócios e reduzir o dióxido de carbono emitido pelos grupos de produtos Toshiba no equivalente a 117,7 milhões de toneladas por ano no ano fiscal de 2025 comparado com o ano fiscal de 2000.


Entre os produtos com tecnologias ecologicamente conscientes, a Toshiba apresenta a TV LCD, um modelo de baixo impacto ambiental , o 42XV515D, qom um controle avançado de brilho do monitor que reduz o número de iluminação contra-luz e pesa 19% menos que o modelo equivalente de 2006, o que reduz as emissões de CO2 em 173 g por dia, comparado com o modelo de 2005.

A Toshiba exibe também o modelo futurístico que integra um novo painel para conter o consumo de energia em 20% ,comparado ao modelo 42XV515D de 2008, equivalente à redução das emissões de CO2 de 216 g por dia, comparado com o modelo de 2005.


A Toshiba exibe também , a tecnologia da iluminação LED, que transforma diretamente energia elétrica em energia óptica e pode reduzir as emissões de CO2 sem nenhuma perda no desempenho ou brilho. Estas lâmpadas, E-CORE 60, possuem uma vida útil de 40.000 horas e consomem apenas um sexto da energia equivalente a uma lâmpada incandescente, reduzindo, assim, o impacto ambiental.


Outra novidade são os notebooks da marca "Excellent ECP" , série Portégé R500 , o modelo mais leve do mundo, na categoria de notebook com widescreen de 12,1 polegadas, a partir de 5 de junho de 2007. Sua tecnologia aumenta a eficiência e corta as emissões de CO2 em 69 g por dia, comparado com o modelo dynabook 2650 de 2000 . Também têm um gabinete feito com material que oferece resistência e durabilidade e duração da vida útil da bateria de até 7,5 horas.

Uma outra novidade é a SCiB, bateria de íons com supercarga, que recarrega até 90% da capacidade em menos de cinco minutos, e possui uma vida útil de mais de seis mil ciclos de carga-descarga, mesmo quando sujeitas a carga rápida.


Tomara que outras empresas tomem também esta iniciativa que visem a proteger o ambiente e não apenas a lucro desenfreado e irresponsável.


Uma dica para quem quer negociar seus recicláveis: vender, trocar, doar  materiais ou até mesmo pedir doações, está neste site: setor reciclagem.com.br , um site de comunicação especializado em reciclagem para empresários, empreendedores e pesquisadores do ramo. Lá você pode deixar seu anúncio na Bolsa de Resíduos e consultar as ofertas que estão publicadas. Por exemplo, se você deseja doar materiais ou aceitar doação de recicláveis, basta clicar neste link e fazer o seu anúncio.

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Coming soon... from Greenpeace on Vimeo.

O Rainbow Warrior vai navegar entre setembro e dezembro deste ano pelo Mar Mediterrâneo em campanha contra a queima de carvão para a produção de energia. A ele se juntará o Artic Sunrise, outro barco do Greenpeace. O carvão é a principal fonte de energia da Europa e responsável direto pelo aquecimento global. A expedição tem como objetivo fazer campanha para que o mundo deixe de usar essa fonte energética altamente poluidora e invista na Revolução Energética que tem como base soluções mais baratas e limpas como eólica, geotérmica e solar, entre outras.

Por falar em geotermia, o pessoal do Google pretende investir US$ 10 milhões para produzir esse tipo de energia. Na página da divisão filantrópica do grupo, o Google.org, há detalhes do projeto, que tem enorme potencial. Na Islândia, por exemplo, a energia geotérmica garante 30% da eletricidade do país e 90% do aquecimento das casas e da água das residências.

Ok, a Islândia é um país micro com demanda por energia infinitamente menor do que os Estados Unidos ou Brasil, mas a geotermia tem potencial para providenciar eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana, a um preço mais baixo do que o do carvão - e sem os problemas ambientais deste. E está disponível em praticamente todas as regiões do planeta. Saca só o tamanho do recurso geotérmico disponível nos Estados Unidos.

Muito boa a dica que Rodrigo Barba deixou na Rede Ecoblogs: garrafas pet iluminando residências! É realmente uma idéia e tanto! Cada garrafa iluminada corresponde a 40 -60 watts, de acordo com um engenheiro elétrico que mediu a intensidade da "lâmpada-garrafa". Sensacional!

Confira o vídeo:




Enquanto isto, no Rio de Janeiro, a Prefeitura tenciona instalar ar-condicionado nas escolas, critica indignada, Silvia Schiros, aqui no Faça a sua parte . É um desperdício de energia sem tamanho, além de uma despesa desnecessária que poderia estar sendo utilizada para algo mais pertinente à Educação.


Quando eu me dirigia ao Espaço Gafanhoto, para ir ao LuluzinhaCamp, no sábado, pela manhã, observei que vários funcionários lavavam a entrada dos edifícios com uma mangueira de água que mais parecia aquelas de lava-jato, tamanha era a força com que jorravam. E um gasto de água desnecessário, pois estava chovendo e não havia necessidade de se lavar para a lama voltar. Alguns baldes de água já resolveriam o problema.


O mais revoltante foi eu ouvir do motorista de táxi, também indignado com a situação, que, ao interpelar um desses funcionários sobre o desperdício de água, ouviu a seguinte resposta: "Tem problema não! O patrão é rico, se acabar a água ele compra umas pipas." É de arrepiar.

E tem mais uma coisa:as pessoas não se dão conta de que a água que utilizam para lavar calçadas e carros é tratada, clorada, limpa! Água que deveria ser usada para beber e não para ser desperdiçada desta maneira! Lástima.


O Greenpeace está no meio da floresta amazônica para transmitir ao vivo a destruição da região. Vai ser hoje, pelo site do grupo ambiental, a partir das 12h30. E às 17 horas haverá um bate-papo no portal Terra com Márcio Astrini, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Na página Queimadas na Amazônia, há fotos, vídeos e mapas da destruição da floresta. Em janeiro deste ano, havia 511 focos de incêndio na mata. Em julho, esse número pulou para 2.414! Não à toa quase 20% da Amazônia já virou lenda...

E o julgamento pelo STF da demarcação das terras indígenas de Raposa Serra do Sol também está sendo transmitido ao vivo lá no portal Terra - em vídeo e por texto. Começou às 9 horas e deve rolar o dia inteiro.

Notícia de hoje.

Enquanto isso, os professores continuam não sendo devidamente valorizados, outras obras de infraestrutura básica ou reforma deixam de ser feitas e o meio ambiente... Ah, quem se preocupa com isso? Gastos com obras para instalação, aumento do consumo de energia elétrica, despesas com manutenção. Por que as pessoas não aceitam que menos é mais hoje em dia? Além disso, sistemas de ar-condicionado são grandes disseminadores de doenças. Qual o bem que se faz para as crianças?

Se é difícil para os governos verem questões básicas relacionadas ao meio ambiente, que dirá para os cidadãos comuns. O governo deveria dar o exemplo, estimular práticas mais corretas, até mesmo através de incentivos fiscais. Enquanto isso, o exemplo que dá é mostrar que ar-condicionado é mais importante do que educação. Se o povo não tem pão, dê-lhe brioches!

De acordo com nosso calendário verde, hoje, 27 de agosto, é o dia da Limpeza Urbana. O Allan foi muito feliz em postar anteontem sobre a situação de Nápoles, porque sinceramente quando ouço falar em limpeza urbana, é para lá que minha cabeça viaja triste, devido a situação escalafobética que virou a coleta de lixo urbano em tal encanto turístico. Para entender melhor o vergonhoso caso todo, recomendo ler o outro post dele.

Mas eu moro numa cidade que também deixa muito a desejar em questões de limpeza urbana. Apesar da lei do Kassab para retirar todos os outdoors e propagandas das ruas ter feito sucesso pelo mundo - poluição visual também é poluição, afinal - é pouco ainda, se comparado com a sujeira geral que vemos ao andar por aí.

Das questões de limpeza urbana na cidade, acho que a que mais me incomoda é até menor, mas uma velha conhecida de todos: a limpeza de calçadas com água. Minha vizinha faz isso e não adianta reclamar, porque na cabeça dela, só jogando baldes de água/mangueiradas você consegue tirar toda a sujeira que uma árvore faz - pois é, ela também acha que folhas de árvore que caem são "sujeiras", para meu desespero. É uma situação que me toca especialmente, porque penso: "Se não consigo educar meu vizinho, como faremos para melhorar a cidade toda?" Há um quê de reveladora impotência nessa situação que me incomoda. Mas, apesar de tudo, eu falo, comento, embora tenha a nítida noção de que cai no vazio. Uma porta falando talvez fosse mais eficiente.

Para quem não sabe, há um calendário de varrição das ruas da cidade. Se funciona? Eu particularmente nunca vi na minha ruazinha, mas imagino que deva funcionar nas ruas e avenidas maiores.

Mas mesmo se a prefeitura não varresse, qual a dificuldade em usar uma vassoura? Água é um bem tão precioso, por que gastar limpando a rua? Por que as pessoas acham que varrer com vassoura é "menos limpante" que com água?

São questões que eu me levanto agora, ao som da irritante mangueira d'água da vizinha. Vocês têm a resposta?

Escrevi sobre a emergência do lixo em Nápoles aqui e ali. Após algumas medidas e muita polêmica, achei que era hora de atualizar a informação.

A verdade é que o problema é antigo, com mais de 14 anos, que virou uma emergência há cinco. Sempre foi objeto das campanhas políticas locais. Sob os holofotes de Bruxelas, virou promessa da campanha deste ano, que elegeu Silvio Berlusconi como primeiro-ministro. O problema realmente ficou sério, com escolas fechadas e um delegado que temia uma revolta popular. E tudo indicava que a história acabaria mal.

A primeira reunião ministerial do novo governo, aconteceu em Nápoles, onde Berlusconi reafirmou o compromisso e garantiu que a cidade estaria limpa para a chegada dos turistas, no verão. Tomou medidas impopulares, como reabrir aterros sanitários fechados; mandar o exército às ruas para patrulhar esses mesmos aterros, bloqueados por moradores por estarem saturados (os aterros e os moradores); pressionar os governadores de outras regiões para que aceitassem receber parte do lixo da região Campania. Além disso, acertou com o governo alemão a utilização dos icineradores desativados próximos à fronteira com a Itália. Depois, voltou à cidade anunciando o sucesso da empreitada. Mas há quem afirme que a verdade não é bem assim. Como não poderia deixar de ser, há quem aprove e quem discorde, gerando uma enorme polêmica, com direito a vídeos de ambas as partes:



Mas onde está a verdade?
Partidarismo à parte, a verdade é que Nápoles está muito mais limpa, com focos resistentes do problema na periferia. A emergência está sendo resolvida, mas o verdadeiro problema, não. A região foi abandonada por anos e não é auto-suficiente para coletar e tratar os dejetos que produz. Muitas propostas foram apresentadas e devidamente esquecidas. Os napolitanos não estão habituados à coleta diferenciada pelo simples motivo que descobriram, há muito, que todo o lixo acabava indo parar no mesmo lugar. Os incineradores alemães usados no combate a emergência estavam desativados por falta de lixo: a Alemanha recicla, em média, 67% do lixo produzido, contra 5% de toda a região Campania. A diferença é que na Alemanha a coleta diferenciada serve para alimentar as indústrias de reciclagem. Ou seja: de nada adianta ensinar a população a separar o lixo se no final não existe uma estrutura que utilize tais resultados.

No momento, a única coisa a fazer é esperar - e vigiar - que o governo cumpra uma outra promessa de campanha: criar as estruturas necessárias para que o problema não tenha apenas sido varrido para baixo do tapete eleitoral.


Está quase se esgotando o prazo para quem quer participar do Concurso Literário de Crônicas Astra, com o tema Meio Ambeinte. Para aqueles que gostam de escrever e estão preocupados com os problemas ambientais que o Planeta enfrenta, esta é uma oportunidade de exercitar seu talento e, ao mesmo tempo, ver seu trabalho publicado em um livro. Basta criar uma "história" com uma visão pessoal da situação atual do meio ambiente, de forma simples e espontânea , baseada no cotidiano relacionado ao meio ambiente.

As crônicas deverão ser inéditas e escritas em língua portuguesa.Os cinco primeiros classificados serão contemplados com prêmios de R$ 5.000,00 a R$ 500,00 e mais um laptop e impressora para os cinco primeiros ganhadores.Os vinte primeiros classificados terão suas obras editadas em um livro com tiragem de quinhentos exemplares e cada classificado receberá dez livros, sendo os demais livros distribuídos a critério da Astra.

As inscrições irão até o dia 22 de agosto. Os textos deverão ser enviados exclusivamente via Internet, no endereço: www.concursodecronicasastra.com.br. Então, o que está esperando? Vai lá e faça a sua parte!

Os que acompanham o noticiário ambiental já estão carecas de saber que o mar não está pra peixe há tempos, no mundo inteiro, como esse excelente mapa do Guardian mostrou recentemente. Ou seja, morto, principalmente nas áreas costeiras.

Mas eis que leio no World Changing que alguns empreendedores de Israel, Autoridade Palestina e Jordânia se juntaram para se lançarem a um projeto complexo: ressuscitar o salgadíssimo Mar Morto. Ou seja, querem fazer o caminho reverso e trazer (quem sabe... eu sou uma otimista) um pouco de esperança aos mares do mundo à beira da morte.

O Mar Morto vem "secando" a uma taxa de quase 1 metro por ano, devido ao maior consumo da água do rio Jordão, o único rio que deságua nele. A idéia do projeto de ressuscitação é, entretanto, "simples": canalizar parte da água do Mar Vermelho para o Mar Morto. Com isso, o Mar Morto também seria um pouco diluído e a água poderia se tornar menos salgada, viabilizando até talvez mais formas de vida. Normalmente, só algumas bactérias e fungos vivem no Mar Morto. Mas se o megaloprojeto funcionar, poderíamos sonhar com um Mar Morto utilizável, pescável e navegável. Se lembrarmos que a região é bem desértica e que água já é um recurso escasso por aquelas bandas, essa tentativa soa menos surreal.

Ambientalistas, claro, acham que há soluções menos custosas e mais eficientes com menor impacto ao ecossistema ao redor, como por exemplo, melhorar as condições do rio Jordão (menos poluição, reabilitação da água do rio para a vida animal, uso da água de forma mais equilibrada pelas plantações, etc.).

Enquanto nada se decide, o Mar que já é Morto até no nome vai secando dia após dia. Sem caráter supranatural, mas com bom planejamento e criatividade, podemos enxergar a possibilidade de renascimento aqui. Inspiração para ressuscitar outras áreas mortas de mares maiores no mundo...? 

Só o futuro nos dirá.



O STF pode fazer história, para o bem ou para o mal, no próximo dia 27 de agosto, quando julgará a demarcação das terras indígenas em Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os ministros da mais alta corte brasileira estão sob pressão de madeireiros e fazendeiros para desfazer a demarcação, o que seria um retrocesso e tanto. Quis o destino que tal decisão fosse tomada este ano, quando a Constituição brasileira completa 20 anos. Foi ela que sacramentou os direitos dos índios a suas terras - algo tão óbvio que essa discussão toda é meio surreal. Mas com tantos interesses econômicos envolvidos - plantações de arroz, madeira, minérios, fronteiras, etc -, não espanta ver a parte fraca da corda sofrer tal pressão.

Uma série de ONGs iniciou um movimento em defesa dos direitos indígenas na página Makunaíma Grita - Cidadania com Respeito à Cidadania e colocou no ar uma petição online de apoio à demarcação das terras em Roraima - clique aqui para assinar. Quem puder e quiser, espalhe! No momento há pouco mais de 3 mil assinaturas.

E nesta quarta-feira (20/8) vai rolar manifestação em frente ao Sesc Paulista (avenida Paulista, 119 - Paraíso), às 10 horas, para exigir que o STF não mexa na demarcação da Raposa Serra do Sol.

O mais grave é que, dependendo da decisão do STF, o resultado poderá afetar também as unidades de conservação na Amazônia e demais regiões florestais do país. Se interesses econômicos e políticos interferirem nesse processo, muito em breve poderemos ver extensas áreas de preservação sendo liberadas para a exploração econômica sem critérios, mais ou menos como já acontece hoje. Dá para imaginar o desastre que estar por vir, não?


Antes que eu me esqueça: o pessoal do Greenpeace vai fazer uma grande onda humana amanhã de manhã no Parque Villa-Lobos (SP) em defesa dos oceanos, que estão em situação deplorável. O encontro será às 9 horas ao lado do anfiteatro que fica na porta principal do parque. Apareça de azul e entre nessa onda!

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.


Com o crescimento da produção de aparelhos eletroeletrônicos e a rapidez com que estes aparelhos se tornam obsoletos, é absurdo o número de equipamentos que são substiuídos pelas pessoas, principalmente aquelas aficcionadas por tecnologia ou mesmo por força de suas profissões. Muitas pessoas doam ou vendem seus antigos equipamentos; mas, infelizmente, uma grande quantidade ainda vira lixo eletrônico.

Jogar fora ou trocar um bem de consumo não é, decididamente, o melhor negócio para o ambiente. O descarte desenfreado desses produtos tem provocado problemas ambientais sérios, principalmente por aqueles aparelhos que contêm material de difícil decomposição na natureza, como o plástico, o metal e o vidro. E a situação piora muito quando os aparelhos contêm em sua composição, materiais pesados, altamente prejudiciais à saúde do homem e do ambiente, como pilhas, baterias e produtos magnetizados, que, ao serem descartados inadequadamente, liberam substâncias tóxicas que penetram no solo, contaminam os lençóis freáticos e, conseqüentemente, aos seres humanos.

Se pararmos para refletir na quantidade absurda de cerca de mais de 50 milhões de toneladas de lixo deste tipo que é descartada incorretamente, repensaríamos nossos hábitos de consumo e , quem sabe, passaríamos a ter atitudes mais responsáveis em relação ao uso de nossos aparelhos. Consertar equipamentos eletrônicos ou eletrodomésticos pode ser mais vantajoso economicamente, além de ser ecologicamente mais adequado. Em muitos casos, o custo do conserto de um eletroeletrônico não ultrapassa 40% do valor de um bem novo.

Se você é um consumidor consciente (se não o é, já está na hora de começar, não acha?), ao levar seus equipamentos ao conserto, analise, com atenção, o custo do serviço de reparo ou manutenção; a qualidade da assistência técnica (conserto mal feito, não é bom, certo?); e a originalidade das peças a serem substituídas. Ou, se você não abre mão de um novo modelo do mercado, procure doar seu eletroeletrônico a instituições sociais ou educacionais, que poderão fazer um bom uso deles por mais um bom tempo. Ou, encaminhe-os para a reciclagem, pois seus componentes podem ser reaproveitados em novos aparelhos. Assim, seu bem terá aumentada sua vida útil, e o ambiente será carinhosamente agraciado por sua atitude ecoconsciente.

Tenho observado que, quando preciso utilizar os serviços técnicos de reparo ou mantutenção de meus eletrônicos ou eletrodomésticos, preciso esperar um tempo maior do que costumava esperar antes, devido ao acúmulo de trabalho dos profissionais que oferecem estes serviços. Isto mostra duas coisas: Felizmente, ainda há pessoas que estão mais conscientes em relação a seus hábitos de consumo (ou estão mais preocupadas com seu próprio bolso). Seja lá qual for a razão, repito o que costumo dizer: lucra o ambiente e a geração futura será beneficiada por nossas ações responsáveis .

Imagem: Amanhã Terra


Depois de muita pressão dos consumidores, de produtores de leite e de ONGs, a Monsanto entregou os pontos e vai parar de fabricar o Posilac (ou rBGH), um hormônio de crescimento geneticamente modificado para fazer as vacas produzirem mais leite. O produto foi o primeiro transgênico produzido em escala comercial pela empresa e vinha causando inúmeros problemas aos animais - e aos humanos por tabela (veja o vídeo abaixo). O hormônio provocava mastite nas tetas das vacas, gerando muito pus, que por sua vez passava ao leite, juntamente com a quantidade industria de antibióticos dados aos animais para tratar dos problemas causados pelo produto da Monsanto. Uma beleza, não?

Nos últimos anos, houve uma crescente rejeição ao Posilac no mercado americano. Empresas como Starbucks e Kraft se declaram livres do produto e outras passaram a indicar nos rótulos de seus produtos que não usavam leite de vacas tratadas com o hormônio - coisa que a Monsanto tentou impedir na Justiça.

E pensar que o produto, proibido na Europa e no Canadá, ficou no mercado americano por quase 15 anos. A Monsanto diz que vai 'descontinuar' o Posilac porque pretende focar nas sementes transgênicas. É a velha história: eles ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados...

Confira abaixo a pressão que a Monsanto fez na Fox americana para que não veiculasse uma grande reportagem investigativa que apontava sérios problemas no produto e os riscos que ele poderia causar à saúde humana:



(trecho do documentário The Corporation, que pode ser visto na íntegra no Youtube - o próprio diretor pôs o filme lá, dividido em 23 partes.)

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