Para que não pensem que sou um sujeito completa ou parcialmente anti-ecológico*, achei que poderia me redimir um pouco com os visitantes-verdes plantando neste humilde espaço a semente da inconformidade com o violento impacto humano em nosso planeta preferido -- e, até onde sei, único.
O fato é que eu estava cá, navegando entre os discos da minha coleção, quando estanquei diante do very-good-indeed USA Union, do bluesman inglês John Mayall. E a primeira faixa, senhores, é a que dá o título a este post e foi o que me trouxe correndo para cá -- a pé, bem entendido, trotando descalço sobre os resquícios de relva e ligeiramente intoxicado pela poluição dos carros, essas satânicas máquinas emissoras de carbono. Pois a letra de Nature's Disappearing nos diz que estamos fazendo tudo errado, "raping the land and water and the air" e etc.. Imagino que deva ser o primeiro (e, também, até onde sei, único) blues eco-ativista que se tem notícia -- e você pode ouví-lo aqui.
Mas a parte interessante mesmo é que o disco é de 1970. E, no encarte, Mayall escreveu "dicas" para preservarmos a natureza -- não tenho o encarte, mas nós todos sabemos o que devemos fazer, não é, garotada?
Como já vos disse, sou meio preguiçoso na hora de fazer a minha parte, e por isso espero ganhar alguns créditos de carbono divulgando que John Mayall fez a parte dele (e vocês, aposto, nem sabiam disso).
O problema é que a crítica permanece atualíssima e a mamãe Natureza está "desaparecendo" mais rápido do que 38 anos atrás. Digamos que o impacto ecológico de Nature's Disappearing, que é uma ótima música de um ótimo músico, acabe sendo inversamente similar** ao meu ultrajante descaso e isto, vos digo, é uma boa desculpa para alguém preguiçoso como eu -- pois se nem uma música de John Mayall teve "efeito", de que adiantam um punhado de posts revoltados***?
(Confessem, visitantes-verdes: eu os ganhei até a metade do post, não? Mas não é nada pessoal, juro.)
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* Mentira, não é por isso.
** Algo como 5 e -5. São opostos mas, em módulo, são iguais. No caso, é apenas uma questão ecologicamente vetorial -- conscientização pela música vs. impacto natural do meu lixo.
*** Eu diria "posts inflamados", mas estes poluem mais.

Sabe que nos dias de hoje até os bancos são pró-ecologia, e, como disseste, uma música legal de um músico legal também já falou isso, então um post realmente parece ser pouco. Porém, a despeito da pieguice da frase clichê seguinte, talvez plantaste uma semente em algum lugar, e plantar tem tudo a ver com o assunto.
E mesmo que não tivesse nada que ver, parece-me que este post tinha de ser escrito, então foi.