João sem braço

5h45, domingo, rodoviária. Entro no taxi e, após um "bom dia" breve e mecânico, informo o endereço. O taxista me olha desapontado pelo retrovisor e repete minhas palavras ao colega de profissão com quem conversava antes que eu entrasse no carro. Este, junto à janela, afirma que é pertinho, basta chegar até um determinado ponto e virar a direita. Qualquer um sabe onde fica. O sujeito pragueja e põe o carro em movimento; bandeira 2. Eu conto o dinheiro: daria no máximo R$8,00 -- e o peso exagerado de uma das malas tornaria desnecessariamente tortuosa uma marcha à pé, como costumo fazer; são, afinal, poucas quadras. No cruzamento onde deveria virar à direita, ele pára por alguns instantes diante do semáforo e fica do lado esquerdo da rua, para continuar em frente. Digo que deveria ter virado à direita e ele balbucia. Encosta o carro na esquina seguinte e eu aponto para o prédio que ficou um pouco para trás, mas ainda visível: "é ali." O taxista me diz que, na verdade, o número que desejo não ficava ali, mas à esquerda, o que o obrigaria a contornar a quadra para percorrer a rua em questão desde o início. Repito minhas duas palavras. Ele aponta para o outro lado. Eu insisto e aponto novamente para prédio. Ele, com ar de desentendido, diz que não. Encerro o impasse de forma simples: "cara, eu moro ali."

Deu R$7,90. Paguei com quatro notas de 2 e desci no meio da rua. Com o inenarrável lucro de 10 centavos, o sujeito teve de andar, se não me engano, umas quatro quadras a mais do que teria andado caso tivesse feito o caminho correto -- como fora sugerido por seu colega e por mim. Voltou ao ponto, no fim da gigantesca fila de carros laranjas, e eu, pela segunda ou terceira vez na vida, subi até o primeiro andar de elevador.

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from Curta de Quinta -- Leo 1313: Navalha Infame on fevereiro 28, 2008 8:14 PM

3 comentários

E eles não também não gostam de dar informação, odeiam pelo que senti, sei lá, talvez pensem que dessa forma perdem um possível cliente... Eu lembro até hoje, eu perguntei pro sujeito: "Onde tem um lugar barato pra almoçar?" Ele balbuciou alguma coisa, eu repeti a pergunta e ele respondeu com uma cara amarradíssima: "Depois dessa quadra na outra".

Se você realmente quisesse sacaneá-lo, poderia dizer: "então me leva até lá, por favor." ;)

Não é má idéia! Mais duas semanas e estarei em Curitiba!

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Esta página contém um post de bcardoso publicado em fevereiro 25, 2008 9:50 AM.

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