apesar de tudo, até esta madrugada eu ainda não tinha visto Lost in Translation. por outro lado, eu tinha apenas uma lembrança nebulosa de um comercial pouco convidativo num desses canais pagos, circa 2003/4, que era basicamente um trailer ruim. lembro que não me parecia nada interessante, suas exaustivas repetições iam me irritando aos poucos e Bill Murray a bebericar whisky me fazia crer que o filme era uma merda. e ainda que a bela & jovem (de dezoito anos, apenas) Scarlett J. bastasse pra invalidar qualquer pré-julgamento que eu pudesse fazer, a história de um sujeito com crise de meia idade no Japão não me atraía nem um pouco. aí um dia o comercial sumiu e ficou tudo por isso mesmo.
a fim de reparar este erro e motivado quase que exclusivamente pela imagem linkada acima, providenciei uma cópia do filme. e acho que fiz bem.
apesar de não ser lá um grande filme (tanto quanto isto não é uma resenha), minhas expectativas atendiam pela sigla SJ e, sendo assim, funcionou bem por aqui. claro que é preciso relevar algumas inverossimilhanças, como, por exemplo, uma Charlotte recém graduada em filosofia e casada com um fotógrafo retardado (ou uma coisa, ou outra, eu diria; mesmo porque há aquela loirinha idiota, atriz, que contrasta exageradamente com tal improbabilidade, e ambos, o retardado & a "evelyn waugh", se dão bem e logo desaparecem da história - mas não juntos).
os (des)encontros de Charlotte & Bob são interessantes, rendem uns bons diálogos, mas de minha parte acho que há mais nas cenas como as duas abaixo que na maioria das frases trocadas entre eles.
é esta sensação solidão e confinamento, que não desaparece em caminhadas e nem nos balcões - e mesmo quando estão conversando ela continua ali, em segundo plano, latente -, esta sensação é algo constante. Charlotte perde o controle logo no começo, quando liga para alguém e chora, mas eu esperava vê-la novamente neste estado quando volta a ficar sozinha: de certa forma, queria que entrasse num colapso, que jogasse tudo pro alto, que quebrasse algo, que fugisse sozinha e sem nada - por impulso. era algo que eu realmente esperava dessa personagem.
mas nada acontece.
e, isso sim, é verossímil.
ou errado.




hah, POXA. e, bah.
sim, também eu achei que o filme causou esse inquietamento das cenas como as que tu mostrou, cenas sem diálogo, cenas de diálogos travados engolidos por luzes e angústias e tanta coisa, tantos mergulhos que o filme faz, sem perceber direito o que é esse abismo.
e ela jamais estaria melhor.
rapaz, que esse filme eu vi (hoje!, com a Bia) pela 25ª vez. isso, vinteecinco.
eu escrevi um post pra cada vez que assisti e em cada um deles, uma sensação e percepções distintas. nunca rasas e nunca, necessariamente, compartilhada por outros.
preciso dizer que é o maior filme da minha vida. por tudo o que não diz e, ao mesmo tempo, ressoa, reverbera, grita na minha cabeça. tem tanta coisa, tanta angústia e tantos mergulhos (como disse o xará) que eu não saberia explicar tudo em uma vida só.
além do quê, SJ. foi aí, por volta de 2003, eu nos meus 19|20 anos, que me apaixonei por essa moça - e desde então, quis minha Charlotte.
eu poderia falar pra sempre. mas me calo.
;)
vi mais uma vez e acho que diria quase tudo de novo. mas a frase "apesar de não ser lá um grande filme" cairia fora. porque é, sim.