foi com alguma satisfação que pus roupas ali na mochila, agora, e mais outras apenas pra enrolar o HD cheio de músicas e tentar protejê-lo do incessante trepidar das nossas estradas. porque nunca pensei que um dia sentiria saudades de um lugar onde não tenho ninguém pra sentir falta. mas sinto. e apesar do oscilar aperiódico entre cidades (ou, antes, entre estados), são quase três anos morando mais ou menos no mesmo local, sozinho e com o meu silêncio; e, assim sendo, voltar para a família por longos períodos, por melhor que seja, torna-se gradualmente sufocante. e não falo por mal: o silêncio faz falta; e perdê-lo é como um retrocesso. soa errado.
essa vontade de voltar não está apenas no reencontro da solidão do lar, mas também no caos da rua ao entardecer e na noite que vai lutando contra os carros e contra todos, que sempre os vence, derruba, silencia e acalma até que eu consiga ouvir o som dos meus próprios passos a correr pelas calçadas e ecoar por todo o quarteirão, com a pressa desmedida de chegar a lugar nenhum. é o pequeno prazer de sentar numa praça vazia enquanto todos os prédios dormem. e rir. por nada. e depois voltar.
e agora vou ali, enfim, cruzar o trópico.

existem tantas reflexões possíveis acerca dessa crônica que, haja bar.
mas fazendo a mais rasa delas --- depois que o cara pega o gosto de mijar no próprio canto, não tem mãe que dure por mais de algumas horas.
aliás, essa frase traz tantas obviedades em tantos diversos níveis que - só em mesa de bar, mesmo. o/
dominai.