invalidez Cês não imaginam como estão as coisas aqui... Bem feias. Não quero ser má, mas e se ele morre? Mas e se ele morre? Já estão cogitando invalidez. De fato? Maternal. Por conta disso, pouco me importa o quão escroto pareça dizer por aqui as coisas ao invés de contida, da discrição.pessoas fodas me salvando. Ato contínuo, vamos inventando coisas pra comer, Beyonce geme gostoso e tô tentando explicar [bolava o projeto do mestrado] que o Manolo Florentino precisa me aceitar na UFRJ.

deixas público...
Meu irmão tem tuberculose ou câncer, a despeito disso, continua sendo uma pessoa má. Se não má, perturbada [na verdade, a perturbação nada tem a ver com a presença ou ausência do mal. lembro de um esquizofrênico que cuidava de mim quando era pequena, ele fazia mágicas com moedas e elas desapareciam entre a parede e a mão dele]. Tia Marina disse por 40 minutos que era o demônio. ele parece morto, ele chega a dar dor.
Mas eu não vou, certamente não quero, escrever sobre isso de forma melhor. hoje eu e o Rafael desmontamos as coisas, recebemos uma espécie de ultimato que significa que não podemos mais ficar aqui, falta espaço. temos de usar máscaras, os talheres foram separados. é isso

Maricá: podemos ir na Lagoa
Chegamos a pouco de Maricá. foi bom. Decidimos algumas coisas porque não tem jeito, só decidindo coisas. liberte-se.
Obrigada Bell, que deu casa, abraço, pão de queijo e sua arca de Noé. Bell salvando vidas.

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Tony, o papagaio, grita no café da manhã.

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consegui fotografar a Bell bem fresca. ela tem beleza brisa visivelmente fortes.

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Sua irmã disse que tenho cara de mau

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depois de andar absurdos entregando curriculos nas escolas de Maricá, vamos tomar uma cerveja no Lago? tá aí documentado o momento em que descobrimos que todos os quiosques estavam fechados e que tínhamos de voltar à pé. Sóbrios.

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puta que pariu, tô puta. Tô com cara de puta?

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Caro Xico, te roubei. Foi o outro ângulo, você mostrou e eu não resisti a me apropriar do elogio em massa. É igual festa do dia das mães na escola, a música é pra todas, mas aquela senhora ouve e tem certeza que compuseram pra ela. Saca? É isso, passei a mão na bunda do teu texto.

beijo

Pri


NADA COMO AQUELA OLHADINHA SAFADA

Nada como aquela olhadinha que ela dá quando lá embaixo.

Ainda e pra sempre, da série "detalhes tão pequenos de nós dois". A vida se resume a observar, microscópio de eros, tio Nelson, a mulher e o seu drama.
Nada como aquela olhadela, sobrancelhas assanhadas, mirando lá de nossos países baixos cá para cima do nosso cocuruto alumbrado.
Tão lindamente sacana, ah, que nega a minha nega, derreto-me como manteiga!
Ela quer saber se estou gostando, claro que estou mortinho ali no pré-gozo. Tem um orgulho, "vê como faço bem feito e com gosto", ali naquela olhadinha plongé, contra-plongé, depende de quem vê...

Como eu gosto, ela diz, posso?
Aperto com força os seus cabelos, resvalando numa fração de segundo para um carinho no rosto, lado esquerdo, com o lado B da mão e dedos, quiromancia e mistérios.
Ela desce lá naquele cantinho fronteiriço, desenha a história do olho com riscos da língua em círculos, lambe a última costura da minha pobre existência, nirvaniza-me, petite mort, e assina nossos batismos lindos com lambidas góticas, assim como quem escreve inocentemente na areia, coraçãozinho flechado, e o nome de quem aposta, como se o amor fosse um jogo do bicho.

Não resisto a olhadinha lá de baixo, vem cá, estou longe e perto, meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo, como na canção do 2 e 2 são cinco. Como nosso universo é tão perfeito aqui na cama, só na cama, lá embaixo, na cama zen, japão do amor, horizontalizo-me, para sempre, viro réptil, nunca mais me levanto, nunca mais me levanto e ando, odeio meus Lázaros internos, agora eu quero mais é nadar no seco, melhor jeito de navegar aos teus pés, e de vez em quando, quer saber?, afundo as mãos nos arrecifes e te dou um peixinho, como aquele do conto de Virgílio Piñera, que aprisiono nas profundezas sujas das nossas existências.


texto dO Carapuceiro, escrito por Xico Sá às 14h:01 no dia 05 de setembro de 2009.


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Há uma idade em que mulheres acham bonito ser vagabunda, maneaters. Acho compreensível. Coxas de 15 anos, assim vistas de fora, são pedra de destruição.

Há uma idade em que as mulheres acham útil ser vagabunda. Noutra tedioso. Por fim, pragmatismo.

Já fui amiga. Já fiz uma moça chorar quando ele disse que era a minha vez de sentar no banco da frente do carro. Já fui amiga por certo tempo. hoje poucas mulheres sabem o que é ser amiga... isso me entristece porque deixávamos as garrafas de Natasha, as garrafas de Pitú estacionadas por aí porque íamos sambar, porque chegávamos no bar e ficávamos ainda íntimos, ainda fraternos, há quatro cadeiras de distância. é como o final de Cidade de Deus, os caixa-baixa, we got guns: no meu tempo não havia disso, eu sou um homem que trabalha há dez anos e nunca tirou férias, filha minha jamais fará isso.

Essa alegria... o orgulho de ser vagabunda é de quem não entendeu Glorinha em O Casamento, nem o cuspe. Muito menos o cuspe. Meu gosto é a liberdade, mas devo machucar pouco.

(série: rabiscos)


A parte inteira da simplicidade é um conjunto disperso de pequeniníssimas partes disformes. Como entrada em um coração novo, nunca visto, com olhos pouco desejados e que nada conhecem das manifestações do amor que, neecessariamente, devem ocorrer no corpo. Como entrada em um coração inédito.

Mesmerizando
Levada pelo pai ao cinema pela primeira vez no verão de 1987, Gaudinha emocionou-se em particular com todas as cenas em que Tom Cruise entrepassava os dedos curtos pelo cabelo que, à época, era denso e que, à época, formataram o que seria considerado o verdadeiro Tom Cruise a qual nos dias de hoje sentimos falta. Não saía nunca de casa e na cidade haviam 7 boas escolas públicas de modo que não havia necessidade de ensino particular. De qualquer forma, ela estudava em casa e sonhava em ser freira em um convento de Colônia assim que encontrasse o grande amor da sua vida e fosse, de modo precioso, rejeitada porque inesquecível é isso, sabem. Planejava: beijos só forçados, ele sairia rápido como um ataque, ele diria que não dava pé.

Pirotecnias
Gaudinha conheceu Gustavo Allado numa noite em que a chuva derrubou o poste daquela cidade com 10 mil habitantes. Tinha saído para ver como todas as pessoas - porque não somos de ferro - a caixa de eletrecidade estourada e soltando faíscas.
1. ele estudava matemática
2. ele pesquisava a venda e distribuição de números passados da Playboy
3. ele mantinha os cabelos curtos e lembrava o Tom Cruise nas cenas de piscina de Cocktail
4. ele era grande e isso a deixou excitada desde a primeira vez que ele ameaçou beijá-la
5. ele morava com as duas avós

Gaudinha se assustou com a pirotecnia dos fios e foi assim que, no dia seguinte, a avó por parte da mãe Gustavo Allado a apresentou ao neto e agradeceu Gaudinha pela ajuda na hora do susto porque, se ela tivesse caído e batido com a cabeça no meio fio, mas Jesus nos dá o livramento: batei e abri-se-vos-a.
Mas a mulher só pode ser mãe do menino. Casada, um filho, orfã de pai e mãe, encarregada da Secretaria de Fazenda, Tesouros e Erários, Gaudinha foi invadida pela água morna que impede a mulher safada média de respirar. O tédio, a candidíase intermitente da prima mais chegada, o espaço entre os trilhos do trem ana kareninístico que jamais atrasava, a revista Conta Mais falando do fim da novela das oito que começou semana passada: a garota ficará tetraplégica e lutará para ter um filho.

O tédio na premier do amor, numa esposa com marido calmo e desarmônico, no triunfo dum coração que tudo concede. Veio a crise e, com ela, a falência. Com a falência, o carro foi vendido com uma despedida linda em que todo mundo chorou.

(PAUSA PRA LEMBRAR DO FINAL DA HISTÓRIA)

(série rabiscos)


KAP-sanfranciscoinruin.jpg São Francisco em ruinas após o terremoto de 1906. Fotografia aérea com uma pipa. Sunset over Golden Gate.


Palavras que borraram no início

Antes de conhecer o Rafael eu escrevia muito mais, escrevia nos braços. Depois de conhecer o Rafael eu parei de escrever no braço, nos ônibus, mas, noutro lado, parei de escrever nos braços e nas pernas voltando muito bêbada enquanto chovia, nos ônibus, e eu chegava em casa e as coisas estavam borradas, não me lembrava mais. A cabeça girava com cerca de trezentas mil palavras demoníacas que se reuniam pra formar escritos que eu gostava, e que cultivava, e que me levavam pra o lugar de delírio sensível onde eu mais gosto de estar.
Depois que conheci Rafael, descobri que ir embora não basta, que escrita é ofício que necessita cuidado com a beleza nos trabalhos; foi quando ele me disse muitas coisas que me entristeceram. Acho que ele deveria escrever sobre música brasileira porque ele pode não identificar o down tempo, mas tem instinto pra ouvir nos nervos os arranjos que eu não sei. Rafael, meu moço que fica mais bonito quando tem a barba aparada no barbeiro à tesouras, me lê e não entende, às vezes não gosta, mas diz a verdade sobre que falta mais afinco. Eu só queria apaixoná-lo quando me equilibro no meio fio perigoso de caminhos-passiones passando, mas aí ele explica que las dedicaciones al acaso se las deben cultivar con el rigor de una insanidad que no se saca de dentro con un simples puente de sobriedad.


Conclusões ou oclusões atuais
Percebi há pouco tempo atrás que, o que alguns amigos defendem com força e pouco disfarçados lamentos é que as palavras ditadas por Elëgbara nos meus ouvidos, majoritariamente à noite, ou os vestidos vermelhos que tomavam conta dos meus espelhos, vestindo diversas mulheres com garrafas de cervejas na boca (por supuesto, pelo gargalo daquela que sinto saudades), as que gargalhavam, bem no meio dos lábios gostosos planejando passar na primeira papelaria pra comprar um estilete e se defenderem doravante com eles, o que percebi, é que só estavam lá quando eu não podia conter e me iba embora. Nesse sentido, o álcool foi minha terra dos balões voados porque ainda hoje, ainda há pouco, não posso suportar o laço de armadilha de viver ancorada a vida que se dizia, no princípio, barco fantasma afogado, arcabouço amplo pras viagens ultramarinas de serei-a, sereia.

Corretagem
Temos procurado uma casa pra morar, acho que vai ser bom, um recomeço e uma fuga boa pra que eu descubra como é que se sai sem fazer muito mal ao corpo que preciso deixar aqui fazendo seguir com as linhas, esfregando o cerol. Semana passada o corretor de imóveis falou num tom de voz terrível, e me tratou como lixo. Foi ruim demais, me tratando por minha filha, falando rápido e com ameaças pra me convencer pressionadamente que o melhor era pagá-lo 4 vezes mais do que ele deveria ser pago. Ele não conhece os nossos sonhos, eu devia ter dito isso pro Rafael porque eu acho que é o que mais entristece, o grande mal gratuito em que as coisas chegaram, o mal sem causa e acordado. Fiquei sonhando tanto com aquele lugar, ficava perto da praia, e era o que algumas pessoas boas estavam me dizendo, um lugar para viver uma vida bonita. Fiquei lá deitada muito Oh Dae Su: em tantos dias vou sair daqui, vou sair daqui, vou sair daqui. Não consegui sair ainda, não conseguimos começar ainda nossa vida bonita ou não. Depois que conheci o Rafael acabei convencida de que não devia beber tanto. Vou pôr um travesseiro em cima dos desejos etílicos.

Razões de não escrever mais, se estou do lado de dentro
Andei repetindo pra mim mesma que me respeitava a falta de escrever porque se afastar acontece é muito necessário às vezes..., parar, agora admito que me falta coragem, força. Faz meses demais que não escrevo uma linha que seja realmente minha.

¹as dedicações ao acaso se devem cultivar com o rigor de uma insanidade que não se tira de dentro com um simples poente de sobriedade.


Você o matou?
- Ainda não. Estive ocupada.

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Depois segue muito horror.
2005, Chan Wook Park, Chinjeolhan geumjassi.
Lady Vengeance é um dos filmes mais violentos que já assisti, uma catarse que vai não tem a ver com o esteticismo sanguinário de Oldboy. Dessa vez ele foi só sanguinário, permeando tudo com muita doçura, leveza e risada cura que só podem perturbar de tão juntos que ficam.


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como uma gazela nas mãos do caçador
como um pássaro na armadilha do passarinheiro

liberte-se

[


Oh Dae Su está junto do chão cavando na parede com um hashi de metal. O segurança do prédio havia colocado, aparentemente por engano, um pauzinho a mais no seu prato. Alguém na cela ao lado deve estar comendo com um pauzinho só, ele observa. Já haviam se passado 1 anos desde o dia em que o estranho com um guarda-chuvas o havia levado embora e, desde então ele, a TV e o caderno com todos os pecados escritos viviam ali. O hashi estava cada vez menor, o buraco avançava. O tempo encontrava alguma finalidade, passava mais rápido. Se houvessem dito que seriam 15 anos, teria sido mais fácil?


in a lonely place scene- Oh Dae Su digs with a chopstick
vou sair em um mês, vou sair em um mês, vou sair. ou sair depois de um mês, vou sair daqui eu vou sair exatamente em um mês eu vou sair. vou precisar de dinheiro quando eu sair, o que vou fazer? devo roubar ou assaltar? o que irei comer primeiro? qualquer coisa menos bolinhos fritos mas onde estou afinal? com todo esse barulho de carros, só pode ser na cidade. o mais importante é em que andar estou. o que vai acontecer se eu atravessar a parede e for o quinquagésimo segundo andar? mesmo se eu cair para a a morte ainda assim vou sair estou saindo estou saindo em um mês estou saindo.

você está deitado no chão
quando ouvir o sino
você irá virar a cabeça e olhar para baixo

você verá um campo infinito de grama verde
o sol está brilhando forte

e há uma brisa fresca



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1Look Who's Talking2Somwhere in the Night3The Count of Monte Cristo4Jailhouse Rock
track #5 - in a lonely place - par Yeong-wook Jo
6It's Alive!7The Searchers8Look Back in Anger9Four Seasons [Concerto RV 297 Winter in F Minor 1ST Movement: ..]10Room at the Top

[2003, Oldboy di Chan Wook Park]


o gato explica
o gato nas HQs explica muita coisa...

Lapa

E queria te dizer que não entendo nada do que você escreve! Mas ele já tinha me dito isso... Mas estou dizendo pessoalmente agora, não entendo nada.

3 minutos depois, chegam os pastéis da Clara e sai a resposta reatroactivamente: se não gosta, por que volta?
Volta pra onde?
Por que continua lendo?
Pastéis de carne.
Porque é bonito.

Ainda estou tentando lembrar como conheci o Thiago...
- Vai ver que você comentou no Limão
- Ou o contrário.
Sim, lembrei, eu comentei no seu mas exatamente como emplacamos uma conversa continua sendo mistério. Sei lá, não lembro mesmo. Escrevi um texto para o Thiago no ano passado e é daqueles que, quando leio, recobra algo, me modifica e me desconhece. É uma grande sensação. É a única que espero sentir.

Central do Brasil
- Acho que você só gosta das coisas feias.
Bia concorda. Eu? Mas levo esses dois num lindo passeio pela cidade depois de ficar 40 minutos entre as duas saídas da Central e ainda ter atravessado a Presidente Vargas até aquela outra boca do metrô, achando que eles tinham se perdido, e novamente voltando por debaixo da the same avenue pra eles me aparecerem com a cara mais lavada dizendo que o almoço atrasou: depois os paulistas querem ser amados.
Thiago bastante destacável com uma camisa vermelha CCCP (tenden misericórdia de nós que remorremos a vós) e Bia solta com um rabo de cavalo loiro fazendo par com a bolsinha da Audrey, linda mesmo. Mais tarde eu diria que ela lembrava a Sunny Lane, a do pornô, a que parece que fez uma dieta agora e que perdeu um pedação do encanto depois disso - espero não ter soado mal.
A Clara avaliou que eu tinha me comportado toda a noite e havia arruinado o lance com aquilo da atriz pornô.

- Mas algumas atrizes pornô são reconhecidas, premiadas, é algo importante. É um trabalho digno.
- Premiadas? - Clara, botas cano longo marrom e salto alto estilo desassentador de pedras portuguesas. Premiadas como? Alguém para ela na rua e "parabéns! parabéns pelo seu anal, foi maravilhoso!"
Sim! Ela compreendeu! "Exatamente isso!"
- Larga a minha mão!

As prenunciada feiúra da cidade me atrai. Eu vejo ali o tempo todo uma vida grande no meio do que é degradado, o tempo todo. Eu não sei porque isso acontece, porque tenho uma paixão incrível pelas paredes, pela miséria latente que não é da cidade, não é a cidade. Enfiaram aquilo no Rio, o Rio é tão bonito... e ele consegue continuar sendo o Rio mesmo tendo a Zona portuária sem o Guggenheim.

Talvez não seja nada disso, talvez eu goste da miséria porque a morte encanta dentro da sua desgraçável verdade. O Rio de Janeiro é muito cheio de disposições cadavéricas sobre a vida, nada a ver com ser gótico, porra nenhuma a ver, ao contrário; é sobre a vida batendo na maior das agudezas em cima de tudo, obcecada, suada e esquizofrênica como uma passista no concurso de rainha da bateria do carnaval do ano que vem.

Cinelândia
café: R$2
Querida Clara, estamos padecendo de coisas parecidas. Obrigada por ter dito o que eu fico com o maior medo de me dizer até, eu não falo com ninguém, ou falo, falo, mas não tem sido mais a mesma coisa porque não consigo mais me lembrar como era aprender a ouvir o que dizia a minha boca, a própria. Assim, se você diz....
Lembrei no ônibus que, sem tesão, não dá nem pra chupar um picolé.

Casa
Cheguei e tava rolando uma discussão. Acho que todo mundo tem o direito de salvar o casamento embora ache bizarro que aquele cara do Hitman mantenha os órgãos do seu irmão gêmeo siamês morto, e que tenha de arrastar o cadáver pra qualquer lugar que vá. Tudo bem, ele é o vilão da história.
Gosto de escrever o musical, gosto mais do sentido que do percebido; é como não lembrar de como foi fazer o amor, só reter os gostos, as sensações. Rodar, rodar e, de repente, você não se lembra porque está sem calcinha. Acho isso bonito.

Roteiro carioca de encontro

1. Central do Brasil
2. Arquivo Nacional
3. Campo de Santana
4. SAARA
5. Móveis e tecidos orientais
6. Real Gabinete Português
7. Hotel Paris
8. Sêbo
9. Carioca
10. Lapa
11. Despedida que a gente fica muito puto e triste porque tem que dar






n. do n.

Nada soa mais falso que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama do círio. (Nelson)

na chama do círio!! hahahaha galhofice, galhofismo. get the picture? - in technicolor



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Quantum é um conceito utilizado pela física quântica e pela mecânica quântica para designar a menor, a indivisível parte de um fenômeno quantitativo que, mesmo sendo pequeno, mantêm todas as características daquele mesmo fenômeno.

Para muitas correntes da psicanálise, todo sintoma causa um trauma que encerra os elementos do trauma principal que desencadeou a neurose. Isso quer dizer, mais ou menos, que investigando a agonia de uma pessoa que não consegue atravessar a rua no momento em que ela precisa realizar essa tarefa, é possível investigar o que causou tal limitação.

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A mente é como um iceberg, acreditava Freud. O consciente fica ali aparecendo na superfície enquanto todo o resto, nossa memória esquecida, forma uma coisa submersa que é gigantesca, e que está submersa, perigosamente fascinante. Ainda assim, a ponta está lá aparente e guarda as informações sobre o invisível.

Nisso tudo estão os sonhos. Confusos, pequenos acasos, digestões do cotidiano que às vezes são tão estranhos, as situações podem ser tão absurdas e não fazemos ideia de porque aqueles objetos estão ali juntos. Os sonhos são uma digestão das nossas memórias, das informações que engolimos dia após dia e que formam imagens, sons e sensações necessárias para a manutenção do nosso cérebro, mas são também o campo de manifestação da parte de nós que está no fundo do oceano do que queremos esquecer, do que nos perturba.

A comunidade Quantae no Flickr, foi criada pela italiana Daniela e busca reunir imaginários e fragmentos do inconsciente, fotografias feitas de propósito ou ao acaso que trazem à tona a junção inconstante e às vezes incompreensível de objetos e impressões. Hoje a galeria conta com mais de 9,500 imagens; capturas altamente criativas que nos levam a alguma concretização das nossas loucuras sonhadas, além de nos deixar ver um pouco dos resgates obsessivos dos próprios fotógrafos. Toda seleção de lembrança é um quantae do esquecimento.


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esse escrito foi publicado originalmente in: OBVIOUS. para outros artigos meus por lá, v. colaboradores/prill


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Relacionamentos são como carregar sacolas do supermercado até em casa, e você mora tão longe...
As sacolas pesam pouco, você percebe que elas pesam, mas então pesam pouco e você consegue carregar. O que você comprou? Você tinha o que precisava para uns 15 dias ou para todo o mês? Um peso que você poderia carregar e você irá porque está à pé. Na vida a gente está sempre tendo de, invariavelmente, andar à pé.
Penso que o único meio de locomoção que se encaixa em toda uma existência são os ônibus. Relacionamentos não te deram um trocado para a passagem nenhuma vez. Talvez 50 reais inteiro mas estar junto é o que mais há de feriado: as lojas não abrem, as que abriram vendem coisas que o que você tem não vai conseguir negociar por - os vendedores trabalham em média 8 horas por dia, mas muitos fazem horas extras e não vão trocar o seu dinheiro porque estão cansados e porque realmente não têm nada a ver com isso
.

As sacolas pesam pouco no início, mas os sinais estavam todos lá. Uma hora da tarde, sol, chão de terra e ela larga um pouco as sacolas no chão, esfrega a mão, as mãos são tão vermelhas que se dobraram em marcas dos sacos plásticos; permanência dos sentidos. Você para. Não é possível uma força que dê conta de certos pesos quando se planejou ser um longo caminho, planejamento sobre o suposto esperado, areia. Num relacionamento se sai das compras com sacos mais ou menos pesados, mas são carregáveis, a caminhada em cima do amor é sempre tão longa, é um campo minado que nunca ouvi falar.

As peças eram pequenas e o céu de um azul limpo 

[ o céu nunca pode permanecer muito tempo, eu preciso muito que ele caia às vezes
que ele caia em mim
distinguem-se você e a sua espada
eu sou à queima roupa a necessidade do golpe


Esse vídeo é muito bonito e a letra da música pode ser sobre os sinais confusos que ficam reconhecíveis quando o tempo deixa aos poucos duas pessoas em um silêncio que é quando o peso fala.
É uma música linda, o vídeo também. Ane Brun: The Puzzle (o que escrevi as vezes toca a letra.

limão é

  • Priscilla Santos


    um fruto do limoeiro pra entregas rápidas. traz a pessoa amada em três dias

    Rio de Janeiro, Brasil.
  • www.flickr.com


  • verbeatblogs.org