Eu disse que falaria sobre VONTADE e acredito que o título acima resuma extremamente bem o que eu quero dizer quando escrevo essa palavra. E ela não está vinculada às minhas preferências musicais (e nem necessariamente à música), mas sim à própria expressão do(s) sujeito(s) que se dispõem a retirar dos instrumentos e da própria voz o som que desejam, seja ele qual for; aquilo que ELES acham bonito ou imprescindível ou inevitável. Aquilo que é sincero.
Daí quando eu passo por um televisor, ou um rádio de terceiros, ou um link errado no iutube; quando eu vejo bandas e mais bandas formadas apenas para encher os bolsos de gravadoras, para repetir os modelos e padrões que vendem e que sempre dão certo -- e a repetição vai tornando tudo cada vez mais plástico e artificial, cada vez mais VIRTUAL -- eu fico profundamente irritado.
(Antes de prosseguir, uma digressão rápida: em algum ponto de um passado mais ou menos distante, trombei com um texto do Bill Hicks, que na época não conhecia, falando sobre cigarro [há vários] e depois disso fui atrás de todos os registros de apresentações que pude encontrar -- e a piada do cigarro ilustra esse post aqui, lá no final do texto -- e, vos digo, é um dos meus comediantes favoritos. Digo isso porque George Carlin morreu nessa semana e depois de rever vários e vários trechos de seus stand-ups, me vi obrigado a voltar aos registros do também falecido Hicks, e passei a madrugada inteira revendo essa coisa toda para concluir, mais uma vez, que precisamos de mais pessoas como esses caras, com algo a dizer.)
E essa irritação é daquelas que ficam entaladas na garganta, que incomodam e te dão a sensação de que não há nada que se possa fazer. Talvez não haja mesmo, mas eu sinto essa mesma vontade de extravasar o meu incômodo com essa grande, e cada vez maior, quantidade de merda que nos querem vender:
Play from your fucking heart
Ok, talvez sem os pulinhos.
Mas tocar from your fucking heart, isto é, com VONTADE, devia ser a principal, senão a única, motivação de quem empunha um instrumento ou um microfone. Ponto.
Dito isso, me inclino agora mais para o lado de uma singela homenagem ao Hicks, sem querer interferir no luto ao Carlin e também sem perder totalmente a essência do título do post, e lhe passo novamente a palavra, lembrando que esses vídeos são de fins da década de 80 e começo de 90, o que torna Bill um contemporâneo do "sucesso" de Rick Astley (e Debbie Gibson, e George Michael, e New Kids on the Block, e...):
Rick Roll é o caralho
E para completar o apanhado de comentários sobre música, o vídeo abaixo fala da relação dos músicos com as drogas... e de pactos pouco ortodoxos com o demônio para alavancar vendas e fazer sucesso.
Há muito mais por aí, inclusive essa apresentação completa (e compacta, 30 minutos) realizada em Chicago, em 1991.
De nada.

É, só fui ver isso hoje (antes e depois do poker). O cara é muito bom, got some words of wisdom! Música de shopping, pessoas de shopping (genial), happy consumers, toda essa baboseira detona meu otimismo, vez ou outra. Essa gente não tem um DICK.
Play from your fucking heart, that's hell right. Não de seus bolsos.
porra, blog from the heart.
conheço tudo que você citou nesses últimos posts mas nunca tive saco de organizar dessa forma esquematizada e o que você fez pode ser um bom impulso pra inquietar algumas cabeças... de hicks a zeitgeist, passando pelo carlin, só biscoito fino.
vou colocar em algum ponto do futuro próximo links pro documentário "the power of nightmares" ... uma produção mais sóbria que o zeitgeist mas ainda assim bem humorada da formação das corjas fundamentalistas que hoje se matam mundo afora, a cristã e a islâmica e seu desenvolvimento e motivações através do séc 20.