sobre o nada e o inevitável, e sobre a vida imaginária de pessoas que não existem.#

08.03.2010

desenredo

me vem a literatura pelos poros. escrevo mentalmente, trechos de livros inexistentes que jamais existirão, trechos que se perdem tão logo são formulados, formulações que me escapam. vêm num momento de semi-vigília, quase-sono ou nem isso. os pensamentos que tomam forma em palavras, estruturas sintáticas que se desenredam e se criam sozinhas. escrevo meus pensamentos, mentalmente, como quem escreve em segredo um livro impublicável.
Olivia
09:19 || Desvarios
[1]

07.03.2010

eu não gosto de cinema

sim.

assisto a um filme ou outro. gosto de alguns. poucos, entre os poucos que assisto. me encanto com outros, assisto mais de uma vez. gosto de Indiana Jones, dos filmes do Harrison Ford e do John Cusack etc. gosto de uns filmes bobinhos e engraçadinhos. gosto de filmes sobre escritores. mas quase sempre porque assisto por acaso. por pura preguiça de levantar do sofá.

não faço de cinema uma obrigação. não planejo cinema. não tenho vontade de interromper meu dia e assistir a um filme. sentar à noite e agora vou ver esse filme. existem exceções. mas são exceções. e mesmo assim, se o filme sai de cartaz e não vi, a vontade passa. só sentar e esperar que a vontade passa.

não gosto de cinema. não acho que preciso ver esse ou aquele filme porque a cultura e a arte. não acho que cinema seja arte. alguns filmes, talvez. alguns. mas nem por isso me sinto obrigada a assistir nenhum deles. assim como gosto de arte mas odeio museus. quero que a cultura do cinema vá pro inferno. coisa de quem tem preguiça de ler. não tenho paciência. nenhuma. não consigo. pensar em cinema me dá um tédio terrível.

cinema tem seus méritos, mas prefiro a literatura. parece que estou comparando coisas que não se podem comparar, eu sei. mas são tantos livros, que dispenso o cinema. quase sempre, vou dispensar. 

não importa o quanto você me diga que esse filme é um clássico e eu tenho que ver, porque a narrativa, o simbolismo, a crítica, o mundo, fuu. ou que era um clássico que eu tinha que ter visto. quero que exploda. se eu calhar de ver, ok. mas não fode. não me venha dizer que eu sou inteligente e devia conhecer a cultura porque um clássico, a arte, a literatura. não fode, hein. por favor.
Olivia
21:29 || Mau-humor
[2]

mais Blanchot

... esse poder de representar as coisas pela ausência e de manifestar pelo distanciamento, que está no centro da arte, poder que parece afastar as coisas para dizê-las, mantê-las à distância para que elas se esclareçam, poder de transformação, de tradução, em que é esse próprio afastamento (o espaço) que transforma e traduz, que torna visíveis as coisas invisíveis, transparentes as coisas visíveis, torna-se assim visível nelas e se descobre então como o fundo luminoso de invisibilidade e de irrealidade de onde tudo vem e onde tudo se acaba.
Maurice Blanchot
O livro por vir
Olivia
17:06 || Citações
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