16h10

Eu gosto dessa hora, assim, tudo quieto, nublado, meio frio. Todos em suas casas vendo tevê e as ruas mais vazias, sem crianças correndo pelo pátio e berrando como garotinhas e sem um sujeito gritando para um outro que deve estar bem longe, sem o barulho dos ônibus que teimam em passar a todo momento durante a semana, sem as músicas sertanejas da oficina mecânica aqui ao lado, sem a cantoria religiosa das duas funcionárias que limpam os corredores e recolhem o lixo, sem aquela pressa e sem compromissos, até mesmo sem música, num silêncio denso e perturbável apenas pelas teclas do teclado e as ventoinhas do computador, sem sol e ainda assim bem iluminado (e no quarto eu cerro as cortinas e fico na penumbra, que me é agradável), sem perceber que a hora não passa e que a tarde toda se reduz a este momento às 16h10 até que de repente escureça, sem aviso e sem alarde, e o sábado acabe num instante. Puff.

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A bem da verdade é que os domingos são ainda mais silenciosos, mas ao mesmo tempo mais dramáticos e angustiantes, pois quando acaba, acaba: o que vem depois é o tormento da semana. O sábado, mesmo com seus ruídos mais irrelevantes, traz consigo a certeza de um fim mais agradável. Há mais tranqüilidade hoje que amanhã.

Nunca prestei muita atenção pras 16h10, mas sabe, eu gosto de 01h10

16h10 só funciona nessas condições de temperatura, pressão e silêncio.

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Esta página contém um post de bcardoso publicado em maio 31, 2008 4:24 PM.

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