deus como jesus

no bom e velho BURACO, subi num palco graças a JAYME LONDRINA & uma babaquice que ACORDAMOS. interlúdio da banda e, após quantidades CONSIDERÁVEIS de cerveja, cachaça & cigarros, me vi murmurando "filho da puta" ao amigo antes de me posicionar, regular o microfone & pedir por uma BASE BLUES àqueles caras que eu nem conhecia.

isso, dois dias atrás. mas essa porra toda vem de antes, mais de ano, sei lá; de um CD da revista TRIP do já distante ano 2000, coletânea CEP 20.000, indicação de el_rey. acabei decorando & recitando algumas coisas em mesas de bar por aí, mas nunca com um microfone ligado & platéia maior que meia dúzia.

mas daí começou o BLUES, e então eu disse pra todo mundo o que me acontece quando fico de pau duro. gracias, CAZÉ PECCINI.

EPIC SHIT.

witchcult

[dia 29/12: "um surrealista escreveu no meu pau"]

JIMMY tirou da mochila um vidro com líquido ROXO embalado numa sacola plástica laranja: chá de cogumelos. com suco de uva. pouco mais de meio copo para cada um. aí nos mandamos pra rua, pra trégua da chuva, pra uma pracinha calma pra discutir - entre outras coisas - TARÔ.

nada muito mais forte que um bem estar & gargalhadas fáceis, no entanto. o misticismo do carteado tornou-se EXISTENCIALISMO NIILISTA e aí a única saída foi procurar um boteco pra tomar uma dose. eram umas quatro da tarde: cervejas, doses, histórias que acabavam nos induzindo TRANSES & dilatação temporal; doses, cervejas, conversas & nos mandados sem rumo.

esta é uma bela cidade. sensação constante de "quinze anos atrás". as fachadas antigas descascando e as novas, de mau gosto irônico. tudo muito calmo, tímido, CASTO. alcoólicos anônimos sob a igreja do rosário, entrada na lateral, reunião às 20h; entramos. um ex-alcoólatra cuidava do local & nos explicou como a coisa toda funcionava. o rosto magro & seco me chamou a atenção. assinei como DOUTOR SAX num livro aberto (A.A., pois não?). aí viramos a esquina pra entrar na igreja, pra sentarmos nos bancos, pra sussurar feito reza o CUT-UP que fiz com o folheto das cantorias que nos entregaram. para sermos massacrados pela poluição visual daquele EXCESSO de simbolismo. entramos para poder sair.

perambulações & CACHAÇA ao anoitecer.
íngrime decadência psicoativa
pelas ladeiras inevitáveis,
pelo silêncio provinciano
no qual fincávamos o CAJADO
repleto de frases & registos:
um cilindro de papelão maculado
pela esferográfica azul;
ESTANDARTE ÁGUA-ARDENTE.
embriaguez eminente.
FÁCIL.

e então eu estava completamente bêbado, chato, riscando o verso do papel da igreja com palavras ilegíveis, rabiscos de catarse falsa & estúpida; torcendo pano seco. aquela merda que se faz quando você acha que pode forçar alguma espontaneidade. não pode. nunca pode. ao menos, no dia seguinte, não compreendi grande coisa do que rascunhei ali. tanto melhor. nos separamos e fui sozinho subir um morro, depois outro, e mais um: praça central, bancos vazios & um sujeito me observava desconfiado da janela de seu sobrado, envolto numa penumbra que julguei densa demais.

perdi a consciência enquanto o encarava.
adormeci profundamente no banco da praça.
[lacuna temporal indeterminável.]
voltei pra casa.

~

[dia 30/12: bohemian polka]

THIAGO surgiu fumando depois da chuva.
carro aberto, três junkies adentro.
um fardo de cervejas naquela praça
onde tudo começa.
eterno retorno.

a erva rolou pela esquerda.
duas voltas.
e a cerveja,
até acabar.

bebemos mais, margeando o lago, depois de comer uns lanches por um preço pouco razoável. e àquela hora a única opção possível era a inevitável CERVEJA COM FORRÓ. acatamos. CONSPIRA-SE em qualquer ambiente com o ADVENTO de bebidas alcoólicas & na companhia de grandes comparsas, que era o caso.

uma grande noite, portanto.

~

[dia 31/12: so what]

vinho & champagne.
e mais vinho.
2010.

~

[dia 01/01: sorriso]

noite deserta.
tudo fechado.
cerveja cara.
outra rodada de conversas memoráveis.
bebemos as sete últimas garrafas do bar.
aí nos mandaram embora.

~

[dias 02 & 03/01: simbolismos; dia 04/01: madrugada]

"pero que las hay, las hay."

balanço

2009: EPIC.

[...]

sem mais.

the dada machine: dead dog blues

pela primeira vez estou fazendo uso SÉRIO de uma série de scripts que vim escrevendo para emular CUT-UPS, randomizar algumas coisas & ADUBAR idéias. é uma experiência muito interessante, mesmo sendo pouco produtiva (por motivos óbvios).

mas, antes disso, a motivação me surgiu do acaso, de um monte (muitas mesmo) de linhas desconexas que fui vomitando ao longo do mês de novembro enquanto CACHIMBAVA uma certa planta & ingeria álcool até diluir toda minha coordenação motora - desnecessário dizer que o resultado disso é uma grandessíssima merda, completamente ilegível, mas estamos aqui falando de INSPIRAÇÃO e não de "versões finais" ou etc.

agora, junte todas essas milhares de frases aleatórias & aplique algumas doses de dadaísmo.

DEAD DOG BLUES: imagens & passagens curtas, flashes diversos, trechos de músicas e até mesmo alguns traços de personagens. tenho a impressão de que, pela diversidade do INPUT, o output daria um ROTEIRO melhor que um CONTO. e cheguei a rascunhar algo híbrido, ou melhor, tentei encadear - de modo não-linear - tudo o que pude extrair e por ora estou quebrando a cabeça com este MONSTRO que criei.

também já retalhei a maioria dos meus textos em busca de mais INSUMOS & escrevi um outro script para buscar imagens (flickr & google imagens) com base nas palavras-chave que extraí com outro pequeno script. é algo bastante trabalhoso, mas amplia teu horizonte de referências, nem que seja para descartá-las depois. o verdadeiro trabalho braçal, no entanto, é reler tudo (sempre), escrever pra caralho, pescar o que presta & voltar a escrever.

não sei no que vai dar, mas algo sai.

compartilho despues.

haikai #6: santo forte

voam garrafas.
chove cachaça.
graças a deus.

steiner #5

eu devo ficar totalmente só no mundo, apenas eu, Steiner, e nenhuma outra coisa viva. sem sol, sem cultura; eu mesmo, nu em uma rocha nas alturas, sem tempestades, sem neve, sem barreiras, sem dinheiro, sem tempo, sem respiração. então, ao menos, eu não teria medo.

melhor documentário.

retiro san paolo

digo apenas que precisei deixar curitiba pra conseguir PENSAR um pouco melhor. as coisas iam se acumulando e passando umas sobre as outras; embolando-se, confundindo-se. (só não me valho da velha metáfora da bola de neve pra não corroborar com a fama forjada da "cidade fria etc"; especialmente nessa época ESCALDANTE do ano.) fui criando CAOS no quintal que não possuo & ele tomou conta de tudo antes que eu pudesse fazer algo quanto a isso.

normal.

o que, em partes, justifica TANTO silêncio por aqui - ainda que haja outras PARTES mais explicativas que eu prefira omitir; e ainda que muito esteja preso aqui na garganta. e não que eu realmente ache que eu deva me explicar ou me demorar muito com justificativas. MAS.

mas o fato é que o interior de SAN PAOLO é minha reabilitação. meu retiro de calmaria (& calor) & comida boa & descanso. mesmo o tédio daqui é melhor que o de lá. quer dizer, na maioria das vezes, é mais PROFÍCUO.

acho que deve ser porque penso melhor através de janelas & por aqui há várias. enquanto que no meu canto curitibano todas elas (três) miram para o mesmo lado (oeste). sem contar aquela janela do ônibus, a que mais me dá corda na cabeça com tanta coisa passando do outro lado, e através da qual olhei durante horas: sempre me causa algo - nunca enjôo (apenas uma vez, quando criança).

não sei até quando fico, mas sei que, por melhor que seja, tão logo chego, tão logo quero me mandar. também é normal. não consigo ficar num mesmo lugar por muito tempo. nem que eu tenha de andar de um lado para outro, pois realmente não dá.

creio que aos poucos eu vá retomando o hábito de dizer algo por aqui. mas minha meta é vencer uma certa pilha de livros & tocar alguns PROJETOS. espero ressurgir de vez em quando com boas novas; e tomar uns porres há muito devidos com os camaradas.

e transcrever umas idéias.

e sacar algumas coisas.

retiro san paolo, dia #1: REDENÇÃO.

infusões

e numa dessas de sorver mate SOLITO, recorri ao Jayme Caetano Braun pra GAUDERIZAR o momento & só aí fui perceber/lembrar que a faixa #2 do POEMAS GAÚCHOS chama-se AMARGO, um ODE AO MATE que, desde então, é INTRUSA obrigatória em qualquer que seja a playlist enquanto esquento a água e/ou vou tomando os primeiros goles. reverência necessária. engrandece a ALMA & me faz querer ter um CAVALO pra TROTAR por aí assim que a VELHA INFUSÃO GAUCHESCA finda.

ou.

brawlers, bawlers & bastards

orphans no shuffle, marlboro em seqüência, mate & cuia em repetidas oscilações hidro-escaldantes garganta adentro & garrafa afora. marxismos xerocados, empilhados, fracionados ou integrais, em A4 ou à vista em brochura & capa mole: acumulam-se entre lidos & por ler. sono parcelado, fuso horário indefinido, interlúdios alcoólicos & freqüentes andanças por corredores vazios & prateleiras cheias de livros ou comidas; aspirações devoradas por casualidades quaisquer, estopins & estalos & faíscas metronometricamente espaçados como compasso de dança cuja aleatoriedade dos passos/espaços ainda me dedico a dominar.

três coisas de que um homem precisa: fé, prática & sorte. isto, segundo bukowski. e o primeiro terço & quatro quintos de sexta em, respectivamente, cama & álcool, pois sábado aglutina-se silenciosamente no embalado de quando há muito pra beber e certa matemática pra fazer qualquer sentido.

[ & três coisas de que um homem NÃO precisa: prometer, planejar & privar-se. isto, eu mesmo o digo - ou rezo, pratico & aposto. ]

mas se há algo digno de nota - mesmo ou quase - é que ando. não por aqui, mas por aí, em repetições & arritmias, em atalhos falsos & caminhos que dão voltas, mas não me perco assim, tão completamente.

melhor (des)dizendo: ando disperso, distante, descrente, de meias, de lado & depressa. deitado, até. mas disperso de ônibus e de longe, disléxico; ou difuso, descuidado, de dar dó. digo que disto do ponto dez décimos da distância da PONTA derradeira e desço devagar na demência diária & pleonástica do dia-a-dia desregrado, donde (donde mais?) destilo desejos (quaisquer) em destroços de delírios desprezados.

e tal.

ou: ando ocupado & sem tempo, atarefado & bêbado, jogando dados por aí.

então, façamos assim: vou ali & volto logo. "i need to see a man about a dog."

mas não precisa esperar por mim.

como se dar bem em buenos aires

pequeno roteiro/resumo proveniente de minha estada de uma semana na capital dos HERMANOS. sintetiza bem (quase) tudo o que fizemos por lá. siga & vença. não tem erro.

1. NÃO planeje a viagem: compre as passagens mais baratas possíveis com DOIS dias de ANTECEDÊNCIA.

2. fique num albergue.

3. QUILMES DE LITRO. (várias.)

4. tenha CARA DE BÊBADO, pois isso SEMPRE atrai outros bêbados & junkies em QUALQUER lugar e vai te garantir MUITAS histórias pra contar depois.

5. QUILMES DE LITRO. (outras tantas.)

6. no meio da madrugada, jogue sinuca sozinho e vença por SEIS partidas seguidas contra adversários estrangeiros de pelo menos DOIS CONTINENTES.

7. aposte com o cara do bar duas QUILMES DE LITRO que o brasil ganhará o jogo contra a argentina. após a vitória & bastante tiração de sarro, beba de graça.

8. ande aleatoriamente pela cidade a QUALQUER hora do dia. (vide item 4.)

9. perca quase todos os cafés da manhã que estão inclusos nas diárias. menos o do último dia, que você DEVE tomar porque virou a noite em PORTO MADERO completamente bêbado com medo de dormir e perder o vôo que sai logo mais.

10. NÃO perca o vôo de volta.

11. CACHAFAZ. (& mais QUILMES DE LITRO.)

12. ...

13. VENÇA.

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