Durante essa semana e a outra eu fui tentando escrever qualquer coisa para cá, mas tudo o que consegui foram 10 rascunhos impossíveis de levar adiante e um tanto vagos em suas pequeninas dimensões. Olho para eles, eles olham para mim; dou aquela piscadela sexy e passo a língua pelos lábios. Nada. Tento juntar um com outro mas eles rosnam e esperneiam, e ao querer buscar um denominador comum não sobra sequer um vestígio deles para contar a história.
As únicas coisas que efetivamente tenho escrito são e-mails e umas frases curtas, descompromissadas e essencialmente inúteis. Nada muito diferente do que você, estimado leitor, costuma encontrar por estas veredas -- mas note que a concisão das 140 letras desnuda a irrelevância e a escancara, assim, de modo bem vulgar, enquanto aqui, neste espaço, essa mesma irrelevância desfila com disfarces mil, pra lá e para cá, rebolando, pois meu único e verdadeiro trabalho é (tra)vesti-la e garantir que esteja minimamente elegante durante os cinco minutos de atenção que ela possa vir a receber de algum passante.
É como uma preparação (enganação), sabe?, e não deixa de ser um tanto gay querer traduzir esse bloqueio (ou incapacidade, espero, momentânea) num péssimo jogo de sedução metafórico e de duplo sentido. Mas, vá lá, eu não ganho nada pra isso. E, porra, mesmo se ganhasse, se recebesse trocados por publicidade intrusiva e vendesse promessas para aumentar o tamanho do pênis alheio (só para continuarmos flertando com o lado homoerótico da coisa), mesmo assim eu não teria escolha senão continuar insistindo nessas mesmas coisas e dizendo que, puxa, estou sendo pago pra isso e que, olha, estou enrolando vocês.
Porque estou mesmo enrolando vocês -- e permitam aqui outra digressão, esta mais rápida, só para que eu possa expressar sentimentos hostis quanto aos administradores, estes seres que, em essência, só enrolam e o fazem (devem fazer) com desenvoltura, sim, pois duas disciplinas de administração na faculdade me ensinaram que não é necessário saber sobre o que você está falando, basta ser enfático e verborrágico, e isso, modéstia à parte, eu faço bem -- e não há em minha face o rubor da vergonha ao confessar que só estou aqui pra isso mesmo. E porque é um tanto divertido.
Mas talvez seja hora de buscar novos subterfúgios. Ou esgotar-se para morrer na curva. Ou.

hahahaha e quanta enrolação! sim, vc realmente sabe fazer isso e faz muito bem. até pra dizer que não tem o que dizer, vc tem como dizer.