junho 2008

Zeitgeist

Coincidências são um negócio engraçado.

Escrevi sobre Hicks e Carlin nessa semana e sem qualquer motivo ou relação com isso, resolvi, hoje, dar uma olhada nos meus e-mails não lidos, datados de meses atrás. O primeiro deles acabou sendo o único que li. Era um link para o filme Zeitgeist. Desanimei ao ver que o filme, na verdade, um documentário, contava com 2 horas de duração. Não fosse o link para o trailer, no fim da página, não estraria digitando essas coisas às 3 da manhã.

Quero dizer, o trailer não tem nada de mais, é bem simples e divulga uma quarta parte do documentário que ainda será lançada, mas logo no começo reconheci a voz do Hicks num trecho que, coincidentemente, eu havia citado ainda ontem -- e que agora reproduzo abaixo, pois no post anterior ele estava um pouco fora de contexto.

It's just a ride

Isso foi o suficiente para que eu assistisse ao filme.

São três partes: a primeira sobre religião (enfoque no cristianismo), a segunda sobre o 11 de setembro e a última sobre bancos, guerras, televisão e o buraco bem fundo que estamos cavando para nossas liberdades.

Ou seja: se não mudarmos tudo isso agora, vai ser tarde.

Talvez já seja tarde.

Não é à toa que o texto do vídeo acima, It's just a ride, encerra o filme. Nada mais oportuno.

E na primeira parte, sobre o cristianismo, há um outro trecho de Hicks falando sobre os criacionistas e o início do clássico de George Carlin, religion is bullshit. Fora tais auxílios cômicos, é traçado um histórico de diversas religiões e suas imensas similaridades, a ascensão do cristianismo e para onde essa fé cega nos está levando.

A parte seguinte é pura teoria da conspiração sobre os atendados ao WTC, mas conta com argumentação e fatos interessantíssimos. Independentemente do que você pensa sobre o assunto, sugiro que dê uma olhada, pela curiosidade mesmo.

Por fim, vê-se o surgimento dos banqueiros milionários e o golpe para a criação do Banco Central americano, no início do século, que só serviu para lhes dar mais poder. E daí vem a Primeira Guerra Mundial, a Segunda, o Vietnã, Afeganistão, Iraque, que não são nada além de bons investimentos para essa gente.

Zeitgeist está disponível para download e via streaming, com versões legendadas em várias línguas, inclusive o português (de Portugal e numa tradução bem tosca, mas nada que impeça a compreensão).

E agora acho que vou dar uma olhada nos outros e-mails antigos. Vá saber o que há por lá.

Play from your fucking heart

Eu disse que falaria sobre VONTADE e acredito que o título acima resuma extremamente bem o que eu quero dizer quando escrevo essa palavra. E ela não está vinculada às minhas preferências musicais (e nem necessariamente à música), mas sim à própria expressão do(s) sujeito(s) que se dispõem a retirar dos instrumentos e da própria voz o som que desejam, seja ele qual for; aquilo que ELES acham bonito ou imprescindível ou inevitável. Aquilo que é sincero.

Daí quando eu passo por um televisor, ou um rádio de terceiros, ou um link errado no iutube; quando eu vejo bandas e mais bandas formadas apenas para encher os bolsos de gravadoras, para repetir os modelos e padrões que vendem e que sempre dão certo -- e a repetição vai tornando tudo cada vez mais plástico e artificial, cada vez mais VIRTUAL -- eu fico profundamente irritado.

(Antes de prosseguir, uma digressão rápida: em algum ponto de um passado mais ou menos distante, trombei com um texto do Bill Hicks, que na época não conhecia, falando sobre cigarro [há vários] e depois disso fui atrás de todos os registros de apresentações que pude encontrar -- e a piada do cigarro ilustra esse post aqui, lá no final do texto -- e, vos digo, é um dos meus comediantes favoritos. Digo isso porque George Carlin morreu nessa semana e depois de rever vários e vários trechos de seus stand-ups, me vi obrigado a voltar aos registros do também falecido Hicks, e passei a madrugada inteira revendo essa coisa toda para concluir, mais uma vez, que precisamos de mais pessoas como esses caras, com algo a dizer.)

E essa irritação é daquelas que ficam entaladas na garganta, que incomodam e te dão a sensação de que não há nada que se possa fazer. Talvez não haja mesmo, mas eu sinto essa mesma vontade de extravasar o meu incômodo com essa grande, e cada vez maior, quantidade de merda que nos querem vender:

Play from your fucking heart

Ok, talvez sem os pulinhos.

Mas tocar from your fucking heart, isto é, com VONTADE, devia ser a principal, senão a única, motivação de quem empunha um instrumento ou um microfone. Ponto.

Dito isso, me inclino agora mais para o lado de uma singela homenagem ao Hicks, sem querer interferir no luto ao Carlin e também sem perder totalmente a essência do título do post, e lhe passo novamente a palavra, lembrando que esses vídeos são de fins da década de 80 e começo de 90, o que torna Bill um contemporâneo do "sucesso" de Rick Astley (e Debbie Gibson, e George Michael, e New Kids on the Block, e...):

Rick Roll é o caralho

E para completar o apanhado de comentários sobre música, o vídeo abaixo fala da relação dos músicos com as drogas... e de pactos pouco ortodoxos com o demônio para alavancar vendas e fazer sucesso.

Há muito mais por aí, inclusive essa apresentação completa (e compacta, 30 minutos) realizada em Chicago, em 1991.

De nada.

Top 10 do semestre

O camarada Renmero fez o seu Top 10 de 2008 so far e eu lhe garanti que tentaria rascunhar alguma coisa também, deixando para lá a minha pouca destreza no manuseio de listas e de discos que saem no ano corrente. Revisitei alguns pra ter certeza, risquei outros e deixei de ouvir muitos, porque não é fácil acompanhar todos os lançamentos.

Mas desse universo não tão vasto deu pra pinçar os 10 que mais me agradaram até agora e os jogar aqui, comentados e desordenados -- pois ordená-los seria um tanto injusto, creio.

Ei-los:

A Silver Mt. Zion - 13 Blues for Thirteen Moons

A Silver Mt. Zion - 13 Blues for Thirteen Moons

Post-rock feito com VONTADE e vocais pegajosos, mais presentes aqui que nos discos anteriores. Um dos melhores dos canadenses, sem dúvida.

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Nick Cave and the Bad Seeds - Dig, Lazarus, Dig!!!

Nick Cave and the Bad Seeds - Dig, Lazarus, Dig!!!

Muito bom. Coloco ao lado de Murder Ballads, que é um dos meus preferidos. Porém, em vez de bad motherfuckers matando gente a torto e a direito, temos Cave & companhia se divertindo. Mesmo. Aparentemente ainda estão no embalo do Grinderman.

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The Tallest Man on Earth - Shallow Grave

The Tallest Man on Earth - The Tallest Man on Earth

Já comentei sobre esse disco noutro post. Vejam lá.

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Russian Circles - Station

Russian Circles - Station

Porrada. Ouçam Harper Lewis (e Youngblood; e o disco todo, ora). E eu acho essa capa genial.

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Isobel Campbell & Mark Lanegan - Sunday at Devil Dirt

Isobel Campbell & Mark Lanegan - Sunday at Devil Dirt

Na verdade, isso aqui é mais Mark Lanegan que Isobel, que acaba ficando como segunda voz na maioria das faixas. Atmosfera interessante e belas melodias. Chamber folk, ou assim o dizem.

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The Black Angels - Directions to See a Ghost

The Black Angels - Directions to See a Ghost

Revival da psicodelia sessentista com guitarras sujas, vocal abafado e tudo mais. Talvez um pouco repetitivo em alguns momentos -- em parte por culpa das faixas mais longas, mas vale MUITO a pena.

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Diamanda Galás - Guilty Guilty Guilty

Diamanda Galás - Guilty, Guilty, Guilty

Ao vivo, ela toca o piano com tanta força e VONTADE que é impossível não prestar atenção nas marteladas e nos belos, e quase desumanos, vocais que se seguem e se espalham por todo o disco num blues/jazz lento e INTENSO. Mais acessível que seus outros trabalhos, é uma boa introdução para quem não conhece essa versão feminina do Satã.

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Maybeshewill - Not for Want of Trying

Maybeshewill - Not for Want of Trying

"What Is Maybeshewill? Maybeshewill is the product of a broken laptop and four boys' over-active imaginations." E ao contrário do que sugere a capa e a menção ao laptop, é um post-rock pesado e rápido (bem animado, até) que por vezes joga o avariado computador pro background. (Não fosse a terrível faixa #6, Heartflusters, o disco poderia ganhar uns pontinhos a mais.)

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Balmorhea - Rivers Arms

Balmorhea - Rivers Arms

Concordo com o Renmero sobre esse disco (que assim como o do Russian Circles, consta na lista dele), e provavelmente será um dos poucos que continuará na minha lista até o fim do ano.

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LSD Pond - LSD Pond

LSD Pond - LSD Pond

Lindo. Registro de duas noites de jams dos japoneses do LSD March com os anfitriões do Bardo Pond, em algum canto dos EUA. Disco duplo com quase 2h30 de duração (!), totalmente psicodélico e improvisado. Lindo mesmo, ó.

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É um top 10 descompromissado, ainda que eu recomende fortemente todos eles. A única excessão, confesso, talvez seja o disco do Maybeshewill, que eu tiraria sem pensar duas vezes pra dar lugar ao novo do Sigur Rós, que também é muito bom. Só não o fiz porque Not for Want of Trying tem seus méritos e os islandeses já estão hypados o suficiente para serem uma audição quase que obrigatória a cada novo lançamento.

E, claro, VONTADE, em caixa alta, será o tema do próximo post.

Instabilidade

Porque nós mudamos de servidor e, como em qualquer mudança, demora um pouco até conseguirmos arrumar a casa e fazer os reparos necessários. E depois de várias horas offline -- com esporádicos e lamentavelmente breves momentos online -- as variáveis vão se acomodando e se cansando, também. Aos poucos tudo volta ao normal. (E a gente só lembra da merda toda quando acontece de novo, não é mesmo?)

George Carlin is no more

George Carlin morreu ontem, no domingo, aos 71 anos, de ataque cardíaco. Uma pena. Além de ser um excelente comediante, também tinha algo a dizer -- o que anda muito em falta hoje em dia. Aliás, salvo algumas variações, esse era um dos temas recorrentes em suas apresentações: the people are fucked.

Abaixo, uma rápida reflexão sobre a educação nos EUA, mas a carapuça nos serve muito bem.

Além desse, já postei outros vídeos dele aqui no blog. E, claro, há muito mais no iutube.

Grande perda.

Eveready Harton: o primeiro desenho pornô

Além dos bons feeds que assino e compartilho, também acompanho alguns outros que provêm ao meu dark side algumas das belas imagens que o adornam, e estas, tanto pela beleza quanto pela freqüência com que são postadas, acabam por roubar a cena e transformam, aos olhos do visitante incauto, o interessante apanhado de links em uma coleção de fotografias de garotas semi-nuas fumando e bebendo. E basicamente é isso mesmo.

E foi por um desses feeds que tomei conhecimento sobre o Eveready Harton in Buried Treasure, ou apenas Eveready Harton, o primeiro desenho animado pornográfico.

São poucas as informações disponíveis sobre este curta, mas, segundo o IMDb, o desenho foi feito em 1929, na surdina, por três estúdios distintos em Nova Iorque (ou Cuba, dependendo da fonte): quando um deles terminava sua parte da animação, mandava os últimos desenhos para que o outro estúdio pudesse continuar o trabalho e passá-lo pra frente, tudo isso feito nas horas vagas e extras, provavelmente.

Antes da exibição oficial, numa festinha particular, ninguém havia visto o filme completo, nem mesmo os autores anônimos, e dizem que nesse dia as gargalhadas tomaram conta do hotel onde ele foi projetado.

Para quem duvida que havia sem-vergonhice na gloriosa década de 1920, na puberdade dos seus avós, sinto desapontá-los: Eveready Harton faz jus ao nome e está sempre pronto para uma boa sacanagem, sem pudores e sem frescuras. É um HARDCORE VINTAGE no melhor estilo dos desenhos antigos: mudo e cheio de trapalhadas.

Findo meus comentários por aqui para evitar spoilers, mas vos adianto que há diversas práticas sexuais pouco ortodoxas nesses 4 minutos de safadeza. Ah, e um DUELO. Vejam só:

E como todo bom desenho infantil antigo, tem até a moral da história: Where ever there's a way, there is a always an eveready will.

Nem que seja com uma vaquinha.

Zorn Nap

Uns meses atrás, lembro de ter topado com alguns vários pequenos artigos sobre sonecas poderosas, capazes de eliminar o sono em poucos minutos e revigorar o corpanzil com aquela mesma (porém um pouco mais volátil) disposição matutina de quem acorda sem despertadores e/ou após uma noite de SORTE.

Pois bem. Acontece que meu padrão de sono é completamente irregular e, eu diria, aleatório, não só nos horários do apagar de luzes como também na quantidade de horas/cama, embora seja, invariavelmente, um sono profundo e full of dreams (ou quase). E não raro, quando o relógio aproxima-se languidamente do fim da tarde, mergulhando no lusco-fusco e revelando que o dia também vai perdendo força, uma sonolência abate o corpo, semi-cerra as pálpebras e altera a postura (já péssima) na cadeira, numa tentativa inconsciente de horizontalização: todos os textos são grandes demais e todo esforço passa a ser abominável.

Você sabe como é.

Eis que desde então, nesses momentos de luta, venho pondo em prática as mais diversas técnicas de fast recharge que andei lendo por aí, desde a famosa power nap, a eficaz caffeine nap, até a pouco ortodoxa -- e não muito agradável -- Dali nap. (Aliás, suspeito que haja dezenas de dicas de sonecas lá no Lifehacker...)

As duas primeiras funcionam muito bem, mas dia desses, por acaso, descobri a forma mais eficiente de todas e a batizei muito oportunamente de ZORN NAP.

Bem, já falei do John Zorn aqui (siga o link e veja e ouça, pá), então salto logo para os preceitos básicos de uma boa e arrebatadora Zorn Nap:

  1. Apague as luzes;
  2. Dê play no disco Naked City (1990) em volume baixo/moderado;
  3. Deite e relaxe.

É simples, como vocês podem ver. Mas para quem não conhece o disco (e não clicou no link anterior), lamento desapontar: você não será induzido ao sono por uma música etérea e de vocais angelicais. Not even close.

Primeiro porque você vai achar que eu estou de sacanagem logo nos primeiros segundos da primeira faixa, Batman. O sax alto de Zorn vai zunir nos teus ouvidos, rapaz. E vai zunir FORTE.

Naked City

Não, o sujeito NÃO está experimentando uma Zorn Nap.

Mas deite e confie. The Sicilian Clan, a faixa seguinte, é a calmaria, quase um deleite, uma música realmente muito bonita e a sua chance de relaxar os músculos tesos pelo recente arrebate. You Will Be Shot trás de volta o peso sem perder a melancolia (faz jus ao nome) e o que segue é bastante imprevisível.

E essa é a essência da Zorn Nap: imprevisivilidade e alterações bruscas. Nas partes mais calmas e agradáveis, aliadas à pouca luminosidade, o corpo sede e mergulha num sono raso, rápido, mas consistente. Os gritos e o furioso sax estridente, porém, te lançam para aquele limiar entre a lucidez e o sonho. Às vezes te acordam, às vezes você nem percebe.

O disco tem os seus 54 minutos -- o que é muito mais que os usuais 15 ou 20 sugeridos para a power nap -- e em algum ponto, provavelmente no miolo, das 26 faixas você vai sacar tudo isso que eu estou falando.

É a soneca mais INTENSA que você pode tirar.

Pare tudo o que você está fazendo

Porque, porra, tem água em Marte!

ICE ICE BABY.

____

UPDATE: coincidência ou não, acabo de ver que este foi o post #200 do blog.

Segundas chances

Porque todos temos aqueles discos -- geralmente vários -- que nos fogem logo no começo e nos dão a ilusão de que o tempo passou mais rápido que o normal. Aqueles que se mesclam ao ambiente e correm por lá sem amarras, quando deveriam (e esta constatação só vem depois) fazer-se ouvir, mesmo que de forma intrincada, em primeiro plano. Mesmo que seja uma merda. E aquela sensação incômoda que surge dias depois, quando por algum motivo esbarramos com um desses discos e não sabemos dizer como ele é ou se nos agradou ou se se parece com qualquer coisa que conhecemos.

Me acontece com freqüência.

E que é diferente do que ocorre com os discos realmente difíceis, obscuros, fechados. Diferente de um trabalho, digamos, mais denso, que dificulta o SEU acesso às poucas portas, enquanto que com esses outros, o que costuma faltar é atenção ou a atmosfera -- o timming. Pois a culpa é sua mesmo.

E daí você resolve que tem que se meter ali de novo e descobrir do que se trata. A memória mais ou menos recente, desenterrada logo nos primeiros segundos, te remete àquelas duas faixas que encabeçam a lista e mais nada, o que vem depois parece ser novo e dali em diante, conforme a coisa roda, você vai pegando aqueles ganchos (ou as MIGALHAS) que deixou pra trás ou que vê (ouve) agora pela primeiríssima vez.

(Alguns palavrões foram feitos para serem ditos justamente nesse momento. Para o bem ou para o mal. Com exclamações ou reticências -- ou até ambas, se a surpresa vier após um equívoco ou um delay.)

O veredicto não interessa muito. Se você não desistiu na metade, não é de todo ruim. E se foi até o fim, também não significa que seja bom: o que você pôde agarrar e, principalmente, o porquê de tê-lo feito agora e não antes, é muito mais interessante que uma avaliação binária ou decimal.

...


E hoje, ao retornar a três discos, trouxe um vídeo que pode interessar os que por aqui passeiam para matar o tempo.

Não é exatamente o tipo de música que se imagina vir da Suécia, mas, ei, trata-se do maior sueco do mundo. Ou melhor, do maior homem do mundo. Em altura mesmo. Metaforicamente.

Chame de folk/blues e -- supondo que você esteja nessa -- perceba o salto RETROSPECTIVO que esse sujeito deu ao se lançar até meados de 1960 e entrar no embalo de Dylan, com quem a comparação, mesmo que sutil, se torna quase inevitável.

The Tallest Man on Earth - It Will Follow the Rain

Para essa mesma música, e com os vocais ligeiramente diferentes, há um clipe. Nada muito elaborado, mas interessante, ainda que eu prefira o vídeo acima. Digo apenas que visual homem-elefante e um violão-chaveiro, combinados, têm um efeito cômico bem peculiar.

Enfim, o último -- e único -- disco do sueco é um bom disco.

Arranjo-vos um link depois.

(Fiquem com este, por enquanto.)

Too busy WINNING

A verdade é que o fim do semestre tem drenado todo o tempo do meu ócio.

E eu tenho estado (por ali e) por aí, VENCENDO com alguns dos camaradas do blogroll nessas horas vagas que me restam -- onde também aproveito para arquitetar mais coisas do que posso (ou quero) pôr em prática e arremesso a culpa dessas não-concretizações sobre todo aquele tempo livre que não mais possuo, ainda que, de fato, não seja este o verdadeiro problema.

Mas tal PULSÃO procrastinadora, algoz da produtividade e símbolo máximo das internets, esta famigerada meretriz barata e sedutora -- de saia curta e salto-alto --, apesar de ter me distraído das coisas de maior importância e obrigações em geral, tem me guiado por uma trilha mais ZEN-BUDISTA do minimalismo domestico & virtual, num exercício constante de desapego e experimentações de vitórias sortidas, inexperadas, musicais; enquanto acompanho, de relance, entre uma música e outra, um copo e outro e etc., o crescimento da paisagística pilha de afazeres acumulados e leituras intocadas (e abandonadas), sem, contudo, expressar o menor remorso, com um sorriso no canto da boca. De desdém.

Porque mais importante que jogar tudo pra cima, é não juntar o que caiu.

E caso esteja tentado a seguir o supracitado rabo de saia, largue tudo e vá em frente. Adiante, na bifuração que te guiará à MISÉRIA ou ao NIRVANA, escolha o de cá, que não é o caminho mais fácil (nem o mais curto) e que, cedo ou tarde, irá te arremessar diretamente para o fundo do poço (ou te jogar em maus lençóis, caso queira uma metáfora mais limpinha), mas é onde você precisa estar, várias e várias vezes, pra poder continuar.

E vença.

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