fevereiro 2008

Um Quase-Trackback Audiovisual

Retorno rapidamente ao assunto do Campus Party só para mostrar esse vídeo que está aí em cima, sobre as já citadas proibições impostas pela organização do evento. Quem começa dando o seu depoimento é o Daniel Duende e, para minha surpresa, este humilde blog está ali aberto no navegador do notebook dele. E, claro, o melhor (e a verdadeira surpresa) foi ter a piadinha que fiz citada pelo Daniel.

Tem uns comentários legais dos participantes e a parte final, com o Sérgio Amadeu, também é bem interessante. Aliás, é um bom contraponto ao que eu escrevi aqui. Assistam -- ou pelo menos vejam os primeiros 30 segundos, ok?

Curta de Quinta - Leo 1313

Eu queria postar um curta que envolvesse taxis, mas não encontrei. O meio de transporte mais próximo, no caso, seria o ônibus e embora a presença desse veículo seja essencial na trama do filme de hoje, o personagem principal do curta é um carro vermelho cuja placa é essa do título: Leo 1313.

De 1997, dirigido por Betse de Paula, traz consigo uma crítica social levezinha, bem humorada. O que achei mais interessante foram as escolhas das músicas e o modo como a primeira delas, em especial, combina bem com a paisagem.

E tem um restinho de filme depois dos créditos finais.

Leo 1313

Curitibanas

Criei a categoria Curitibanas não para falar exclusivamente das moças daqui e de suas ascendências polacas -- mesmo porque, esteticamente, acho as morenas bem mais interessantes --, mas para abrigar alguns relatos e comentários sobre a capital paranaense.

Em breve, e aperiodicamente, falarei sobre parques, privações e putas. Não necessariamente nessa ordem.

João sem braço

5h45, domingo, rodoviária. Entro no taxi e, após um "bom dia" breve e mecânico, informo o endereço. O taxista me olha desapontado pelo retrovisor e repete minhas palavras ao colega de profissão com quem conversava antes que eu entrasse no carro. Este, junto à janela, afirma que é pertinho, basta chegar até um determinado ponto e virar a direita. Qualquer um sabe onde fica. O sujeito pragueja e põe o carro em movimento; bandeira 2. Eu conto o dinheiro: daria no máximo R$8,00 -- e o peso exagerado de uma das malas tornaria desnecessariamente tortuosa uma marcha à pé, como costumo fazer; são, afinal, poucas quadras. No cruzamento onde deveria virar à direita, ele pára por alguns instantes diante do semáforo e fica do lado esquerdo da rua, para continuar em frente. Digo que deveria ter virado à direita e ele balbucia. Encosta o carro na esquina seguinte e eu aponto para o prédio que ficou um pouco para trás, mas ainda visível: "é ali." O taxista me diz que, na verdade, o número que desejo não ficava ali, mas à esquerda, o que o obrigaria a contornar a quadra para percorrer a rua em questão desde o início. Repito minhas duas palavras. Ele aponta para o outro lado. Eu insisto e aponto novamente para prédio. Ele, com ar de desentendido, diz que não. Encerro o impasse de forma simples: "cara, eu moro ali."

Deu R$7,90. Paguei com quatro notas de 2 e desci no meio da rua. Com o inenarrável lucro de 10 centavos, o sujeito teve de andar, se não me engano, umas quatro quadras a mais do que teria andado caso tivesse feito o caminho correto -- como fora sugerido por seu colega e por mim. Voltou ao ponto, no fim da gigantesca fila de carros laranjas, e eu, pela segunda ou terceira vez na vida, subi até o primeiro andar de elevador.

Cannabis Satanae (II)

Deparei-me com uma notícia interessante agora há pouco, sobre uma iniciativa para a legalização da maconha no estado da Califórnia em novembro deste ano.

Segundo Jack Herer, o sujeito que está encabeçando tudo isso, a iniciativa é para que a planta seja legalizada para fins industriais, medicinais, nutricionais, religiosos e, claro, recreativos.

Por duas vezes eu já comentei sobre o assunto aqui, uma delas sobre a satanização da maconha, e outra para os que ficam fazendo cara feia quando lêem qualquer coisa desse tipo (geralmente por puro preconceito e sem argumentos de verdade), onde recomendo um documentário bem didático sobre o histórico das proibições lá na terra do tio Sam.

Uma dica boa para este fim de semana sem graça.

Agora, com a licença de vocês, vou viajar -- de ônibus, bem entendido.

Curta de Quinta - Tarantino's Mind

Eu sei, eu sei. Que eu me lembre, já teve um certo hype em torno desse curta há alguns meses, não foi? Se não me engano teve um outro episódio parecido, ainda anterior. Pois.

Creio, mesmo diante das evidências contrárias, que haja muita gente que ainda não teve o prazer (ou desprazer, caso não gostem do Tarantino) de ver essa conversa muito bem bolada entre o Selton Mello e o Seu Jorge.

E para convencer os que já assistiram a este curta, vos digo que a versão que trago é maior (15m07s) que a que foi veiculada por aí (10m41s). Tem até uma introdução bonitinha. O outro, o mais curto, começa de repente, não tem as preliminares e tal. E vocês sabem como essas coisas são importantes.

Antes de irmos ao filme, um aviso: se você é um infeliz que assistiu apenas ao Albergue, pode haver alguns spoilers dos outros filmes. Mas, se você viu mesmo apenas o Albergue, tanto faz.

Tarantino's Mind

Escolhas e Isqueiros

Acho muito cômodo que certas escolhas sejam feitas para mim antes mesmo que eu precise dizer, diante das alternativas, que "tanto faz".

...

Eu poderia intitular este texto com outra frase, algo como Less is More, mas alguns dos últimos posts já não têm o título em português e o que está aí em cima acabou se revelando mais poético.

Poético e impreciso, o que me permite esses desvios.

...

Eu queria, em verdade, e vou logo abrindo o jogo, comentar um artigo que li há um bom tempo e que por acaso lembrei-me dele hoje, mas não pude encontrá-lo para fazer as devidas citações. Em uma síntese grosseira, ele dizia mais ou menos o que está aqui. De um jeito mais elegante e informativo, claro.

Mas para compensar a ausência do respaldo científico, eu conto um causo logo adiante. Nada em especial, porém é um daqueles episódios que percebemos ter uma relevância mínima quando conseguimos nos lembrar do ocorrido algum tempo depois e sem motivo aparente -- quero dizer, geralmente o colocamos em um outro contexto para criar a ilusão da relevância, na espectativa de não perdê-lo de vez para os abismos memória inescrutável. É o que eu estou fazendo aqui.

Sendo ainda mais sincero, minha vontade era de tão somente transcrever o ocorrido pouco especial e fui buscar no artigo (que não encontrei) uma sustentação para compor o texto. Portanto, posso dizer que, até aqui, estou bastante frustrado.

...

Dou-me ao luxo, também, de começar a coisa de forma nebulosa, mais ou menos como ocorre a gênese de um assunto numa mesa de bar -- principalmente quando há garrafas vazias o suficiente para que as transições temáticas sejam suaves e quase imperceptíveis. O leitor, para aumentar o realismo da situação, pode ir buscar umas cervejas antes que eu quebre essa linha.

... Depois que as ferramentas se consolidam por suas funcionalidades, surge uma onda de customização e variações que julgo incômoda. Poder optar entre uma infinidade de alternativas -- que supostamente estão lá para que você encontre o que mais te agrade -- é bom, mas ter de fazer isso sempre é um tormento desnecessário. Talvez por que eu goste de coisas simples, funcionais, sem mais complicações. E poucas. Poucas coisas. Devo ser um minimalista.

De qualquer modo, não me parece inteligente perder mais tempo num dilema estético do que em uma questão funcional ou até mesmo financeira.

Dito isso, vamos ao causo.

...

Certa vez, entrei em uma lanchonete no centro de Curitiba para comprar cigarros e um isqueiro. Já era tarde e apenas duas mocinhas trabalhavam, uma delas limpando as mesas e cadeiras vazias. Fui ao caixa, onde estava a outra, e disse-lhe o que eu queria enquanto contabilizava os meus trocados.

"Branco, amarelo ou vermelho?" Perguntou ela, apontando para a lateral do balcão onde os isqueiros estavam dispostos, atrás do vidro, enfileirados de acordo com a cor.

Qualquer um, eu disse.

Após um suspiro, insistiu: "Branco, amarelo ou vermelho?"

Encarei minhas opções e vi que a moça já estava com uma das mãos bem próxima dos isqueiros, bastaria que pinçasse o que estivesse mais perto dos seus dedos -- um amarelo. Olhava-me tão fixamente que o tempo lhe parecia ser valiosíssimo. Contudo, não quis dar o braço a torcer: "tanto faz."

Eu queria algo pra acender os cigarros, não um enfeite.

A moça afastou a mão, suspirou mais uma vez e, com uma impaciência controlada, repetiu a pergunta.

Ora, se eu tivesse predileção por uma das cores, eu a teria escolhido já na primeira oportunidade. Mas eram-me indiferentes e, portanto, impossíveis de serem diferenciadas por qualquer critério que fosse. Insistir na pergunta não me faria gostar mais do branco e menos do amarelo. Em verdade, nenhuma me aprazia e eu só queria, como já disse, uma chama para os cigarros.

Quis perguntar qual das cores ela mais gostava, pois bastaria que optasse por uma delas e para mim estaria ótimo, mas imaginei que ela poderia se irritar ainda mais. Aliás, eu também já estava um pouco incomodado -- e ela, sem dúvida, não saberia qual cor escolher.

Depois de um tempo olhando para os isqueiros, disse finalmente que eu queria "aquele ali". Perguntou-me se era o amarelo e eu esperei que ela o pegasse para avisar que eu me referira ao isqueiro vermelho -- coincidentemente, o mais difícil de alcançar. Colocou-o sobre o balcão, junto ao maço, temendo que eu pudesse mudar de idéia, e não escondeu a expressão de alívio ao entregar-me o troco e ver-se, desde então, livre de mim.

...

Vem-me à cabeça, agora, a imagem de uma daquelas máquinas de chiclete, onde é necessário por uma moeda e girar o trinco para receber uma guloseima aleatória. Poderiam fazer isso com diversas mercadorias, a começar pelos isqueiros. Imagino corredores longos repletos dessas máquinas substituindo galerias de comércio e cuspindo produtos de aparência randômica ou mesmo padronizada, moldados todos por um plástico fosco, cinza e resistente. Produtos essencialmente funcionais.

...

Nunca mais voltei àquela lanchonete pois há muitas outras onde as pessoas não me fazem perguntas e simplesmente não me dizem nada quando agradeço e vou embora. Dão-me o que estiver mais perto e chamam o próximo.

Malagueta

Acabou de sair a oitava edição da Revista Malagueta. Corram lá.

E há um texto deste que vos fala, também.

Fist Fucking

Certa vez um amigo meu comentou que gostaria de ter feito uma determinada disciplina optativa somente por causa do professor que iria ministrá-la. Ele soube, por meio de alguns colegas, que o docente em questão, em uma aula que se tornaria lendária, dedicou todo seu tempo a uma longa e detalhada explicação, para cinco ou seis alunos atônitos, sobre a história e as principais técnicas de Fist Fucking.

Ocorre-me agora que apesar da aparente vulgaridade, esse tema tende a ser mais útil e aplicável na vida na real do que, digamos, qualquer cálculo de derivadas ou abstrações sobre a teoria dos grafos.

Blogar... uma profissão?

O Yuri Almeida me passou esse meme, que foi proposto pelo Thalles Waichert: "blogar" (pausa dramática)... uma profissão?

Não. E nem deveria.

Aqui vão os meus dois centavos:

Uma das acepções da palavra profissão, segundo o bom e velho Aurélio, é "meio de subsistência remunerado resultante do exercício de um trabalho", e acredito que a pergunta inicial esteja sendo feita nesse sentido. Então, para considerar o ato de "blogar" uma profissão, é preciso entendê-lo como um trabalho. E isso exige um alto nível de abstração.

Primeiro por que parto do pressuposto de que um blog não passa de uma ferramenta para discussões e disseminação de conteúdo -- seja ele bom ou ruim, útil ou não. Há alguns deslumbrados que vêem nos blogs uma entidade metafísica de networking e, antes de tudo, uma máquina de dinheiro. A partir do momento que as pessoas passam a dar mais importância aos talheres do que ao bolo, elas estão sendo idiotas. E é simples assim.

Logo, os que vêem nos blogs uma profissão, um meio de subsistência remunerado, não têm outra escolha senão lustrar os talheres e oferecer conteúdo raso para capturar pará-quedistas via Google -- salvo raras exceções que, suponho, devam existir. Eu não vejo uma forma inteligente de ganhar mais do que alguns trocados com blogs sem apostar na futilidade e em incontáveis (e inconvenientes) anúncios por todos os cantos.

Segundo, e acho que esse é o ponto mais relacionado com o meme em si, jornalistas são jornalistas e os que têm blogs, têm blogs. É bem simples também. Fiz até um desenho:

Blogosfera jornalística

Eu sei, tem pelo menos 3 erros aí.

Certa vez li em algum lugar que para ser um jornalista é essencial ter um ego avantajado. Para ser um "blogueiro profissional", também. Não é à toa, aliás, que um fica cutucando o outro. Uma chateação incrível.

Não é um diploma que dá credibilidade e sensatez à alguém e a falta dele que não justifica uma postura imbecil.

Não acho, portanto, que ter um blog signifique ter uma profissão, seja do ponto de vista jornalístico ou monetário. Qualquer "profissionalização" nesse sentido me parece patética e exclusivamente narcisística.

A grande sacada dos blogs não é este espaço onde eu escrevo agora, mas o que vem logo abaixo, para os comentários.

...

Feito isso (mais ou menos bem), repasso o meme para a Gabriela Zago, pro João Barreto e para qualquer outro que queira comentar sobre o assunto.

É isso.

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