setembro 2007

As Garotas de Israel

O governo israelense surgiu com uma campanha sensacional para alavancar o turismo na região e tentar desvincular a imagem do país das guerras e conflitos constantes na região.

Isso aí. Belíssimas garotas de biquíni estampando revistas e desfilando nas praias do mediterrâneo graças a tanques de guerra, bombas e mísseis, terra roubada e corpos de palestinos! Eia!

Infâmia

Eu estava aqui sem ter o que fazer e resolvi perambular pelas tags do WordPress. Aí, após alguns segundos, estou me perguntando, um tanto revoltado, que tipo de ser humano é capaz de classificar um post sobre o final de alguma novela (que deve ter acabado essa semana, pois vi muitos posts sobre isso por aí) como "cultura"?

Tenha dó. Até perdi o tesão...

E o Google Reader me deixou na mão...

Creio que dentre o restrito universo de pessoas errantes que, sabe-se lá por qual motivo, caem aqui, uma ou outra, mais curiosa, deve ter notado que o link para as minhas leituras do Google Reader aponta apenas para um "server error".

Pois bem, acontece que há uma semana (se não me falha a memória), meu Google Reader caiu num eterno "loading": depois que aparece a barrinha de opções no topo, surge uma caixa amarela avisando-nos que a página está sendo carregada. E as coisas, para mim, se encerram por aí.

Pesquisando um pouco, descobri que o problema é generalizado e acontece se você assinava um feed de outro usuário do Google Reader que cancelou a conta ou algo similar. Isto é, se você estava assinando o feed do sujeito (as leituras dele) no seu Google Reader e ele resolver sair do serviço, já era.

No (more) donuts for you.

Como eu tinha o OPML dos meus feeds, importei-o em um outro leitor de RSS e vi que realmente o feed de um dos usuários não funcionava mais. E se você conhece o sujeito, não adianta pedir pra ele voltar com o feed dele, pois o estrago já está feito. Segundo o grupo oficial de suporte do Google Reader, esse bug horroroso ainda não tem correção. E a equipe do Google, aparentemente, tem ignorado os pobres coitados como eu.

Não estou dizendo tudo isso para que meus poucos visitantes se sensibilizem com minha causa (seria até engraçado deprimente receber comentários do tipo "Força, cara! A vida continua"), só estou falando tudo isso para que não digam que não avisei. Também não estou sugerindo que cancelem todo e qualquer feed de usuários do Google Reader, mas que dêem um jeito de se prevenirem vocês mesmos, pois já não estou no mesmo barco. ;)

(O meu feed ainda funciona, como é possível constatar aí ao lado. O único inconveniente é que a partir de agora ele não será atualizado tão cedo...)

Enfim, como não encontrei ninguém (além do grupo de discussão que citei) reportando este problema, resolvi fazê-lo. E eu agradeceria sugestões a respeito.

* * *

Mudando radicalmente de assunto e aproveitando este "rodapé" do post, dediquei os primeiros dias da semana para disponibilizar mais alguns artigos do Hakim Bey. Dêem uma olhadinha lá.

* * *

E viva Johnny Winter.

Hakim Bey e Meu Espasmo Filantrópico

Pois eis que nesta madrugada fui acometido por um espasmo agudo e excessivamente benévolo, estranho ao meu ser, que plantou em mim uma idéia simples que exige apenas um pouco de esforço braçal deste que vos fala para proporcionar a felicidade geral dos leitores errantes e dos piratas ávidos por conteúdo.

Hakim Bey

Explico: estava eu procurando alguns textos do Hakim Bey, pois tinha lido uns dois pela manhã e me interessei (e você já deve ter ouvido falar), e constatei que há cerca de uma vintena de textos traduzidos e espalhados por aí com formatações diversas & caracteres desnecessários (como este que acabei de usar).

Então resolvi gastar uma (grande) porção de minha madrugada para disponibilizar esses textos que encontrei com uma formatação simples e de leitura mais agradável (HTML sem frescuras e uma versão bonitinha em PDF para impressão).

Os textos que reuni são praticamente os mesmos disponíveis aqui, só que traduzidos por algumas pessoas infinitamente mais "filantrópicas" do que eu ou você. Não sei quem são, mas mantive os devidos créditos nos textos que os possuiam. Quem souber quem foram os camaradas que traduziram os outros textos sem crédito, por favor, me avisem.Há, para os interessados, uma comunidade no orkut chamada Hakim Bey da Silva que visa unir o pessoal para traduzir os artigos do cara.

E para não dizer que estou apenas copiando os movimentos mecânicos do meu xará primata daquela famigerada propaganda, estou, também (e aos poucos), revisando e recolocando as marcas (negrito, itálico, ênfases, etc.) originais de acordo com os artigos em inglês, que acabaram por se perder na tradução.

Pararei com a enrolação: os textos estão aqui. Nos próximos dias adicionarei mais uns outros e ao longo da semana irei revisando-os. Espero dar cabo de todos eles o quanto antes (e o conteúdo interessante é um bom incentivo).

Enfim, se eu não me cansar e/ou não me livrar deste espasmo que me indispõe para a bondade, tenho mais algumas idéias vagas que podem vir a dar certo...

Contra o REUNI

Há alguns dias descobri que o pessoal de Nutrição aqui da UFPR fez uma música para protestar contra o REUNI. Segue o vídeo, e para quem quiser a letra basta seguir o link que ela está na descrição lá no YouTube.

Link para o vídeo

Budismo Moderno

Eu pretendia extender o post anterior e tentar transformá-lo em uma continuação do artigo que deu origem a ele, mas eu, durante a escrita, desisti da idéia. Essencialmente por pura preguiça.

Entretanto, eu pretendia postar um poema no meio do artigo e como este ficou só na idéia, aquele por pouco me escapa da memória. Ei-lo:

Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

Budismo Moderno, Augusto dos Anjos.


Em verdade, lendo-o pela terceira ou quarta vez agora, percebo que ia postá-lo justamente pela primeira estrofe, que faria parte da minha argumentação já esboçada lá no outro artigo.

Enfim, pararei de falar de coisas que poderiam ter sido e não foram. O que importa aqui é que estou tentando remediar a situação com um belíssimo poema. E quando, um dia, eu fizer (ou deixar de fazer) algo que se revele praticamente imperdoável ou terrivelmente constrangedor, postarei Os Doentes. Sei que me perdoarão. Melhor ainda se os versos fossem meus, pois aí eu não precisaria de uma desculpa para usurpar a criação alheia em momentos ignóbeis como este...

A desculpa, neste caso, é que o Eu e Outras Poesias é o que se pode chamar de meu livro de cabeceira. E por isso, por vezes, sinto impulsos fortíssimos em citá-lo ou comentá-lo. Acho genial e não me canso. Espero que me compreendam.

...

Escrevi escutando Patti Smith, Horses (1975).

E acabo de descobrir, ao fazer o link para o artigo na wikipedia, que é possível um ateu casar-se com uma testemunha de Jeová. E embora não haja mais menções sobre o casamento, ao que parece deve ter dado certo. Os opostos se atraem, não? (Ok, esse caso é um tremendo exagero e deve ser único na história humana).

...

Para celebrar essa semana politicamente exemplar, segue um vídeo muito bem bolado (parece que é de alguma faculdade, mas há apenas uma propaganda no final. Vá entender):

O Fenômeno da Autópsia

Surpreende-me o fato de que 38% das pessoas que encontram a Catarse Elétrica via Google chegaram até ela por meio de palavras-chave relacionadas não à textos, contos ou qualquer outra coisa, mas à autópsia.

Verdade, eu fiz as contas. Todas elas caem no artigo O Véu da Autópsia, que eu havia escrito inspirado pelo filme "The Act of Seeing with One's Own Eyes" (1971) do Stan Brakhage.

Os termos de busca ilustram bem essa curiosidade que as pessoas têm sobre a morte e, em especial, cadáveres. Há coisas como "autópcia - conceito" (sic), "ver imagems real de uma autópsia no corpo humano" (sic!) e "cenas de autopsia" (campeã disparada em número de pesquisas) mostram que o que se busca mesmo é o registro, isto é, fotos e vídeos.

A internet é uma ferramenta sensacional, mas o uso que se faz dela é no mínimo curioso. Será que estas pessoas teriam tanto interesse por essas coisas a ponto de irem buscar informações/conteúdo na vida "real", ou seja, ir atrás desses filminhos bizarros ou (por que não?) visitar mesmo um necrotério?

Provavelmente seria uma experiência muito mais interessante e elucidativa do que ver tudo isso através de um monitor pequeno e estático...

Brincando com o Yahoo! Pipes

Hoje resolvi brincar um pouco com o Yahoo! Pipes e percebi que a idéia é muito legal mesmo. Basta entrar (precisa ter um login no yahoo) e serão apresentados dois vídeos demonstrativos sobre o serviço. A interface é bastante intuitiva e te dá ferramentas para fazer uma infinidade de coisas com seus feeds e sites favoritos.

Acabei fazendo um pipe que une os feeds dos meus dois endereços, em ordem de publicação, num feed só. Para quem quiser o RSS, cá está.

E, como você deve ter notado, também dá pra compartilhar suas obras de "engenharia de informação".

Para quem assina diversos feeds (eu) ou está interessado em filtrá-los por temas ou outro parâmetro qualquer, o Yahoo! Pipes é uma mão na roda.

Malandragem Nonsense

Recebi por meio de um amigo uns dias atrás e nem imagino de onde seja ou qualquer outra coisa a respeito.

Eu acho sensacional.

Malandragem Nonsense

Idéias?

O Conteúdo deve ser Livre

Existem coisas que nós fazemos da pior maneira possível e sequer notamos os problemas que estes hábitos acarretam. Ou melhor, na maioria das vezes criamos, mesmo que involuntariamente, estes problemas para os outros e não para nós mesmos (a não ser que você seja um masoquista que goste de criar problemas para aumentar o seu sofrimento).

Fetiches à parte, vou (mais ou menos) direto ao ponto: disseminação conteúdo.

Você, leitor, suponhamos, escreve algo genial e resolve publicar para o mundo. Perfeito. Vai lá, abre o Word escreve tudo bonitinho e manda para os seus colegas, anexa em emails ou coloca em seu site/blog para download. Certo?

Espera-se que o conteúdo seja acessível por todos e justamente por este nobre motivo é que o leitor, em nossa suposição, divulga das formas citadas acima aquilo que acabou de criar. O problema é que eu, ao obter uma cópia deste arquivo, não poderei visualizá-lo a não ser que eu me valha de uma cópia Office e, também, do Windows.

Você me dirá, então, que todo mundo tem esses softwares em seus computadores e isso não é problema.

Bem, eu não tenho. Nenhum dos dois. É justo que, por ter optado ficar longe de programas de baixa qualidade como os que citei, eu não possa acessar o conteúdo?

Eu sei que há uma parcela de exagero (justificável!) em meu discurso e que eu consigo, de fato, visualizar a grande maioria dos documentos veiculados em formatos proprietários por meio de programas livres como o BrOffice ou aplicativos online como o Google Docs. Ainda assim, há recursos específicos ou mesmo padrões internos que não são reproduzíveis por quaisquer outros programas senão o próprio Office. O que, neste ponto, deixa de ser um problema só meu e passa a ser também do próprio autor que terá seu conteúdo visualizado de forma pouco satisfatória ou mesmo errada. E como dizem por aí aqueles ditados sobre a primeira impressão ser a mais importante e a que fica eternamente registrada em nossas retinas, bem, isso passa a ser desagradável para ambas as partes.

E este problema é extensível para quase qualquer mídia. Coloque um vídeo em seu site num formato do Windows (wmv) e garanto que alguns não conseguirão assisti-lo.

Um exemplo perfeito disso é o site Porta Curtas, patrocinado pela Petrobrás e que está lá funcionando, também, por meio da Lei de Incentivo a Cultura, do Ministério da Cultura. Ou seja, dinheiro público patrocinando uma empreitada cultural e importante como essa.

Agora eu pergunto: onde está o propósito em utilizar um dinheiro que é de todos se a forma pela qual o conteúdo é veiculado impede que uma parcela considerável da população possa acessá-lo?

Eu me sinto frustrado por não conseguir ver um vídeo sequer daquele site. E há muita coisa boa por lá.

(Tá, com um certo esforço e conhecimento dá pra acessar. Porcamente, mas dá. A questão é que a maioria das pessoas não tem muita habilidade nesse meio e simplesmente são privadas da informação, que deveria estar disponível para qualquer um)

Eu tenho liberdade para escolher o sistema operacional e os programas que rodam em meu computador. E é justamente por isso que existem formatos padrões que qualquer máquina minimamente utilizável é capaz de entender. Tomemos como exemplo este próprio blog: você está lendo e vendo tudo direitinho, não? Pois é, é por que há um padrão (em verdade, vários) que todos os navegadores precisam entender para te mostrar as páginas que você visita.

Convencidos?

Pois bem, não peço que arranquem brutalmente o Windows e o Office de suas máquinas (embora isto fosse desejável e benéfico para toda a humanidade), mas que apenas tenham consideração pelos outros e consciência de que nem todo mundo terá acesso à formatos proprietários que, apesar de serem extremamente populares e, por isso, alguns até concluem que sejam padrões para documentos, só existem para perpetuar a necessidade de utilização de determinados softwares pagos e o monopólio induzido por estes.

OpenDocument é o padrão para documentos, por exemplo.

No entanto, você pode ainda usar o Word da mesma forma como sempre usou, basta não salvar seu arquivo como doc e optar por outros formatos de documento como o RTF, que apesar de ser da Microsoft é legível por qualquer processador de textos decente, ou mesmo exportá-lo para PDF, o que assegura que ele será visualizado exatamente da mesma maneira por qualquer um.

E outra, formatação de texto é um negócio geralmente desnecessário. Se você quer escrever um pequeno poema ou alguma coisa que não exija letras coloridas e mau gosto, basta simplesmente abrir o Bloco de Notas ou equivalente e salvar como texto plano (txt). Quase qualquer coisa dotada de um monitor é capaz de reproduzir texto puro e simples. Outra vantagem é que se trata de um arquivo mínimo e que contém somente o conteúdo, mais nada, ao contrário de outros formatos que carregam consigo muitas outras informações e são, por isso, bem maiores.

Como, então, divulgar vídeos? Mande para o YouTube e pronto. Senão basta salvar como MPG ou AVI e evitar o famigerado wmv. Isso é um grande favor que se faz para todos nós.

A questão aqui, como eu já disse, é garantir que qualquer pessoa tenha acesso ao conteúdo da forma como ele foi concebido e sem mais complicações. O conteúdo deve ser livre e, para isso, é preciso saber qual é a forma correta para veicula-lo. Não sigam o mau exemplo do Porta Curtas e de tantos outros por aí (aliás, se alguém souber de um bom site de curtas com o conteúdo acessível, eu agradeço).

Mais links sobre o assunto (em inglês):

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Um artigo similar que escrevi: Alzheimer Digital.

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