Posto que não nascemos adultos, todo homem é criança. Posto que somos artistas, todo freezer vermelho é um palco. Posto que a lógica nos endireita, tudo que é orgânico nos cativa ou nos assusta, mas invariavelmente nos atrai. Torna-se adulto aquele que resolve empunhar uma garrafa diante de uma briga - seja para bebê-la ou para quebrá-la, seja para lutar consigo ou com os outros. Torna-se maior quem ri de si mesmo e lança todos ao inferno. Torna-se melhor quem se levanta sozinho e segue em frente.
Outra: quem dança, vence. Sozinho ou acompanhado, de olhos abertos ou fechados, sem jeito nenhum ou com toda a beleza daquela garota magra de cabelos pretos a esticar os braços para cima e rebolar os quadris com a barriga a mostra - blusa curtinha, bege, sem mangas -, num jeans com lycra azul escuro; sorriso no rosto, olhos fechados e uma caneca de metal na mão esquerda, meio cheia de cerveja ou qualquer coisa; ela a dançar e a lançar os cabelos meio curtos também numa dança sobre a própria face, no meio de todos e de frente para a banda que toca qualquer coisa que ela sabe cantar. E dançar. Pós-punk sujo, gritado, caótico, manjado.
Ou Madonna sobre um freezer de cerveja.

Cara, isso me lembrou uma cena do "Dolls", do japa gordinho fã de J-Pop, dançando sozinho no quarto com os headphones. Pra quem tava de fora (no ângulo da câmera) era grotesco, o cara bufando e pulando e nenhuma música tocando, mas ele tava num momento totalmente "foda-se o mundo" e feliz da vida com a música da sua ídola tocando.
É, de fato este é o caminho.