31.08.2010
uma frase
Todo esse universo é um livro em que cada um de nós é uma frase. Nenhum de nós, por si mesmo, faz mais que um pequeno sentido, ou uma parte de sentido; só no conjunto do que se diz se percebe o que cada um verdadeiramente quer dizer. Uns são frases que como se erguem do texto a determinar o sentido de todo um capítulo, ou de toda uma intenção, e a esses denominamos gênios; outros são simples palavras, contendo uma frase em si mesmas, ou adjetivos definindo grandemente, destacadas aqui ou ali, mas sem dizer o que importa ao conjunto, e são esses os homens de talento; uns são as frases de pergunta e resposta, pelas quais se forma a vida do diálogo, e esses são os homens de ação; outros são frases que aliviam o diálogo, tornando-o lento para depois se sentir mais rápido, pontuações verbais do discurso, e esses são os homens de inteligência. A maioria são as frases feitas, quase iguais umas às outras, sem cor nem relevo, que servem todavia de ligar as intenções das metáforas, de estabelecer a continuidade do discurso, de permitir que os relevos tenham relevo, existindo, aparentemente, só para que esses possam existir. De resto, não somos nós feito, como a frase, de palavras comuns (e estas de sílabas simples) de substância constante, diversamente misturada, da humanidade vulgar? Não é o nosso amor o amor de todos, e o nosso choro as lágrimas em si mesmas? Mas cada um de nos ama e chora ele, que não outro: há um objetivo de dentro que o indefine (dissolve) e determina.Fernando Pessoa, "A morte do príncipe",
no livro Teatro do êxtase, recentemente publicado pela ed. Hedra.
prosaísmos
há qualquer coisa em certos escritores da língua espanhola que me espanta. uma simplicidade no dizer, um prosaísmo disfarçado de poesia ou mais provavelmente o contrário. um dizer desenfreado que não encontra fôlego digno de pausa na necessidade de preencher o vazio com palavras gritando no silêncio, enquanto ao leitor por trás das letras e da sonoridade ininterrupta grita ainda aquele silêncio, destacado de seu valor de pano de fundo porque as palavras, porque as frases e a impossibilidade de se dizer aquele silêncio.digo da língua espanhola porque Cortázar, porque Bolaño, porque agora Javier Marias que comecei a ler hoje à tarde; e leio em tradução porque meu espanhol sofre de desnutrição. mas vê, está lá. a organização da sintaxe em fluxo que poderia não acabar nunca mais e sempre há algo a se dizer, algo pequeno e um detalhe do cenário ou na descrição de um rosto, de um olhar, de uma toalha de mesa, ou ainda um sentimento sem nome para cuja compreensão multiplicam-se comparações e metáforas e palavras e está ali o cotidiano todo, as coisas minúsculas. mas por trás grita aquele silêncio e tudo o que o silêncio nunca poderia nos dizer, e só ouvimos gritar o silêncio porque grita junto desse fluxo ininterrupto de palavras e frases e pequenezas.
algo nesses escritores que me espanta, que me encanta. que está no aproximar do prosaico ao poético ao ponto que os dois se misturam, e a vida parece que cresce, a vida fica enorme; enorme num mundo gigantesco.
dois avisos (ou três)
meu livro Segunda mão está pra sair. estou acertando últimos detalhes com el_Rey master diagramador e com a gráfica, burocracias com a Secretaria da Cultura, orelha e outras crises. tudo indica que o livro sai no final de setembro ou no começo de outubro, e o prazo determina que antes do dia 11 de outubro.
tenho postado informações e atualizações mais frequentes sobre isso no meu site de autora, que criei com esse propósito exclusivo. ainda vou avisar as coisas por aqui também, de qualquer forma, porque não tem comparação entre a quantidade de leitores de um site e de outro. aqui, são mais de 200 assinantes do feed. lá, não são nem 30.
por isso pensei em juntar os dois feeds num só: nesse aqui.
os posts do /oliviamaia são menos frequentes e mais específicos e a maioria das vezes que precisar falar do andamento da publicação ou de qualquer outro projeto, vou fazer provavelmente por lá. mas é uma questão de organização. aí quem assina o feed do blog receberia tudo num lugar só.
o que vocês acham?
acho que tem jeito de fazer isso com o movable type (acho quase certeza, só não sei se ainda me lembro como faz). preciso dar uma olhada.
tenho postado informações e atualizações mais frequentes sobre isso no meu site de autora, que criei com esse propósito exclusivo. ainda vou avisar as coisas por aqui também, de qualquer forma, porque não tem comparação entre a quantidade de leitores de um site e de outro. aqui, são mais de 200 assinantes do feed. lá, não são nem 30.
por isso pensei em juntar os dois feeds num só: nesse aqui.
os posts do /oliviamaia são menos frequentes e mais específicos e a maioria das vezes que precisar falar do andamento da publicação ou de qualquer outro projeto, vou fazer provavelmente por lá. mas é uma questão de organização. aí quem assina o feed do blog receberia tudo num lugar só.
o que vocês acham?
acho que tem jeito de fazer isso com o movable type (acho quase certeza, só não sei se ainda me lembro como faz). preciso dar uma olhada.
» como um abismo
[29/ago]
» a história secreta [29/ago]
» e aquela outra coisa também [17/ago]
» projetinho [02/ago]
» de um fim de férias [26/jul]
» papo de boteco [22/jul]
» valeu, palestra [09/jul]
» futebol [06/jul]
» tudo o que você queria saber sobre roupa íntima mais tinha vergonha de perguntar pra sua mãe [03/jul]
» leituras do primeiro semestre [01/jul]
» a história secreta [29/ago]
» e aquela outra coisa também [17/ago]
» projetinho [02/ago]
» de um fim de férias [26/jul]
» papo de boteco [22/jul]
» valeu, palestra [09/jul]
» futebol [06/jul]
» tudo o que você queria saber sobre roupa íntima mais tinha vergonha de perguntar pra sua mãe [03/jul]
» leituras do primeiro semestre [01/jul]
olivia
não tem acento. olivia não tem critérios. olivia não existe. olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.