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    <title>Let it Beatnik</title>
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    <title>Bem Vindo ao Show americano</title>
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    <published>2008-06-19T23:06:55Z</published>
    <updated>2008-07-04T00:50:32Z</updated>

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        <name>João</name>
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        <![CDATA[<p>Recebo um telefonema de Raphaello Scoth, meu contato no NYTimes. "J. o Gary entrou de férias, cara. Seu livro já era meu camarada. Estou envergonhado, envergonhado... Maldito Gary. Ele tinha me confirmado, <em>na próxima sexta, na próxima sexta</em>"! Filho da puta bastardo, penso. Diga a ele que quando eu for lido por metade da América, sua crítica já não vai adiantar nada. Desliguei o telefone bastante puto. Maria estava com o cigarro em mãos, encostada na cama e me olhando.<br />
- Não fique desesperado. Venha aqui.<br />
Eu não consigo me controlar e nada me deixara mais confortável. Eu tinha que poder esbravejar:<br />
- Como não! Gary Strandy é o único crítico na América que poderia dizer algo respeitável sobre o meu livro. E ele leu, tenho certeza. Mas que vacilo, mas que vacilo - soco o ar. Ela se assusta com meus gestos e fecha sua expressão.<br />
Passa um tempo e o telefone volta a tocar, Maria apaga o meu cigarro e retira o lençol de sobre o seu corpo. A chamada do aparelho parece pertubar minha cabeça. abandono a visão afrodisíaca - Maria tenta tirar minha atenção ao chamado, e persigo a possibilidade de boas notícias.<br />
- Alô!?<br />
- J.? <br />
- Sim, é você de novo Scoth?<br />
- J. Te prepara irmão. Te prepara por que eu tenho uma bomba.<br />
- Hey Scoth, não fala assim meu camarada. Há dez minutos atrás você já me esfaqueou o peito, agora pensa em cravar a lâmina?<br />
- Calma J. É coisa boa... quer dizer, pode ser. Temos que esperar. Depois de amanhã sai, tenho certeza.<br />
- Cara não estou te entendendo. Seu frangote estranho, se você estiver aprontando com a minha cara... ainda bem que estou numa onda de paz. A sabedoria oriental tem me dado muita força. Tenho aprendido uns segredos e a violência não faz parte deles.<br />
- J., a porra da resenha vai sair depois de amanhã, cara! O novo crítico chegou na redação ontem, mas logo viu seu livro. Ele se lembrou do seu nome e parece ter dito à Michele que adorou <em>Cidade pequena, cidade grande</em>.<br />
-Sério?<br />
-Porra! Cara, ele levou O Livro* para casa e disse que vai apresentar o texto na próxima sexta. Parece que o Gary armou tudo. Tirou o dele da reta e deixou para o substituto a missão de criticar "o novo fenômeno da América"!<br />
-Ann... que porra é essa Scoth!? Tá ficando louco?<br />
-J. foi isso que Gary escreveu no bilhete que deixou para o substituto.<br />
- Como deu tempo para você conseguir todas essas informações, não tinha nem dez minutos que você me ligou?<br />
-Foi a Michele, tenho um contato forte na parte de crítica literária.<br />
- Saquei, ela também escreve?<br />
-Não, limpa!<br />
Bom, confiar em uma faxineira às vezes é mais lucrativo do que pegar informação num balcão de informações. Mas elas também custumam exagerar. Isso é fato. De qualquer forma, quando desliguei o telefone, Maria já devia estar em seu 3º sono. Talvez pensando em mim, talvez não. Seu ar sereno, seus traços latinos, sua pele, boca. Era tudo uma só inspiração para a felicidade. <br />
Um livro aceito, dinheiro por palavras. Talvez pudesse mudar a minha vida, transformar meu sonho em realização. Já sei o que fazer, escrever mais, mais e mais. Quem sabe, a loucura consuma meu tecido e eu me perca de vez. O sucesso é um perigo. É ele o cetro da vaidade.<br />
Resolvi acender um cigarro enquanto refletia sobre o depois de amanhã.</p>

<p><small>* <em>On the road</em></small></p>]]>
        
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