Em São Paulo, as notícias de mais uma rebelião na Febem prevaleciam nas manchetes dos jornais. Decerto a pior dos últimos tempos, oferecendo ao público imagens dantescas como a de um espantalho humano em chamas no terraço de um dos pavilhões do recinto. O batalhão de choque da Polícia Militar tentava reverter, em vão, a caótica situação, da qual ela própria fazia parte, enquanto o restante da cidade de concreto se afogava em um mar de violência ainda pior. Era, de fato, uma guerra civil, onde o inimigo em potencial eram a fome, o abandono, o desespero, a ansiedade... ânsia de sobreviver.
(texto escrito pra segunda edição do macacada fashion, fanzine que editei com orlando arouck em novenove/zerozero. novembro de noventa e nove. pode chegar no google. bate quase tudo. sem revisão atual, é claro. o sete também é meu, mas deixa quieto)



