No início da noite de terça-feira eu estava em São Paulo, num ônibus que vinha de terras paranaenses para o terminal do Tietê. Já próximo ao destino, havia um desses locais de transmissão de energia -- um ponto de distribuição ou algo que o valha, que recebe a energia elétrica vinda sabe-se lá de onde e a redistribui pelos bairros da região. O nome me foge agora, mas vocês sabem o que é.
Pois bem, aquele local era cercado por um muro branco e alto que ostentava desenhos horrorosos de crianças felizes e coloridas, juntamente com frases, umas três, todas bem parecidas, sobre os riscos de choque elétrico e a necessidade de se manter distância dali.
A única frase da qual me recordo é a seguinte:
Em torre de transmissão,
tem fio de alta tensão.
Não brinque.
Bonitinho, né? Até rima. Mas me parece pouco eficiente.
Estão dizendo para as crianças que atrás daquele muro alto (que atiça a curiosidade de qualquer moleque) e cheio de desenhos coloridos tem algo que elas provavelmente não sabem o que é (torres e fios) e que deve ser evitado. Ponto. Ah, claro, e não é pra brincar por ali.
Pior do que aqueles avisos que ostentam uma caveira sobre um fundo vermelho trazendo os dizeres "Perigo: Risco de Vida" quando, em verdade, o que há mesmo é o risco de morte.
E tudo bem que talvez o aspecto robótico e monstruoso de certas torres de transmissão possa servir para intimidar algumas crianças, mas falta uma explicação sobre os motivos do alerta. Aliás, é o que sempre falta: ao invés de informar e ensinar, é mais cômodo deixar que a prole seja educada pela televisão...
Mas, enfim, voltemos aos fios.
O ônibus passou rapidamente por ali e eu fiquei pensando num aviso melhor, que tivesse, em essência, o mesmo teor do alerta do muro, que mantivesse toda aquela alegria dos desenhos mal feitos e afastasse dali os pequenos. Acabei pensando em algo como:
Em torre de transmissão,
tem fio de alta tensão.
E criança que põe a mão,
Vira toco de carvão.
Muito mais instrutivo, não? Até mantive as rimas. Acho que daria uma musiquinha interessante também. O "não brinque" está implícito na conseqüência fatal da curiosidade, além de implantar um certo terror que contrasta bastante bem com a inocência jovial pintada naquele muro irregular.
Em letras menores, logo ao lado, destinada aos moleques mais destemidos, viria uma breve explicação técnica:
A eletricidade usará teu corpinho como condutor e, enquanto ela passa por dentro de você, fará seus músculos se contraírem e relaxarem numa velocidade enorme!! Além disso, em poucos segundos seu coraçãozinho vai parar e é provável que você queime até ficar irreconhecível ou que seja arremessado para bem longe. Seus pais ficarão muito tristes e você deixará de existir. Para sempre.
Ou algo assim.
Imagino que para os infelizes do bairro, as gigantescas torres de transmissão poderiam se tornar uma presença constante em pesadelos e histórias de colégio, mas seria por uma boa causa. Talvez com a realidade exposta dessa forma, um tanto sarcástica, as crianças reflitam por um segundo ou dois. Talvez ofenda pais e filhos, talvez arranque um sorriso. No entanto, é certo que os meninos pensarão várias vezes antes de fazer merda.
E, no fim, até mesmo esses detalhes bobos teriam lá a sua graça.

hahaha! muito melhores as tuas propostas de aviso, Bruno! criativas e eficientes ;-) transformaste algo aparentemente banal em um bom post. talento é isso aí!
abs
Hohoho! Ho ao cubo! Muito bom. Ah, se tudo no mundo fosse assim: original e criativo...
Muito bom! Acho que "vira toco de carvão" é bem mais eficiente que "não brinque"... a não ser que a criança goste muito de churrasco.
Seria ótimo deixar esses textos, as crianças seriam paranóicas mas bem comportadas (:
abraço,