Lapa
E queria te dizer que não entendo nada do que você escreve!
Mas ele já tinha me dito isso...
Mas estou dizendo pessoalmente agora, não entendo nada.
3 minutos depois, chegam os pastéis da Clara e sai a resposta reatroactivamente: se não gosta, por que volta?
Volta pra onde?
Por que continua lendo?
Pastéis de carne.
Porque é bonito.
Ainda estou tentando lembrar como conheci o Thiago...
- Vai ver que você comentou no Limão
- Ou o contrário.
Sim, lembrei, eu comentei no seu mas exatamente como emplacamos uma conversa continua sendo mistério. Sei lá, não lembro mesmo. Escrevi um texto para o Thiago no ano passado e é daqueles que, quando leio, recobra algo, me modifica e me desconhece. É uma grande sensação. É a única que espero sentir.
Central do Brasil
- Acho que você só gosta das coisas feias.
Bia concorda. Eu? Mas levo esses dois num lindo passeio pela cidade depois de ficar 40 minutos entre as duas saídas da Central e ainda ter atravessado a Presidente Vargas até aquela outra boca do metrô, achando que eles tinham se perdido, e novamente voltando por debaixo da the same avenue pra eles me aparecerem com a cara mais lavada dizendo que o almoço atrasou: depois os paulistas querem ser amados.
Thiago bastante destacável com uma camisa vermelha CCCP (tenden misericórdia de nós que remorremos a vós) e Bia solta com um rabo de cavalo loiro fazendo par com a bolsinha da Audrey, linda mesmo. Mais tarde eu diria que ela lembrava a Sunny Lane, a do pornô, a que parece que fez uma dieta agora e que perdeu um pedação do encanto depois disso - espero não ter soado mal.
A Clara avaliou que eu tinha me comportado toda a noite e havia arruinado o lance com aquilo da atriz pornô.
- Mas algumas atrizes pornô são reconhecidas, premiadas, é algo importante. É um trabalho digno.
- Premiadas? - Clara, botas cano longo marrom e salto alto estilo desassentador de pedras portuguesas. Premiadas como? Alguém para ela na rua e "parabéns! parabéns pelo seu anal, foi maravilhoso!"
Sim! Ela compreendeu! "Exatamente isso!"
- Larga a minha mão!
As prenunciada feiúra da cidade me atrai. Eu vejo ali o tempo todo uma vida grande no meio do que é degradado, o tempo todo. Eu não sei porque isso acontece, porque tenho uma paixão incrível pelas paredes, pela miséria latente que não é da cidade, não é a cidade. Enfiaram aquilo no Rio, o Rio é tão bonito... e ele consegue continuar sendo o Rio mesmo tendo a Zona portuária sem o Guggenheim.
Talvez não seja nada disso, talvez eu goste da miséria porque a morte encanta dentro da sua desgraçável verdade. O Rio de Janeiro é muito cheio de disposições cadavéricas sobre a vida, nada a ver com ser gótico, porra nenhuma a ver, ao contrário; é sobre a vida batendo na maior das agudezas em cima de tudo, obcecada, suada e esquizofrênica como uma passista no concurso de rainha da bateria do carnaval do ano que vem.
Cinelândia
café: R$2
Querida Clara, estamos padecendo de coisas parecidas. Obrigada por ter dito o que eu fico com o maior medo de me dizer até, eu não falo com ninguém, ou falo, falo, mas não tem sido mais a mesma coisa porque não consigo mais me lembrar como era aprender a ouvir o que dizia a minha boca, a própria. Assim, se você diz....
Lembrei no ônibus que, sem tesão, não dá nem pra chupar um picolé.
Casa
Cheguei e tava rolando uma discussão. Acho que todo mundo tem o direito de salvar o casamento embora ache bizarro que aquele cara do Hitman mantenha os órgãos do seu irmão gêmeo siamês morto, e que tenha de arrastar o cadáver pra qualquer lugar que vá. Tudo bem, ele é o vilão da história.
Gosto de escrever o musical, gosto mais do sentido que do percebido; é como não lembrar de como foi fazer o amor, só reter os gostos, as sensações. Rodar, rodar e, de repente, você não se lembra porque está sem calcinha. Acho isso bonito.
Roteiro carioca de encontro
1. Central do Brasil
2. Arquivo Nacional
3. Campo de Santana
4. SAARA
5. Móveis e tecidos orientais
6. Real Gabinete Português
7. Hotel Paris
8. Sêbo
9. Carioca
10. Lapa
11. Despedida que a gente fica muito puto e triste porque tem que dar
n. do n.
Nada soa mais falso que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama do círio. (Nelson)
na chama do círio!! hahahaha galhofice, galhofismo. get the picture? - in technicolor