dezembro 2007

A Terrível Verdade Sobre a Virada do Ano

New Year's Eve

Fim de ano sempre vem cheio de desculpas

E comigo não será diferente, embora a minha desculpa não tenha nada a ver com festas, viagens ou compras de artigos para fazer simpatias ridículas na virada do ano.

O que acontece é que estou há quatro dias trabalhando em cerca de vinte páginas, um texto que deve ficar pronto até amanhã -- em verdade, é um prazo simbólico, mas o estou levando muito a sério. Logo, me vejo na obrigação de roubar o tempo de outras atividades, uma vez que divisão organizada de tarefas não é comigo.

(Talvez eu venha a postar o resultado do esforço desses dias lá na Catarse, que, tadinha, anda muito parada, mas ainda é cedo demais. O que estou fazendo entre esses parênteses é, de fato, uma propaganda sem vergonha.)

E como este provavelmente será o último post do ano, escolhi alguns textos interessantes que escrevi em meio a essa bobagem toda para dar uma pequena ênfase e satisfazer as necessidades do visitantes. Algo como uma retrospectiva egocêntrica:

(Dê uma olhadinha no Selvagem também, vá saber. Ou, talvez, num curta-metragem...)

Portanto, tenho quase certeza que pelo menos um dos posts listados acima (de acordo com a data de publicação) irão interessar o leitor. Se não, desculpe, mas no momento não posso fazer mais nada. Fui bem generoso comigo mesmo ao fazer essa listagem, como pode perceber, então leia com carinho, sim?

Em todo caso, eis aqui o melhor post de fim de ano que "li" até agora. Hors concours.

Curta de Quinta - H.O.

Ainda no embalo do curta da semana passada, Heliorama, trago aqui mais um filme de Ivan Cardoso sobre o saudoso artista plástico Hélio Oiticica.

H.O.

Onde se vê Monte Fuji, veja-se Morro da Mangueira

Este filme é de 1979 e, assim como o Heliorama, mostra através de diversos recortes vários aspectos obra de Hélio Oiticica. Há, também, a narração de um texto poético de Haroldo de Campos.

Outro para o Selvagem

Além de comer e beber, aproveitei a calmaria natalina para escrever meu artigo dessa semana para O Pensador Selvagem. Aliás, não poderia ser de outra forma, pois eu deixei pra última hora mesmo.

Dêem um pulo até lá e leiam. Segue o comecinho:

Blogosfera, um Delírio

"Blogosfera", essa palavra tão utilizada para se referir ao grande e emergente universo dos blogs, foi cunhada em 1999 como uma piada. Dois anos depois, o termo foi forjado novamente, dessa vez com mais seriedade, mas muitos preferiram continuar achando graça da coisa. Derivado de logosfera, que se refere ao mundo da língua, da palavra, e já bem consolidado entre os blogs, o termo ainda é capaz de arrancar sorrisos dos mais atentos.

Continue lendo...

É isso.

Natal? Bebida!

Já faz um bom tempo que não dou a mínima pro Natal. Nem eu, nem minha família -- meus outros parentes sim, mas eles moram longe o suficiente para que a atmosfera natalina possa vir a nos perturbar.

Ninguém aqui comprou presentes, ninguém gastou com pinheiros artificiais e lâmpadas nada econômicas, não colocaram uma guirlanda ridícula na porta da sala com mensagens bonitinhas, não montaram presépio nem mandaram cartões, não há imagens de papai noel espalhadas pela casa, não há aquele clima de falsidade cheio de sorrisos amarelados que só surge nos dias 24 e 25 de dezembro. Aqui não há natal e, vos digo, acho ótimo.

Talvez a única diferença desse dia em relação aos outros seja o pretexto para tomar um bom vinho. Valho-me das palavras de minha irmã, proferidas agora à tarde, que sintetizam muito bem a histeria do feriado: "Natal é dia de encher a cara." Amém.

E, sendo assim, desejo boas bebedeiras aos infiéis!

Alta Tensão e Sarcasmo

No início da noite de terça-feira eu estava em São Paulo, num ônibus que vinha de terras paranaenses para o terminal do Tietê. Já próximo ao destino, havia um desses locais de transmissão de energia -- um ponto de distribuição ou algo que o valha, que recebe a energia elétrica vinda sabe-se lá de onde e a redistribui pelos bairros da região. O nome me foge agora, mas vocês sabem o que é.

Pois bem, aquele local era cercado por um muro branco e alto que ostentava desenhos horrorosos de crianças felizes e coloridas, juntamente com frases, umas três, todas bem parecidas, sobre os riscos de choque elétrico e a necessidade de se manter distância dali.

A única frase da qual me recordo é a seguinte:

Em torre de transmissão,
tem fio de alta tensão.
Não brinque.

Bonitinho, né? Até rima. Mas me parece pouco eficiente.

Estão dizendo para as crianças que atrás daquele muro alto (que atiça a curiosidade de qualquer moleque) e cheio de desenhos coloridos tem algo que elas provavelmente não sabem o que é (torres e fios) e que deve ser evitado. Ponto. Ah, claro, e não é pra brincar por ali.

Pior do que aqueles avisos que ostentam uma caveira sobre um fundo vermelho trazendo os dizeres "Perigo: Risco de Vida" quando, em verdade, o que há mesmo é o risco de morte.

O Robô ElétricoE tudo bem que talvez o aspecto robótico e monstruoso de certas torres de transmissão possa servir para intimidar algumas crianças, mas falta uma explicação sobre os motivos do alerta. Aliás, é o que sempre falta: ao invés de informar e ensinar, é mais cômodo deixar que a prole seja educada pela televisão...

Mas, enfim, voltemos aos fios.

O ônibus passou rapidamente por ali e eu fiquei pensando num aviso melhor, que tivesse, em essência, o mesmo teor do alerta do muro, que mantivesse toda aquela alegria dos desenhos mal feitos e afastasse dali os pequenos. Acabei pensando em algo como:

Em torre de transmissão,
tem fio de alta tensão.
E criança que põe a mão,
Vira toco de carvão.

Muito mais instrutivo, não? Até mantive as rimas. Acho que daria uma musiquinha interessante também. O "não brinque" está implícito na conseqüência fatal da curiosidade, além de implantar um certo terror que contrasta bastante bem com a inocência jovial pintada naquele muro irregular.

Em letras menores, logo ao lado, destinada aos moleques mais destemidos, viria uma breve explicação técnica:

A eletricidade usará teu corpinho como condutor e, enquanto ela passa por dentro de você, fará seus músculos se contraírem e relaxarem numa velocidade enorme!! Além disso, em poucos segundos seu coraçãozinho vai parar e é provável que você queime até ficar irreconhecível ou que seja arremessado para bem longe. Seus pais ficarão muito tristes e você deixará de existir. Para sempre.

Ou algo assim.

Imagino que para os infelizes do bairro, as gigantescas torres de transmissão poderiam se tornar uma presença constante em pesadelos e histórias de colégio, mas seria por uma boa causa. Talvez com a realidade exposta dessa forma, um tanto sarcástica, as crianças reflitam por um segundo ou dois. Talvez ofenda pais e filhos, talvez arranque um sorriso. No entanto, é certo que os meninos pensarão várias vezes antes de fazer merda.

E, no fim, até mesmo esses detalhes bobos teriam lá a sua graça.

Curta de Quinta - Heliorama

Após dezenas de minutos empregados na cópia do filme e outras dezenas para enviá-lo aos servidores do Google -- através de uma conexão lenta e oscilante -- apresento-vos, nesta quinta, o curta:

Heliorama

Parangolé: Asa-delta para o êxtase

Heliorama é uma colcha de retalhos. Um amálgama de fragmentos de entrevistas, clipes e filmagens diversas que se apresenta como registro documental da vida e obra do artista plástico carioca Hélio Oiticica, criador do parangolé -- um tipo de capa ou tenda que só se revela plenamente através dos movimento de quem o veste -- e um dos criadores do movimento Tropicália.

A direção é de Ivan Cardoso e, ao contrário do que pode parecer pela qualidade gravações, o curta é de 2004. Uma obra que enaltece a arte, a liberdade e faz valer cada um dos seus 14 minutos pouco convencionais.

Dois Artigos para o Selvagem

Quase esqueci de avisar: cá estão dois artigos que escrevi para a seção de Cibercultura d'O Pensador Selvagem:


A princípio, escrevo por lá às quartas. Quando não tiverem nada melhor para fazer, dêem uma olhadinha, sim?

Vou tentar seduzí-los com um trechinho do artigo de hoje:

Alzheimer Digital

"Vivemos em um mundo onde todo nosso conhecimento está guardado em arquivos binários de formato desconhecido. Se nossos documentos são nossa memória incorporada, a Microsoft ainda nos mantém condenados ao Alzheimer."

A frase acima é de Simon Phipps, funcionário da empresa californiana Sun, e que levanta uma questão importante: se quisermos continuar acessando dados armazenados em formatos proprietários, é melhor torcermos para que as empresas responsáveis por eles continuem existindo.


E então? O artigo inteiro está aqui, leiam.

Pesamenteiro e Outras Palavras Únicas

Existem certas palavras que são intraduzíveis.

Os mais sentimentais adoram repetir que "saudade" é uma delas, como se fossemos os únicos que sentem saudades de alguém, de algum lugar ou de alguma coisa. Ou melhor, fazem parecer que sentimos tanta saudade, mas tanta saudade, que precisamos de uma palavra específica só para mostrar isso.

Tudo bem. Mas também temos outras palavras e expressões interessantes que, se resolvermos seguir o emotivo raciocínio da "saudade", explicam um pouco do nosso jeitinho.

Tomando como referencial a língua do colonizador -- é, o inglês --, este artigo listou algumas dezenas de palavras que não têm correspondente no idioma do Bush. E são muitas mesmo.

Em português, temos três: cafuné, pesamenteiro e a expressão ir à fava.

A primeira todos conhecem, fazem ou recebem. Dispensa comentários. E os estadunidenses, frios e paranóicos, não entendem nada de carícias mesmo.

A última, belíssima expressão, deveria ser mais utilizada. Não tenho dúvidas de que o SBT, com sua sanha nacionalista de traduzir o título de todo e qualquer programa estrangeiro que adquire, iria popularizá-la caso a Globo não tivesse comprado os direitos do famigerado seriado Lost. Imaginem só o título tupiniquim: Indo à fava!

Um sucesso de audiência.

E, por fim, a palavra que dá o título a esse post: pesamenteiro.

Diferentemente de casamenteiro, que é o sujeito que arranja casamentos, pesamenteiro não é aquele que incentiva os pesares de alguem. Pois para um povo que se orgulha da intraduzível saudade, ter uma palavra assim seria uma estranha contradição.

Pesamenteiro, então, é aquele sujeito que vai ao velório não para chorar junto à família e transmitir seus sentimentos, mas única e exclusivamente para comer.

É, também, aquele que convencionamos chamar de filho-da-puta.

Não me espanta, no entanto, que essa palavra não tenha correspondente no inglês. E talvez não tenha correspondente em língua alguma -- bilíngüe que sou, não posso afirmar com certeza, embora uma busca rápida em dicionários de alemão, francês, espanhol e italiano pareca confirmar minha suposição.

O brasileiro, como todos sabem, é um povo esperto cuja fama do "jeitinho" é internacionalmente conhecida. Ouso dizer que é provável termos a maior densidade de pesamenteiros per capita. E possivelmente os melhores quitutes de velório!

Aliás, ocorreu-me agora que se algum poeta brasileiro, de fama considerável, quisesse foder com seus tradutores, bastaria enfiar um "pesamenteiro" no meio de um verso decassílabo...

Mas o verdadeiro destaque do artigo ficou com uma palavra que li aleatoriamente: hira hira. Em japonês, é o nome da sensação que se tem quando uma pessoa entra em uma casa escura e mal-assombra no meio da noite.

Talvez os anglófonos não saibam expressar tal sensação com uma única palavra, mas nós temos o vocábulo perfeito: cagaço.

Niemeyer

Oscar Niemeyer

Estava aqui pensando se deveria escrever alguma coisa sobre o aniversariante e acabar repetindo o mesmo que todo mundo, ou se eu deveria simplesmente postar alguma foto dele ou de suas obras.

Optei por esta charge. Não sei quem é o autor -- não consegui decifrar a assinatura no canto direito -- mas é excelente e fala por si só.

Há, também, um documentário muito bom chamado A Vida é um Sopro, que recomendo a todos que admiram ou que queiram saber mais sobre a vida e obra do arquiteto.

<< 1 2

Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts de dezembro 2007, listado do mais novo ao mais antigo.

novembro 2007 é o arquivo anterior.

janeiro 2008 é o próximo arquivo.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

navalha / bcardoso

comentários

os vizinhos

boring stuff

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.