novembro 2007

O Curta de Quinta desta semana ilustra bem as incertezas daqueles que precisam pegar ônibus para se locomover pela cidade:

O Paradoxo da Espera do Ônibus

E enquanto você espera...

Quanto mais se espera, menos se espera. Certo?

É justamente este o paradoxo do curta. Baseado no dia-a-dia de qualquer um que costuma utilizar o transporte público de sua cidade, este filme consiste em uma seqüência de desenhos feitos por Gabriel Renner em conjunto com a narração de Chico Serra, e foi escrito e dirigido por Christian Caselli.

Enquanto a personagem espera sozinha na madrugada, filosofa sobre a própria espera e as escolhas que pode fazer para minimizá-la..

Cannabis Satanae

Há alguns dias escrevi um post sobre a errônea satanização da maconha e os usos industriais do cânhamo. Mais recentemente pude assistir um documentário interessantíssimo chamado Grass, que expõe o histórico das proibições da maconha em solo ianque.

No início do século passado, por exemplo, proibir a maconha foi uma forma bastante eficaz de controlar os imigrantes mexicanos que tinham o uso da planta como um dos aspectos de sua cultura. E, a cada década, vemos as novas verdades propagandeadas pelo governo, novas punições e os muitos bilhões de dólares gastos em uma repressão estritamente política.

Se você seguiu a minha dica sobre filmes, poderá baixar este excelente (e didático) documentário que provavelmente não passará em lugar algum.

Curta de Quinta - Âmago

O Curta de Quinta desta semana contará com um filme que deverá falar por si só, ei-lo:

Âmago

Dou-lhes algumas palavrinhas enquanto o vídeo carrega...

Digo que o filme falará por si só pois mesmo após várias buscas, não encontrei nenhuma informação relevante sobre ele. Tudo o que sei é o que em breve vocês também saberão se prestarem atenção nos créditos.

Trata-se de um curta sobre "a procura eterna do amor perdido...", ou pelo menos são estas as únicas palavras que acompanham o vídeo pelos locais onde ele está hospedado...

Sendo assim, a única alternativa é assistí-lo.

Sobre Certos Administradores

Não pretendo fazer destes posts com títulos semelhantes uma série, apenas me pareceu mais cômodo utilizar o mesmo padrão. Prova disso é que serei mas conciso e irei direto ao ponto, sem a enrolação característica desses homens de terno aos quais me refiro.

Certos administradores, e uns entusiastas do mundo business, por vezes dizem que em determinada área não possuem o know-how ou a expertise necessária para algumas tarefas.

Mas o que realmente não possuem é a humildade para assumir, em bom português, que não têm conhecimento e tampouco experiência, ora!

O orgulho faz com que até a ignorância seja chique...

Sobre Certos Religiosos

Religião não é lá um tema muito profícuo, mas acabei de ver duas coisas que me tiraram do sério. Irei contá-las na ordem inversa para tornar o texto mais interessante -- assim como a voz subliminar do demônio nos discos de vinil.

A Record dedicou vários e vários minutos do seu noticiário de hoje para falar sobre padres pedófilos -- eu sei, já é quase um pleonasmo. A primeira parte da reportagem foi sobre um padre aqui do Paraná que molestava seus coroinhas: foi preso em flagrante com dois menores e muito material pornográfico no carro.

Daí mostraram o depoimento de um dos garotos que fora molestado por ele durante meses, depoimentos dos vizinhos que sempre viam crianças lá na casa do padre, que morava sozinho, e depoimentos de gente que já tinha ouvido alguns causos do religioso sapeca.

Pois bem, mesmo depois de uma avalanche de provas, da prisão em flagrante e da apreensão do material pornô, o padre foi liberado. Isso acontece com uma freqüência lamentável neste país, mas, enfim, continuemos. Já no fim da matéria entrevistam uma senhora, toda de branco, séria, que disse que diante de tudo isso, de tudo o que foi dito e exposto, não caberia à nós, reles mortais, julgar o pobre coitado de batina, pois deus irá fazê-lo.

Certos religiosos são idiotas. E o são por causa da religião.

(Alguns dos mais ortodoxos vão deixar de ler a primeira palavra da frase acima e, ironicamente, vão me crucificar. O que só corrobora a minha afirmação.)

A outra coisa que me deixou sem palavras foi um post em um blog que encontrei aleatoriamente aqui no Wordpress. Reproduzo toda a genialidade do blogueiro crente:

satanás usara todas as artimanhas para poder convencer que existe agua ou ate mesmo vida em outros planetas, a ciencia tem trabalhado fortemente para a população esquecer o evangelho de nosso senhor Jesus Cristo, feche essa porta não deixe a ciencia atuar com essas mentiras!

Argumentos? Cá estão...

Eu li e reli. Revirei o blog com uma certeza latejando em minha cabeça: "isso é piada, só pode ser piada." Mas aparentemente não é. E há outras pérolas por lá, caso o leitor goste de sofrer ou rir da desgraça humana (mesmo havendo humor de maior qualidade por aí).

Enfim, só quero que fique claro que é uma coisa e estupidez, como vocês puderam ver, é outra, apesar de que em alguns casos a linha entre as duas seja bastante tênue...

O melhor governo é o que não governa

Li, em algum dia da semana passada, o Desobediência Civil (aqui em PDF) e o livro já se inicia com a frase: "o melhor governo é aquele que governa menos". E não estamos falando aqui de produtividade (senão até poderíamos nos orgulhar dos políticos que temos), mas de intervenção.

O melhor governo é aquele que intervém menos, é o que limita menos, é o que dita menos leis e obrigações. O melhor governo, portanto, "é aquele que absolutamente não governa".

E é isso mesmo.

Há uma passagem bastante interessante que ilustra bem essa idéia (com grifos meus):

(...) A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio de seu respeito por ela, mesmo os mais bem-intencionados, transformam-se diariamente em agentes da injustiça. Um resultado comum e natural do indevido respeito pela lei é que se pode ver uma fila de soldados -- coronel, capitão, cabo, soldados rasos, etc -- marchando em direção à guerra em ordem admirável através de morros e vales, contra as suas vontades, ah!, contra as suas consciências e seu bom senso, o que torna esta marcha bastante difícil, na verdade, e produz uma palpitação no coração. Eles não têm dúvida alguma de que estão envolvidos numa atividade condenável, pois todos têm inclinações pacíficas. Então, o que são eles? Homens ou pequenos fortes e paióis a serviço de algum homem inescrupuloso no poder? (...)

A grande maioria dos homens serve ao Estado desse modo, não como homens propriamente, mas como máquinas, com seus corpos. São o exército permanente, as milícias, os carcereiros, os policiais, os membros da força civil, etc. Na maioria dos casos não há um livre exercício seja do discernimento ou do senso moral, eles simplesmente se colocam ao nível da árvore, da terra e das pedras. E talvez se possam fabricar homens de madeira que sirvam igualmente a tal propósito. Tais homens não merecem respeito maior que um espantalho ou um monte de lama. O valor que possuem é o mesmo dos cavalos e dos cães.

Há uma constatação curiosa num determinado ponto do texto, que diz que um homem que se recusa a pagar uma determinada quantia em impostos há de ser preso e passar um tempo indeterminável no cárcere. Agora, um homem que rouba dos cofres do Estado uma quantia dez vezes maior que o imposto em questão, este terá uma punição muito mais leve.

Ou seja, o não reconhecimento do Estado como entidade protetora ou soberana do indivíduo é muito mais danosa a ele do que qualquer outra afronta que se possa fazer. O indivíduo que não se curva e que anseia ser livre das limitações a ele impostas em prol de serviços ou posturas dos quais não usufrui ou discorda, este é punido com severidade. O Estado, megalomaníaco por natureza, não aceita aqueles que querem viver fora dele.

Então, se você se enfiar no meio do mato, sozinho, sem depender de absolutamente nada que o Estado possa lhe oferecer/impor, vivendo única e exclusivamente de suas próprias habilidades e instinto, distante da sociedade e de qualquer instituição, cuidado: você provavelmente estará infringindo um punhado de leis absurdas e irá, cedo ou tarde, ser caçado por alguns dos homens-paióis já citados.

Pois o Estado, como o conhecemos, não existe para servir à população, mas para moldá-la e contê-la de acordo com interesses de uma minoria -- os ditos "homens inescrupulosos" e seus correlatos. E em nome da pirâmide social, da lei e da ordem, cabe ao cidadão comum dar a cara à tapa... e produzir bastante, claro.

Curta de Quinta - Psicopatas da Internet

O Curta de Quinta desta semana conta com...

Psicopatas da Internet

Enquanto o vídeo carrega...

Este curta foi baseado num texto do livro Os Melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone, escrito, adivinhem só, por Branco Leone. A direção é de Helio Ishii, a edição é da Camila Ogawa e a produção é do Núcleo Virgulino.

Um filme para todos os internautas que já foram -- ou ainda vão -- fornicar nas famosas, e hoje menos populares, salas de bate-papo.

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