(ou: never align yourself too much with the Listerine salesman; ou: entry #271)
enquanto ouço Bert Jansch - recomendação oportuna, via reader - lançar dedilhadas estereofônicas e termino de ruminar alguns trechos da película digital recém assistida, uma brisa agradável vem da rua para arejar algumas idéias e revirar outras. em verdade, ponho o até 32 minutos atrás desconhecido Bert pra tocar de novo - e ele o faz na caixa da direita, antes de pular pra da esquerda e ficar nas duas até o fim; ou durante outros 32 minutos.
paralelamente a isto, uma modesta horda de meia dúzia de peers anônimos tenta me trazer, via torrent, um documentário sobre o grande Kerouac ("king of beats", 1985), que encontrei por acaso e me parece boa cousa. (e neste ponto pretendia começar um longo período pra dizer que não me lembrava da primeira vez que ouvi falar dele, mas li primeiro Os Subterrâneos e... já disse isso aqui. ainda assim, devia guardar esse tipo de aprofundamento para um post pós-documentário, que deve surgir na madrugada de amanhã. sou um tanto previsível quando pretendo me repetir.)
nos últimos dias, vi um filme por dia, mais ou menos. porém, há uma lacuna com as dimensões de um trimestre, que principia ali em junho com Heima e finda em setembro com Boogie Nights, que me causa certa vergonha e mal-estar. não sei dizer se vi algum filme nesse período. é provável que não. se vi, não lembro de absolutamente nada. o que dá na mesma.
enfim. ia dizer que em todos estes últimos filmes vistos, como que para me atormentar (com sucesso, diga-se) pelo distanciamento temporário dos meus maços, a quantidade de cigarros consumidos, tragados e exalados é da ordem de... sei lá, muitos. e a maioria deles consumidos pelos lábios de Scarlett J. e Anna Karina, o que confere ao vício/hábito o status instantâneo e fumegante de arte fluida, intangível & QUINTESSENCIAL - sem grandes exageros, claro. uma experiência arriscada aos imagéticos mais influenciáveis e um vislumbre absolutamente necessário e bem-vindo para qualquer um que tenha concordado comigo em algum ponto deste texto - I salute you.
por tudo isso, e para fechar o boteco, repitam o frenético mantra de Moriarty: "vamo nessa" (x271).
e vão.

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