Polegares pra cima no meio-fio de sexta-feira e saltamos no terceiro ou quarto carro que resolveu reduzir e destravar a porta, extravasando para aquela manhã um compacto de '91 em volume suficiente para que tomássemos "sob um céu de blues" por "super sad blues" - o que fazia todo o sentido, também. Impossível prever que dali a 21 ou 22 horas eu despertaria num banheiro. Ou que veria o Sábado reazular o céu que já era azul e foi mudando. Mas vi.
Sobre esta memória que não tenho: travesseiro ovalado de porcelana branca usado a noite inteira para outros fins; o mundo que gira num colchão, não gira ali. Ombro amigo sanitário, por suposto. Cito o mestre: "My head is spinning round, my heart is in my shoes, yeah." Corta. Avança para: "Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys, I gonna call my home." E estamos explicados - desde então, é minha música tema. Toda ela.
Sobre memórias soltas que tenho: sujeito se apresenta como "maloqueiro profissional" e me pede um cigarro - depois outro - e agradece; A Ass Pocket of Whiskey praticamente no repeat; a polícia passa devagar por nós, duas vezes; cinco minutos de jazz por R$5,00; Jimi Hendrix tocando numa república no fim da madrugada; arco-íris ao entardecer quando fui comprar cigarros e descobrir que ônibus tomaria; colherada de brigadeiro; todo o sketch da árvore de natal da peça; um milhão de baratas no muro e na calçada do cemitério; as garotas de saia curta (várias); cigarro que acendi pelo filtro; a baixista do Sonic Youth que trabalhava no bar; avenida Higienópolis; última garrafa de cerveja, rumo à rodoviária.
Quando notei, havia amanhecido. E eu estava em casa.

a citação a Cascavelletes, e a profusão de links próprios, me impediu de continuar lendo.
tentando novamente em 30... 29...
Repeat. Repeat. Repeat.
Agora em caixas maiores e em mídia gravável.
Repeat. Repeat. Repeat.
Teremos sempre um colchão (ou um vaso sanitário) sob o qual poderá recostar sua cabeça.
Volte sempre.
vasos sanitários, estes amigos fiéis e valorosos da humanidade..