
Sei que há ALGO aí, mas não poderia dizer o que é. Sei também que imagens costumam ter entrelinhas -- milhares delas --, coisas implícitas ou SUGERIDAS aqui e ali, e é por isso que, dizem, valem mais que um bocado de palavras.
O que vejo, e os psicanalistas de plantão que concluam o que quiserem, é apenas a mulher. Demorei, confesso, para notar o sujeito ao lado e para perceber que ele sorria um tanto envergonhado. Não vi o filme, pouco me importa o motivo do desconforto. Pois é o sorriso dela, sutil, um pouco forçado, aquele sorriso de compreensão, que me prende a atenção.
Porque, veja você, ela não está nem aí para os motivos também. Está pensando em outras coisas. E ouvindo. Não sei se tem segundas intenções, digamos, mais carnais, embora haja uma tensão sexual tão evidente e ao mesmo tempo tão repreendida que causa certo incômodo. Parece-me que está arquitetando alguma coisa, manipulando o sujeito, ou pensando em fazê-lo. Parece que quer se aproveitar da fragilidade emocional e o conforta, com a indiferença de quem não está dando muita atenção ao que é dito, passando-lhe a mão no ombro -- e a outra, perceba, está em repouso, mas pronta para tocá-lo no joelho ou envolver-lhe a mão direita, cobrindo o anel. Ou talvez ela vá pegar o papel que ele segura. Não sei.
A vontade de ver o filme diminui sempre que dou mais uma olhada nessa imagem. Vê-la em movimento, acontecendo, eliminará boa parte das minhas dúvidas, suponho, e a coisa que me intriga desaparecerá junto -- é algo como perguntar o nome de uma pessoa que é mais completa sem nome nenhum, querer saber mais do que é visível no INSTANTE e, geralmente, frustrar-se. Pois mesmo que a imagem seja apenas um quadro do filme, é uma bela fotografia.
(via.)

Por isso não a nomeei.
Mas tenho uma certeza: começa com "S".
Sem dúvida.