Eu menti pra vocês. Na semana passada eu disse que postaria mais dois filmes do Ivan Cardoso, mas este será o último da seqüência. Seqüência esta, aliás, que se revelou randomicamente oportuna por contar justamente com este curta para encerrá-la. Explico os motivos logo abaixo, enquanto vocês esperam o vídeo carregar.
À Meia Noite com Glauber Rocha
"A arte é a dimensão anárquica da matéria onírica"
Já expressei aqui minha admiração pelo cineasta baiano, no post do Di Cavalcanti Di Glauber, então vou procurar não me repetir. Mas esse jeito dele de falar, bastante característico, exagerado, revoltado e incompreendido é algo que me empolga, talvez pela espontaneidade e irreverência da coisa toda.
Mas divago. Eu ia dizendo que este curta fecha o ciclo (não planejado) de filmes do Ivan Cardoso de forma satisfatória pois, em vários momentos, as cenas comportam-se como um curioso flashback dos filmes anteriores: além de Glauber e seus pequenos discursos caóticos, temos a presença de Hélio Oiticica e aparições de Zé do Caixão -- que já deixa, logo de início, sua marca no título do filme.
À Meia Noite com Glauber Rocha, produção de 1997, conta com um extenso elenco de artistas e uma bela sinopse que nos é proferida durante sua exibição:
O olho vorticista do ivampirante Ivan escolheu os seus totens, elegeu os seus emblemas, regeu em diadema os seus temas. Este filminvenção glauberélico, helioglauberiano, é uma partitura de iluminuras em mosaico, belas e brutas como pedras recém-saídas de seus geodos.
Uma síntese, antes de tudo, poética. Exageradamente, como não poderia deixar de ser.
E, por tudo isso, reafirmo, caso vocês não tenham lido nada do que eu escrevi: assistam.

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