novembro 2007

Curta de Quinta - Veja Bem

O Curta de Quinta desta semana chama-se...

Veja Bem

Enquanto o vídeo carrega...

Este é um curta-metragem do Jorge Furtado, feito em 1994, que consiste em diversas imagens, animações, notícias de jornal e simbolismos acompanhados pelas vozes de Lisa Becker, Roberto Birindelli e Carlos Cunha, que nomeiam esses fragmentos da vida urbana e recitam versos num ritmo rápido enquanto as imagem se alternam e se repetem.

Laços (frouxos e sem graça) na final do YouTube

No fim de setembro deste ano, o YouTube lançou um concurso de curtas chamado Project Direct, cujo objetivo é escolher os melhores filmes de ficção produzidos pelos usuários -- com no mínimo 2 e no máximo 7 minutos de duração.

O período para enviar os curtas terminou no começo deste mês e o pessoal do projeto escolheu os 20 melhores que agora estão participando de uma votação por parte dos usuários do site. O vencedor ganhará uns 5000 dólares e um convite para um festival de cinema em solo ianque.

Pois bem, eu não estava acompanhando o concurso, mas segundo a Folha, dentre os 20 finalistas, há um único filme brasileiro, chamado Laços (ou "Ties", para os mais chiques. É esse que está aí em cima). Deve ter sido difícil chegar até lá, eu pensei, mas daí eu continuei lendo a matéria e uma coisa me incomodou um pouco:

Flavia Lacerda [diretora do filme] trabalha como diretora de novelas e programas da TV Globo, tendo no currículo produções como a série "Sexo Frágil" e a novela "Belíssima". O roteiro é de Adriana Falcão, que também trabalha para a Globo e atualmente escreve roteiros para "A Grande Família".

Opa! Profissionais globais brincando no YouTube? Não seria uma disputa ligeiramente desleal com os outros reles usuários?

Daí fui ver o bendito filme -- e aconselho que você o faça agora, antes que eu comece a falar e acabe com a pouca graça que ele tem -- para tirar a prova dos nove.

O curta começa com uma garota bem bonitinha, que é a filha da roteirista e quem teve a idéia de fazer o filme -- e se eu quisesse ser mais maldoso, poderia dizer que foi ela, também, quem foi pedir um roteiro pra mamãe --, correndo com certo desespero pela calçada.

E o ponto alto do filme é esse mesmo. Não só pela cena da fuga, que é razoável, mas porque, enquanto ela corre, aparecem alguns créditos, entre eles o da trilha sonora: uma música chamada "Australia" que, segundo consta, foi composta e interpretada pela atriz. Embora não faça o meu estilo, ponto pra ela.

O curta perde a graça depois do primeiro minuto. A música acaba, Clarice volta para pegar uma das incontáveis de rosas que foi deixando cair pelo caminho e, quando vai retomar o sentido de sua corrida, um susto!, dá de cara com um estranho.

Começa então um diálogo digno de filmes melosos, daqueles que dificilmente aconteceriam no mundo real e que nos revelam que a roteirista não quis fazer algo verossímil, mas sim flertar com diálogos mais, digamos, pseudo-filosóficos.

Clarice até que interpreta mais ou menos bem sua personagem, mas seu companheiro não. E fica daquele jeito: enquanto eles repetem o que está no roteiro, dá até pra ver os clichês no canto da tela esperando para entrar em cena.

A história, em resumo, é que o sujeito quer que alguém dê um nó em sua gravata pomposa enquanto ele fica repetindo metáforas sobre laços, vida, tristeza, etc. Ela, que está fugindo do funeral do pai, se sente tocada pelas frases do rapaz e vai amolecendo.

Uma coisa que incomoda, além da sensação de "mais do mesmo", é a repetição excessiva do mesmo tipo cena: eles vão andando pela calçada e um deles pára. O outro dá mais alguns passos adiante e pára também. Daí este volta até aquele, falam mais besteiras e continuam a andar. E, em alguns segundos, tudo isso acontece de novo.

O final é bobo demais e me recuso a falar sobre ele.

Ao menos meu incômodo inicial se desfez: apesar de contar com profissionais, o filme é muito fraco. A parte triste é que se isso é o melhor que nossos conterrâneos conseguiram fazer, estamos com problemas. Mas por alguns filmes que já vi e que venho mostrando aqui nas últimas semanas, penso que a seleção do concurso deve ter sido ruim e que o pessoal realmente bom não quis se enfiar nessa.

Não vi os outros 19 finalistas e confesso que perdi o interesse em fazê-lo. Os comentários no YouTube sobre o "Laços" são bem desanimadores, com confissões de gente que diz que achou o filme lindo, excelente, genial, extraordinário e que até chorou (!!!). E não estou exagerando, tudo isso está lá mesmo.

Por fim, destaco um dos comentários brochantes que vi agora:

Parabéns! vocês foram geniais, mostraram para esses depravados do cinema nacional que vídeo depende de criatividade e não da sexualidade.

Tenha dó, hein, rapaz...

Vodka no Trabalho!

O trabalho é uma doença e o álcool é o único remédio*. Use esta frase como mantra. Agora veja esta excelente propaganda:

A má notícia para os alcoólatras de plantão é que se trata de uma brincadeira -- caso você esteja alcoolizado demais para notar isso --, mas a idéia é genial. Alías, é preciso estar bem alterado para conseguir conceber tal criação, pois unir vodka com grampeadores em qualquer contexto requer um esforço quase artístico.

De qualquer forma, seria uma experiência curiosa para se fazer em um escritório...

* E qualquer semelhança com "Alá é o único deus e Maomé é o seu profeta" é mera coincidência.

Meme

Eu não tive tempo, durante os poucos meses de vida deste blog, para escrever um post sobre meu desgosto quanto aos memes. Farei-o num futuro próximo. No entanto, vejo-me diante de um que me foi passado pelo Yuri, o Herdeiro do Caos, e não irei fazer uma desfeita ao amigo -- mesmo porque ele também parece não gostar muito desse tipo de coisa, então sofreremos juntos.

O Nada Acadêmico (ou: Tamanho é Documento)

Fico me perguntando: qual o propósito de se fazer um certo trabalho com 25 páginas para uma disciplina quando se poderia dizer tudo em 5 ou menos?

Sim, há o impacto visual: 25 páginas encadernadas, com capa, folha de rosto, duas folhas de índice e mais duas de referências lá no final é algo que realmente parece ter algum conteúdo. Mas se você espremer, torcer, esmiuçar ou seja lá por qual processo se queira extrair o sumo do trabalho, não obteria mais do que as 5 páginas já citadas.

Mas, claro, seria um ato vergonhoso entregar um trabalho com menos de uma dezena de folhas. "Onde você pensa que está?", perguntariam os docentes balançando aquele maço insignificante de folhas diante da fuça do aluno. "Isso aqui é sério, rapaz, quero pelo menos 20 páginas!" E eis que daí surge o mais puro e absoluto Nada, enrolação, encheção de lingüiça, lero-lero.

Gráficos fora de contexto extraídos diretamente da pesquisa de imagens do Google, grandes imagens e logotipos para ganhar linhas, espaçamento de 0,2 cm entre parágrafos e maior ainda entre seções. Tabelas, tabelas, notas de rodapé sobre o óbvio, referências quaisquer, tabelas, margens ligeira e quase que imperceptivelmente maiores do que o usual, mas grandes o suficiente para ganhar uma página a mais, mesmo que ela contenha apenas 3 linhas. Ah, e mais tabelas.

Tudo isso emoldurado pelas normas grotescas da ABNT ou por padrões similares (e menos feios). Tem-se, então, como resultado de tal laboriosa confecção artística, um verdadeiro trabalho acadêmico, com 5 páginas de conteúdo e 20 de enrolação, o qual é recebido com entusiasmo pelo professor, que provavelmente irá apenas folheá-lo em busca de receitas de bolo ou ofensas e, caso não as encontre, lhe dará uma nota 8,0.

E aí eu volto a me perguntar: pra quê essa hipocrisia toda? Será que fere o orgulho de certos professores ver suas disciplinas semestrais reduzidas a 4 ou 5 páginas? Será que é por isso que pedem por 20, 30, 60 folhas de papel? Ou será que é apenas para usar a palavra "trabalho" em seu sentido literal e fazer os alunos sofrerem um pouquinho para serem aprovados?

Pois, vocês sabem, não é tão fácil enrolar. Chega um momento onde é impossível continuar sem fazer um certo esforço físico, sem lutar contra as palavras que resumem muitas coisas em seus significados e sem buscar arduamente por aquelas que sejam mais vagas, mais maleáveis, sem buscar por quantificadores, conectivos, hipérboles sem propósito, digressões recursivas, analogias absurdas, obviedades, dezenas de sinônimos e clichês.

Tamanho, para grande parte das disciplinas, é documento. O conteúdo cai para o segundo plano e a relevância dos assuntos, em geral, para o terceiro.

A aparência, até mesmo nesse caso, parece valer mais do que todo o resto. E não importa se tanto alunos quanto os professores estão cagando para tudo isso: é assim que deve ser.

Curta de Quinta - Funeral

O curta desta quinta, trágico e breve, chama-se...

Funeral

Enquanto o vídeo carrega, algumas palavras rápidas...

Normalmente preparo os posts desta série com certa antecedência, mas nessa semana não consegui fazê-lo e escrevo aqui apressadamente. A escolha deste curta foi também simbólica por se tratar de um filme bastante breve -- 1 minuto -- e que irá chocar as mentes mais sensíveis.

Feito por um pessoal da Universidade Federal Fluminense, conta a história de um rapaz que sofre com a perda de um companheiro. Dirigido por Rafael Saar e com a atuação de Patrick Kitzinger e Érico Silva Muniz.

Bom Senso

Uma matéria de hoje da Folha Online tem o seguinte título:

Especialistas indicam bom senso como principal dica de proteção na web

Confesso que nunca pensei que coubesse aos "especialistas" recomendar bom senso às pessoas. Sempre tive a impressão de que este senso fosse uma alternativa comum justamente quando não houvesse dicas de profissionais de determinada área -- pois é o que os leigos esperam de pessoas que supostamente estudam um assunto.

Sendo assim, há duas possíveis constatações sobre o título: ou os "especialistas" em questão são completamente inúteis e, provavelmente, leigos, ou somos todos idiotas...

Declaração de Independência do Ciberespaço

Interessante. Um pouco mais inflamada do que deveria ser, mas interessante.

Ainda Sobre Roteiros

No começo de outubro fiz um post sobre a confecção de roteiros de filmes e recentemente me deparei com uma dica muito boa do Alessandro Martins sobre um programa chamado Celtx, que facilita este processo.

Você pode escrever o roteiro sem se preocupar com a forma, pois ele já o formata de acordo com o layout Master Scenes, que é o padrão mais simples e mais utilizado por quem é da área, onde a idéia é que cada página represente um minuto de filme.

O editor tem algumas outras funcionalidades interessantes também, como a criação de perfis para as personagens e a possibilidade de gerar um PDF do trabalho final. É uma boa ferramenta -- e o melhor, multiplataforma.

Utopia Vegetariana

Durante a janta na faculdade, escutei alguns bons argumentos de vegetarianos que defendiam sua escolha e afirmavam que comer carne é errado. Alguns dos onívoros ao meu lado concordaram, mas outros não levaram muito à sério.

O que mais ouvi é que é uma crueldade matar outros animais e a forma como o fazem acarreta muito mais sofrimento do que seria, digamos, saudável.

Concordo que poderiam realizar o abate de forma mais eficaz e menos dolorosa, mas eu realmente não me importo muito com isso. Sequer acho que esteja errado comer a carne de um outro animal, justamente porque a Natureza é assim. Há centenas de milhares de espécies que se alimentam de outras e se isso não é correto, eu não sei o que é. "Feliz do bicho que come o outro", como dizem por aí.

A tragédia aqui, na verdade, é a estrutura social. Encher o animal de hormônios, confiná-lo em espaços ridiculamente pequenos e matá-lo sem fazer o mínimo para aplacar seu sofrimento é realmente triste, mas é assim que se obtém mais lucros, não? Acho que antes de vegetarianas, essas pessoas deveriam ser anti-capitalistas, pois é no sistema de produção que está o erro.

O que me faz lembrar, por falar em sistema, que na Utopia de More, os responsáveis pelo abate dos animais são escravos que vivem distantes das cidades para que o contato com a morte não possa vir a ser apreciado pelos utopianos. O que é curioso, pois chega a ser uma hipocrisia comer carne condenando tão veementemente o processo pelo qual a obtêm. E ainda, como agravante, todos os habitantes da ilha são obrigados a aprender a lidar com agricultura: não deveria ser a Utopia vegetariana? Talvez eles ainda não conheçam as propriedades mágicas e insípidas da soja...

<< 1 2

Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts de novembro 2007, listado do mais novo ao mais antigo.

outubro 2007 é o arquivo anterior.

dezembro 2007 é o próximo arquivo.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

navalha / bcardoso

comentários

os vizinhos

boring stuff

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.