Pra quem gostou, o 1º Silly Walk Brasil é hoje de tarde, lá no MASP...
fevereiro 2008
Os blogs do OPS saíram do ar por volta das 11h50 da manhã de hoje e só voltaram agora, às 22h30.
Tudo indicava algum erro no servidor e/ou na configuração de alguns arquivos cuja data de modificação era um pouco anterior a do início do problema, quando na verdade era apenas uma questão de permissões de uns arquivos -- que ninguém alterou.
"Not to worry about it," nos disse o sujeito do suporte.
Tudo bem, então.
A Computação é a ciência da fé.
O leitor que costuma perambular por aqui às quintas-feiras deve ter notado que eu gosto de curtas/documentários. Em parte porque trata da realidade e não tem intenção de maquiá-la, mas também porque tenho visto muitos curtas de ficção bem ruins. Assisti a uns quatro antes de me de me deparar com este e foi triste. E minha intenção aqui é poupá-los dessa experiência.
Calçada da Fome
"Votei no Lula mesmo, ele ganhou?"
Este é o terceiro filme que posto aqui do pessoal do Cactos Intactos. A descrição do vídeo no iutube foi feita por eles mesmos e é muito mais precisa e interessante da que eu tinha planejado fazer, então ei-la:
Sensível à palavra de ordem elaborada por Fernando Brant e Milton Nascimento nos anos 70, Cactos Intactos, neste curta-metragem de 5 minutos, premeditou precisamente ir onde o povo está. Com este propósito, o grupo não hesitou em submergir nas profundezas do inferno tupiniquim, onde campeiam, como flagelos, a miséria absoluta e a iniqüidade sádica.Os depoimentos pungentes colhidos junto a moradores de rua, párias e desvalidos em geral impressionam e surpreendem por sua pungente autenticidade.
Reivindicar e protestar em nome dos excluídos sociais, vítimas da globalização imperialista é importante e imprescindível, mas escutar com atenção o que eles têm a dizer sobre a própria situação não deixa de ser também fundamental.
Não estou acompanhando o Campus Party e o pouco que sei a respeito é por meio de algumas notícias e posts que surgem no meu leitor de feeds. Acabei chegando à conclusão de que aquele famigerado LiveStream só deve ser interessante para quem está no evento, ou passou por lá ou se interessa demais, pois para um leitor normal é uma merda: muita informação sobre detalhes inúteis e pouca cobertura sobre, sei lá, o próprio evento.
Mas, de qualquer modo, pelo clima e divulgação da coisa toda, imagina-se que haja algo mais além dos computadores e da internet ultra-rápida. Num dos blogs do Estadão, por exemplo, o evento foi chamado (sarcasticamente) de Woodstock dos Nerds, o que, dada a natureza da reunião e a maturidade sexual dos participantes, torna o termo relativamente oportuno.
Mas na prática, como sempre, a teoria é outra.
Acontece que a denominação caiu por terra, ao menos para mim, depois que li um post do Daniel Duende, que está por lá cobrindo o evento junto com uma legião de blogueiros, onde ele diz o seguinte:
Se essa deveria ser uma "festa", por que é que é proibido beber, fumar, transar dentro das barracas (ou em qualquer outro lugar do evento) e, PORQUE é que todo mundo está falando o tempo todo em ganhar dinheiro (Até a palestra sobre o Second Life fala sobre como ganhar dinheiro no jogo!!!)?(grifo meu)
Depois disso, estou vendo o Campus Party mais como uma gigantesca lan-house do que como qualquer outra coisa.

Será que só eu acho que escrever "Speedy" nas barracas é um tanto contraditório? Ironia fina.
Poxa. Se numa "festa" de quatro ou cinco dias, com três mil pessoas, não se pode nem beber, nem fumar, nem trasar -- e a intuição me diz que, absurdo!, substâncias ilícitas também estão fora de questão -- me digam, qual é a graça? Eu gosto de downloads rápidos, mas não tanto assim.
E ao invés de beberem ou fumarem ou transarem, que é o mínimo que se espera de eventos desse porte, só falam de grana.
Também pudera, nessa compulsão blogosférica por Adsense, não é de se espantar que tenham monetizado a festa.
Este post é inútil.
Vou apenas propagandear dois links que já estão aí ao lado desde quando esse blog se entende por blog, mas que, por conta do meu esforço e dedicação recentes, precisam dessa citação para evitar que meu o suor tenha sido desperdiçado.
Cá está: http://catarse.co.nr
Sei que eu disse que eram dois links, mas vocês vão entender se clicarem (e sejam pacientes com as imagens).
O Internet Explorer, como já era de se esperar, perverte a diagramação da página, mas isso só se resolve utilizando um navegador decente.
É isso.

O item 6, sozinho, abrange a esmagadora maioria dos artistas e já é mais do que suficiente para torná-los todos miseráveis -- talvez em maior ou menor grau de acordo com os itens restantes, mas miseráveis de qualquer forma.
(Achei aqui.)
Há umas 3 semanas eu postei aqui um filme do pessoal do Cactos Intactos, O Ex-Exú, e hoje trago-vos mais um:
Pedra Nua
"Os corpos nus são sempre mais belos"
Além de ser o cartão postal do Rio de Janeiro, o Cristo é uma afronta ao ecumenismo. O filme é justamente sobre a presença do ícone de concreto numa paisagem natural e sobre toda uma cidade que, como qualquer outra, abriga diversos credos. Seria o caso, então, de erguermos estátuas para cada um dos ícones das diversas religiões ou, o que seria a "maior performance de arte desconstrutivista e iconoclasta da história", de demolirmos o Cristo?
O curta foi filmado de 14 de março de 2005, data que marca os aniversários de Glauber Rocha e Castro Alves, e é formado por diversos fragmentos de entrevistas com pessoas que estavam visitando a estátua naquele dia.
A variedade de respostas e opiniões torna este um excelente filme.
...
Só para ficar registrado, este é o centésimo post da Navalha.
Eu já dei a entender por várias vezes que moro em Curitiba (ou aqui, para os mais bem humorados). Devo ter dito isso com todas as letras também. Não me lembro se fui além dessa afirmação e se dissertei um pouco sobre a cidade. Creio que não, mas, de qualquer forma, serei breve.
Moro aqui há dois anos. Os nativos não são, como costuma-se dizer, frios. São apenas chatos. O curitibano típico é um sujeito meio orgulhoso, se querem saber. É que a cidade é bem organizadinha, tem alguns lugares bonitos e um sistema de transporte que já foi bom (hoje está saturado, basta ver as filas enormes nos tubos e os ônibus todos lotados), o que faz as pessoas acharem que estão no primeiro mundo ou qualquer coisa assim.
Curitiba não é, com o perdão da expressão, "fria pra caralho". Faz frio, sim, mas é de vez em quando, como em qualquer cidade normal. E, quando faz, às vezes faz bastante -- nada de outro mundo, uma semaninha de frio de verdade em julho e tal. Isso começou a ser divulgado aí no começo dos anos 90, se não me falha a memória, para alavancar o turismo, pois além do "frio" não há muitas outras coisas para conquistar visitante. Trata-se de uma interpretação sagaz do fato de ser a cidade com a menor média térmica do país (17ºC, se não me engano).
E não podemos esquecer do ar europeu. Como dizem por aí, Curitiba é um pedacinho da Europa cercado pelo Brasil. Não é poético? Eu não conheço o velho continente, mas a pretensão do curitibano é quase insuperável.
(E eu sei que generalizar não é legal, mas não vou ficar enchendo o texto de exceções, justificativas e desculpas. Utilizem o bom senso.)
Tendo desfeito todos esses mitos, vos digo que nem por isso se trata de uma má cidade. O grande problema daqui não são os curitibocas, mas a violência. Morre bastante gente aqui e assaltos são rotineiros, sacumé... Tenho vários colegas que já foram assaltados tantas vezes que nem sabem mais dizer exatamente quantas foram. Eu, por outro lado, em dois anos, acho que tive sorte: fui somente quase-assaltado (é uma história engraçada, mas não vem ao caso) e felizmente sem mais contratempos -- apesar de ir a pé para tudo quanto é lugar.
Mas tudo isso foi pra dizer que vi agora na Folha esse texto do qual roubei o título, que trás números preocupantes: 26 assassinatos no feriado de carnaval -- e olha que as festas carnaval daqui são extremamente modestas. A cidade está bem acima da média nacional assassinatos, com incríveis 49,3 mortes por 100 mil habitantes. É uma pena que isso não soe muito europeu ou de primeiro mundo. Curitiba está pior do que São Paulo e no páreo com o Rio de Janeiro.
Com a notoriedade de boas administrações vem a negligência.
Então, meus caros dois ou três leitores, se eu desaparecer subitamente, esta é uma informação que deve ser levada em conta durante a formulação de hipóteses trágicas.
Contudo, deixo-vos com essa música alegre que sintetiza bem o dia-a-dia da capital paranaense, embora as numerosas referências não façam muito sentido para quem não é daqui ou para aqueles que nunca visitaram a cidade.
A imagem já diz tudo e torna redundante qualquer comentário que eu venha a fazer, mesmo que o tom da frase final não seja exatamente o que eu usaria para dizer a mesma coisa -- me soa um tanto frágil esse tipo de convocação coletiva, ainda mais quando se trata de uma opção essencialmente individual.
(via FFFFound!)
Talvez seja a má herança genética, alguma patologia ou mesmo as conseqüências do uso indiscriminado de substâncias ilícitas, mas tem muita coisa por aí que eu não compreendo.
Ontem vi uns cinco minutos do desfile de carnaval lá do Rio de Janeiro. Tudo muito colorido e animado. Faraônico, por assim dizer. Entretanto, as únicas coisas que me tiraram brevemente da indiferença e do desgosto foram as mulheres praticamente nuas e siliconadas -- o que é importante para conferir-lhes curvas que não costumamos ver por aí com tanta freqüência; pelo menos não de forma tão exposta.
Pois bem, nesses poucos minutos de contemplação, ao que parece no final da apresentação de uma das escolas, filmaram uma moça que estava tão semi-nua, mas tão semi-nua, que, por arredondamento, estava completamente nua mesmo.
Achei ótimo, claro.
(Creio que seja essa aí do lado, encontrei-a aqui, mas a quantidade de moças nos mesmos "trajes" já me impede de ter certeza.)
O que eu não sei é qual a diferença entre ficar nua num sambódromo ou nua numa praia, por exemplo.
Em verdade, sei sim: essencialmente nenhuma. Só que lá na areia é atentado violento ao pudor e no desfile, carnaval.
Não entendo nada de direito e nem sei exatamente o que diz(em) a(s) lei(s) que reprime(m) os mais despudorados, mas suponho que o argumento seja o de que não é uma "boa prática" ficar pelada no meio de um monte de gente, exibindo-se, chamando a atenção de todos e ofendendo os mais froux... digo, sensíveis.
No entanto, mesmo baseando este texto nos meus cinco minutos anuais de carnaval, posso afirmar que desfilar nua tem como único propósito o exibicionismo e a busca pela atenção de todos -- como se não bastasse ser o destaque e ter que sambar solitária na frente de uma alegoria qualquer diante de uma infinidade de pessoas nas arquibancadas e de um sem número de telespectadores (e por mais cruel que seja o aquecimento global, jamais terá tanta gente assim em nossa praia hipotética).
Aliás, ocorre-me agora, trata-se de uma grande incoerência: gastam-se fortunas em fantasias para as dezenas de centenas de integrantes de uma escola, mas os verdadeiros destaques são as mulheres (semi-)nuas.
Deixemos de ser hipócritas, sim? Convencionemos o seguinte: o velho louco que entra nu em uma festa de crianças esfregando o pau em todos os rostinhos inocentes está cometendo esse atentado violento ao pudor (e provavelmente mais algumas outras coisas); a mulher que está afim de mostrar o corpo esculpido na academia ou na mesa de cirurgia e acha o minúsculo biquíni incômodo, não está atentando contra nada. Que se livre da peça, ora!, nada mais natural.
Com isso, também poderíamos deixar a hipocrisia de lado e abolir essa frescura de "tapa-sexo" ou seja lá como chamam essas coisas. Como podemos conferir na foto, aquilo e nada é praticamente a mesma coisa. Tirem tudo de uma vez, é o que todo mundo quer ver mas finge que não quer.
(As origens não importam mais: carnaval virou putaria e isso é fato. Então que façam logo um bloco da nudez, distribuam baldes de camisinhas e transformem esses quatro ou cinco dias num verdadeiro bacanal. Seríamos todos muito mais felizes, bem dispostos e humorados, não?)
É por essas e outras que acho muito bem-vinda a reivindicação de um grupo de suecas que quer ter o direito ao topless nos mesmos lugares onde os homens podem ficar sem camisa. Nada mais justo.
Acho que as mulheres daqui também deveriam vestir essa camisa, embora esta deva ser uma das raras ocasiões onde as camisetas de protesto não caiam muito bem.
E fiquem tranqüilos, este é o único post sobre carnaval do ano. Quiçá do blog.

