O Amor e a Vida em Ciclos Intermináveis

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Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes Del Círculo Polar, 1988 - ESP)

Sabe aqueles filmes que seu desejo é de que eles não terminassem nunca, e você pudesse passar o resto da sua vida acompanhando os destinos das vidas de seus personagens. Esta é a sensação que o filme de Julio Medem me causou. O ritmo narrativo é despojado, solto, sem deixar de ser lírico (dois narradores é uma jogada muito inteligente e condizente com o ritmo empregado, um dos grandes trunfos). O filme é um grande palíndromo, e sua estrutura circular completa a composição para que as deliciosas coincidências possam causar esse efeito de leitura de frente para trás com o mesmo resultado (inclusive os nomes dos personagens são palíndromos). Tantos momentos tornam-se nostálgicos na memória, como os aviões de papel, ou a bola de futebol, ou ainda o esconder-se pelado debaixo da cama.

E assim acompanhamos desde muito pequenos, o romance de Otto (Fele Martinez) e Ana (Najwa Nimri), e não é somente a história de um amor, mas das riquezas e complexidades que permeiam nossas vidas. Da emoção do amor infantil, do desejo da relação adolescente, das dificuldades infindáveis na vida adulta. E a escolha das profissões, o relacionamento com pais, madrastas e etc. Resumindo, Medem preenche todos os ciclos da vida, e faz de forma inesquecível, cuidando caprichosamente de um roteiro formidável, inteligente, que culminando no Ártico com a história do lendário Otto reafirma que a vida está recheada por coincidências que podem mudar completamente nossos rumos, e que no fundo estamos o tempo todo encerrando um ciclo para iniciar outro.

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