Confesso que não compreendo muito bem a relação entre a música dos Rolling Stones, o movimento Black Power e todo aquele ativismo político em Sympathy for the Devil (1968), do Godard.
Dizem que ele queria fazer um documentário com os Beatles, mas o grupo rejeitou a proposta e ele partiu para a segunda principal banda inglesa da época -- os Stones.
Vemos a banda em estúdio para a gravação de Sympathy for the Devil (Beggars Banquet, 1968) e os primeiros versos e acordes são repetidos à exaustão. Começam de novo, mudam uma coisa ou outra, e quando você percebe já está com as duas primeiras estrofes na cabeça. A qualidade da filmagem é excelente e é um registro bem interessante do processo de gravação.

Fascist Fashion
No entanto, essa "linha mestra" do filme é entremeada por monólogos intermináveis de militantes negros, uma entrevista absurda no meio do mato com Eve Democracy (Anne Wiazemsky, a bonitinha Venorique de La Chinoise), pixações em carros e em muros com neologismos geniais (tipo Sovietcong e Cinemarxism), e a leitura de um texto numa livraria onde os clientes, antes de sair, dão tapas na cara de dois sujeitos num balcão e fazem a saudação nazista para o dono do local, um rapaz vestido de roxo que lê os trechos em questão -- segundo o IMDb, trata-se um fascist porno book seller. É bem isso. Crazy stuff.

A música me veio à cabeça, trouxe consigo a lembrança do filme e é só por isso comentando sobre os dois. Aliás, recordo-me agora, também, que me disseram uma vez que essa música do Stones era uma homenagem ao cineasta underground Kenneth Anger (e, porra, o velho tem Lucifer tatuado no peito, de mamilo à mamilo), mas quando pesquisei sobre a letra descobri que a relação era legal demais pra ser verdade.
Aliás, Anger já devia ter passado por aqui há tempos. Trago-o em breve.

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