2009

carros parados em fila tripla no contorno do lago e muita gente rindo e conversando alto e havia música ruim e todas as ruas adjacentes estavam congestionadas de veículos trafegando numa marcha lenta demais. do outro lado, a procissão seguia pra lá e nós para cá, empunhando latas. dos fogos só vi a fumaça, que parecia ser toda do meu cigarro. talvez fosse. e andamos um tanto por aí, sempre contra, e até rápido, com alguma obstinação desmedida - quase tudo fechado; às vezes arremessando dinheiros em balcões de lojas de conveniência e filtros incandescentes em sarjetas ou urina em muros e tapumes de obras inacabadas; do tipo: que seja. deve significar alguma coisa a necessidade de vencer quilômetros (no mínimo uns seis), nas solas, numa noite dessas. ou de buscar uma mesa num canto de um posto de gasolina pra ficar em silêncio enquanto o maço se esgotava. ou de voltar pra casa com as mãos metidas nos bolsos sem levantar os olhos para os que também retornavam e passavam desejando um bom ano. ou ainda de sentar-se numa mureta curva no meio da grana lamacenta e observar os restos de festas assíncronas e dois ou três casais cambaleantes encostados em árvores sob a luz amarelada. daí você se livra do teu último cigarro do mesmo jeito que vinha fazendo, levanta e suspira um ano inteiro em dois ou três segundos: porque passam das quatro, o calendário mudou sobremaneira e você está exausto.

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Esta página contém um post de bcardoso publicado em janeiro 1, 2009 2:54 PM.

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