Não há nada mais natural que a colagem. Não há nada mais belo que uma colagem.
Tente parir algo do zero ou meter a mão na cabeça em busca de novidades e isto será um fracasso. Agora disponha de diversas idéias que lhe dizem algo, de coisas entreouvidas, de sons e sensações que você, de algum modo, assimilou e guardou contigo. Se há algo que só você pode fazer, é misturar tudo isso: recortar e colar versos sobre outras estrofes, colorir espaços e criar pontes, brincar com perspectivas e alterar velocidades. Meter a mão na cabeça e utilizar tudo o que você puder agarrar: talvez não haja nada tão original quanto lançar tua subjetividade sobre um todo comum e dizer o que vê. Mostrar o que vê. Cantar o que vê. Ou o que sente. Ou o que finge sentir.
Até mesmo uma mentira pode ser uma expressão sincera e nova. Basta juntar tudo e ver o que te parece.
Feito isso (ou antes disso), mete a mão nas prateleiras e alinha teus destilados. Serve um pouco de tudo nos copos pequenos. Serve os amigos. Ri com eles. Entorna, repete e cola.

Faz sentido para mim. Às vezes, vemos uma coisa pela primeira vez, mas aquilo cala fundo no nosso coração e passa a ser nossa verdade.
É como se estivêssemos apenas recapitulando. Pois toda a sabedoria já não está dentro de nós? Não importa quem escreveu, mas sim a verdade que transcendeu as fronteiras, por isso, os homens antigos não assinavam seus escritos.
A pouco tempo, me inspirei na poesia Esplendor do Alvorecer - Rumi e fiz uma linda canção. Do mesmo modo, aconteceu Com a poesia Vazio, Meditação e Ação - Sétimo Dalai Lama.