janeiro 2008

Curta de Quinta - No Bar

Inspirado pelos recentes comentários do post Não Pare de Fumar, resolvi procurar por algum curta que falasse sobre o cigarro e encontrei este, que gira em torno da lei federal que obriga os fabricantes a imprimirem aquelas imagens de advertência no verso dos maços para desestimular o hábito de fumar.

No Bar

"Enquanto o vídeo carrega, me vê o do câncer aí"

O curta é de 2002, mesmo ano em que essa lei entrou em vigor, e foi dirigido por Cleiton Stringhini e Paulo de Tarso Mendonça. No elenco, Laura Cardoso, Maurício Marques e Pedro Paulo Eva.

Mesmo tendo o enfoque no cigarro, dá pra aprender algumas boas piadas de bêbado também. O filme é engraçado, mas é provável que aqueles que têm ojeriza ao tabaco careçam de certa sensibilidade humorística.

Espírito de Porco

Como se não bastasse a indesejável quantia de e-mails que recebo de pessoas preocupadas com o tamanho e o desempenho do meu pênis -- oferecendo-me soluções milagrosas, é claro -- e de outras que se preocupam com meus problemas financeiros prometendo-me dinheiro fácil, recebo também mensagens de verdadeiros espíritos de porco, como o spam abaixo:

Spam

Se o sujeito manda propaganda, normal, acontece com todo mundo, só está querendo vender seu peixe (e/ou dar algum golpe, vá saber) e eu apago.

Agora, mandar um e-mail completamente vazio, sem assunto, sem remetente, sem conteúdo, sem nada, apenas pelo prazer sádico de entulhar a caixa dos outros, isso sim é uma verdadeira sacanagem.

Eu poderia falar do aniversário de São Paulo, da morte do novo Coringa, do vereador-exorcista Cururu, dos altos e baixos das bolsas de valores, do vídeo do Tom Cruise sobre cientologia, da paródia do vídeo do Tom Cruise sobre cientologia, dos peitos recém siliconados daquela argentina que encontrou uma maleta cheia de grana, do mais novo lançamento da Apple ou até mesmo do novo favicon do Google Reader. Eu poderia, também, começar a falar de gadgets, não parar de falar gadgets, dizer tudo sobre os novos e tão esperados gadgets e repetir o que os outros andam dizendo sobre esses mesmos gadgets.

Porra, eu poderia falar do Big Brother, eu poderia citar 1984 também, eu poderia falar dos peitos também siliconados de alguma interna desse programa que eu não assisto (e isso não faz diferença, pois para dissimular meu desconhecimento eu poderia falar um pouco sobre... gadgets).

(E eu poderia encher de links os dois parágrafos anteriores para ganhar um certo respeito pelo número de referências que acabei descobrindo numa longa leitura de algumas centenas de itens acumulados de pouco mais de uma centena de feeds de blogs e sites que não faziam mais do que falar de tudo o que eu poderia falar, mas não vou.)

Eu poderia, e talvez fosse até interessante, falar dos filmes que assisti esse mês (em ordem: O Grande Êxtase do Entalhador Steiner, Blowup, I'm Not There, Jango, Redentor, Os Infiltrados, Oldboy, The Cook the Thief His Wife & Her Lover e Jesus Camp), dos livros que li (Ereções, Ejaculações e Exibicionismos (ou Crônicas de um Amor Louco, parte 1), do Bukowski e A Hora da Estrela, da Clarice Lispector), dos livros que estou lendo (Maiakóvski e um chamado Queda Livre), da série que terminei de assistir hoje cujo penúltimo episódio foi ao ar há exatos 40 anos, do texto que venho escrevendo e que já me tomou um tempo 400% maior do que eu tinha em mente ou de outras tantas negligências musicais, literárias, sociais e, claro, bloguísticas.

Aliás, eu poderia falar sobre o que todo e qualquer dono de blog (e o termo blogueiro soa como algo inferiorizador), o que todo e qualquer dono de blog sabe fazer, e o faz com propriedade e não necessariamente com originalidade, que é falar de si mesmo e do próprio espaço -- e de gadgets, que é um assunto corriqueiro. Poderia também reclamar da falta de tempo, da responsabilidade e periodicidade que nos é subconscientemente exigida nesse mundo tão rápido e cheio de informações, em geral, fúteis. Eu poderia falar de compromisso, de interação, de conhecimento e, claro!, da mística e supostamente expressiva blogosfera -- ah, disso eu já falei, e mal; procurem o link aí nos arquivos.

Ora, eu poderia comentar de modo mais profundo sobre tudo isso que ficou mais ou menos subentendido aqui, mas a verdade é que pouco importa (o único link que lamento não poder citar, por pura preguiça, é de um sujeito, de algum blog que já não lembro mais qual é, que comentou que hoje em dia não se faz mais nada de original, nada novo, estamos nessa onda do remake e da aposta constante em fórmulas que já deram certo, o que, de certo modo, é o mesmo que acontece com os blogs -- pura repetição. Então, ao autor desse artigo que li, sinta-se citado.)

Aproveito para dizer que a pressa, o descaso, a falta de links e de formatação (acho que um itálico cairia bem nos gadgets e nos títulos do filmes e livros), assim como o excesso de parênteses, se devem a uma insatisfação que, roubando uma frase da Olivia dita via twitter, pode ser resumida mais ou menos assim: os blogs andam muito chatos (ou qualquer coisa nessa linha).

(E acabo de perceber que o título do post é, ao mesmo tempo, um bom resumo e um bom encerramento, não é? Então encerro.)

Curta de Quinta - Hi-Fi

Mais um curta para aumentar a lista de filmes do Ivan Cardoso já postados por aqui.

Um mergulho na história do movimento concretista de São Paulo a partir de fragmentos da obra do poeta Augusto de Campos. Uma colagem de cenas raras revela o longo rastro cúmplice entre a poesia concreta e o cinema experimental.

Hi-Fi

Gráfico da Notoriedade de um Escritor

Gráfico da Notoriedade de um Escritor

Porque chega uma hora que pouco importa o quê o sujeito escreveu.

Qualquer coisa é notícia?

Noticia BBB

A última coisa que eu espero das notícias mais recentes de um jornal é ser agraciado com a oportunidade de acompanhar o andamento de um programa de TV que eu faço questão de não assistir.

Bob Dylan no Brasil e no cinema

Saíram ontem as datas das apresentações da turnê "Never Ending Tour" do Bob Dylan: para os paulistas, será nos dias 5/3 e 6/3 no Via Funchal e para os cariocas, no Rio Arena, dia 8/3. Os preços ainda não foram divulgados.

Essa será a terceira apresentação no Brasil: a primeira foi em 1990, no festival Hollywood Rock, e a outra em 1998, quando abriu o show dos Rolling Stones e cantaram juntos Like a Rolling Stone.

Ainda não tive a oportunidade de escutar o Modern Times (2006), que anda muito elogiado e levou um Grammy em 2007. Esses dias, entretanto, escutei um bootleg de 2002, um show no Japão, e a apresentação foi sofrível. Espero que tenha sido uma excessão, pois a grande maioria dos albuns que tenho do Dylan são os mais antigos, todos desde o primeiro (Bob Dylan, de 1962) até o excelente Hard Rain (1976) que, esse sim, é um registro de um ótimo show.

Cate Blanchett (I'm Not There)E semana passada assisti ao I'm Not There. Pra quem nunca leu nada a respeito da trajetória do músico, o filme pode parecer muito confuso. O trailer dá uma boa idéia do que esperar: seis personagens representando Dylan ao longo de sua carreira, principalmente os primeiros anos e a conturbada turnê pela Inglaterra em 1966 -- esta, interpretada por Cate Blanchett, que rouba a cena e incorpora muito bem o incompreendido ícone do folk americano que, na visão de seus fãs da época, acabou se vendendo para o rock e traindo seus ideais anteriores.

Apesar de ser um pouco longo, é uma ótima produção e uma biografia curiosa pela forma como a história é contada.

E há quase um video-clip de Ballad of a Thin Man que sucede uma série de questionamentos do "Mr. Jones" para uma entrevista.

Por falar nisso, Bob Dylan também é bastante conhecido por dar respostas incompreensíveis e nonsense quando entrevistado. O vídeo abaixo, de 1965, durante a turnê inglesa, é uma entrevista realizada dentro de um taxi juntamente com ninguém menos que John Lennon. A falta de sentido, nesse caso, se deve ao suposto uso de heroína.

Nessa outra, entrevistado pela Playboy em 1966, Dylan respondeu o seguinte quando lhe perguntaram por que escolheu sua carreira:

Carelessness. I lost my one true love. I started drinking. The first thing I know, I'm in a card game. Then I'm in a crap game. I wake up in a pool hall. Then this big Mexican lady drags me off the table, takes me to Philadelphia. She leaves me alone in her house, and it burns down. I wind up in Phoenix. I get a job as a Chinaman. I start working in a dime store, and move in with a 13-year-old girl. Then this big Mexican lady from Philadelphia comes in and burns the house down. I go down to Dallas. I get a job as a "before" in a Charles Atlas "before and after" ad. I move in with a delivery boy who can cook fantastic chili and hot dogs. Then this 13-year-old girl from Phoenix comes and burns the house down. The delivery boy -- he ain't so mild: He gives her the knife, and the next thing I know I'm in Omaha. It's so cold there, by this time I'm robbing my own bicycles and frying my own fish. I stumble onto some luck and get a job as a carburetor out at the hot-rod races every Thursday night. I move in with a high school teacher who also does a little plumbing on the side, who ain't much to look at, but who's built a special kind of refrigerator that can turn newspaper into lettuce. Everything's going good until that delivery boy shows up and tries to knife me. Needless to say, he burned the house down, and I hit the road. The first guy that picked me up asked me if I wanted to be a star. What could I say?

Então, leitor, vá juntado os seus trocados e trate de conseguir um ingresso, nem que seja só para o filme.

Mudando de idéia

Depois de muito relutar e achar que se tratava de uma besteira (não que eu tenha mudado de idéia completamente), influenciado por um post da Gabriela e por diversas gambiarras que nunca vou usar baseadas no serviço, me registrei no Twitter.

O que o tédio não faz com as pessoas, não é mesmo? O importante é que agora eu tenho mais uma desculpa para ser breve e relapso.

Não fode, Bento

Uns cientistas dizem que criaram um embrião clonado de humanos.

O Jornal Nacional, agora há pouco, repetiu tudo o que está escrito nessa matéria (e que deve estar replicado em todos os sites de notícias, claro) e acrescentou uma declaração do Vaticano, que diz que a clonagem é a maior atrocidade que se pode fazer contra a humanidade. Ou qualquer coisa assim.

Se uma clonagem embrionária com o objetivo de gerar células-tronco para serem utilizadas no tratamento de um punhado de doenças é a maior das atrocidades, eu fico me perguntando em qual posição está o abuso sexual de crianças (ou sodomia com coroinhas, se preferirem) nessa lista de maldades.

(Cá está uma dica... bem maldosa)

Curta de Quinta - O Ex-Exú

Como a pressa é inimiga da perfeição e de tudo mais que se deseja deixar de lado para culpar a falta de tempo, copiarei descaradamente a sinopse deste curta do site Porta Curtas -- que pelo qual nutro sentimentos dúbios; uma verdadeira relação de amor e ódio.

O que eles (e o pessoal do Curtagora) têm a dizer é o seguinte:

Em homenagem explícita ao Glauber Rocha dos tempos do programa Abertura, o grupo de guerrilha cultural Cactos Intactos faz sua estréia cinematográfica. O filme gira em torno de uma exótica e enigmática entidade mundana, oriunda da fauna bizarra das ruas cariocas, uma anti-celebridade por excelência, que pode ser visto como uma espécie de contra-parente do Pai Ubú, personagem criado pelo escritor surrealista Alfred Jarry.

O Ex-Exú

"Poesia é coisa de vagabundo"
Esse curta parece não ter início nem fim: tem oito minutos de "meio".

Trata-se uma entrevista com um sujeito que se intitula o Ex-exú. No entanto, suas respostas vagas e moralistas não importam muito, pois são as perguntas poéticas e pomposas que se destacam e dão graça à coisa toda.

Foi filmado em novembro de 2004 pelo grupo Cactos Intactos, sobre o qual não tenho muitas informações além do site e da filmografia. Se os outros filmes forem como este, aparecerão aqui nas próximas semanas.

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