tive essa revelação enquanto descia a Nilo Peçanha numa tragada frontal a uma loja de torneiras, epifania esta que veio flanando pela rampinha de concreto úmido materializada no corpo de uma loira de trinta e tantos com o busto salpicado pelas chuvas amazônicas que despencavam, ontem, a cada 30 minutos por cerca de uns 5. saltos gigantescos que mal lhe serviam e que me fizeram feliz ao obrigá-la a um rebolado equilibrista até onde a justa saia jeans permitia e a elegância fazia concessões - a chuva dissolve poses. toda de preto, também, e narizinho pequeno e ainda pro alto, como se estivesse no corredor de um shopping e não naquela calçada irregular. pelo caminho, outras três: loiras, trinta e tantos, menos interessantes, decotes salpicados, passos calculados, caras de merda enquanto eu passava com um daqueles guarda-chuvas pequenos numa mão e uma lata de cerveja na outra, assobiando singin' in the rain & - de fato - drinkin' in the rain; provocação divertida para um fim de tarde escorregadio.
de volta à loiraça belzebu e à minha constatação: tédio infinito, mas há algo acontecendo aqui, Mr. Jones. a mulher passou, eu passei, dolorido de tanto caminhar pela cidade INTEIRA por dois dias non-stop, sempre rápido pra ir sempre longe e tentar cubrir rotas de meses atrás e ver qual era a das esquinas dessa vez. tudo igual. movido menos pela curiosidade e mais pelo tédio, como já disse, sem conexão com a internet e fumando um maço por dia, pro tempo passar - a internet ameniza meus outros vícios. virei três doses de vodka & me mandei pra uma lanhouse chinelagem, como também já vos disse, constatando com um olhar a presença maciça daqueles caras na sala gay do batepapo uol - porque nenhuma tecnologia é realmente útil se não te ajuda a levar alguém pra cama. e eu estava lá pra isso também. mandei um email mais ou menos assim: "cara, diga pra garota que meu telefone é esse." nada ainda, mas tenho fé - "please call me, baby, wherever you are." naquelas. mandei outro, mas pro Rei, pedindo um favor & recebendo uma intervenção de brinde e INVESTI R$1,50 apenas para lembrar vocẽs que ontem, dia 26/02, era o Bill Hicks day. Rant in E-Minor, cigarros & vodka. fim da noite, janela aberta, volume alto: evangelização passiva. de nada, meus vizinhos - quatro meses longe & é bom voltar chutando. amém, Bill.
não me canso de voltar à loira inicial, mas é o seguinte: da louhouse andei um bocado porcurando um bar, desci a Nilo Peçanha, loja de torneiras, SEX WITH LEGS, e fui seguindo. passei por Niemeyer, entre carros, por executivos encharcados, de uma calçada pra outra com o holograma da loiraça robolando nas retinas. passei pelo estádio do Coritiba & pela igreja do cemitério luterano onde ocorria um velório qualquer e havia três pipoqueiros na calçada. velório com pipoqueiros na calçada: algum grande filho-da-puta morreu, não tenho dúvidas. perdemos um filho-da-puta - me vê uma pipoquinha aí. mas não. desci girando o guarda-chuva fechado nos dedos pra circundar a UFPR e finalmente entrar num bar. tiozão de jaqueta jeans, camiseta azul-claro e óculos fundo-de-garrafa mexia no que parecia ser uma jukebox, mesinhas amarelas sin chicas, e me sentei numa de mármore para, enfim, me recompor. e tem algo acontecendo aqui, Mr. Jones: cigarro no cinzeiro de madeira, copo meio vazio e folha arrancada de um caderno que, sei lá porquê, eu trazia na mochila. o brainstorm boêmio que começa assim: "loiraça belzebu de busto salpicado pela chuva amazônica." rúh. música ruim, conversas exdrúxulas, mas R$2,70 numa garrafa não é de todo mal - falta, de fato, copo sujo & garotas bonitas: mil pontos pra Londrina - mesmo porque a qualidade de vida de uma cidade se mede pela quantidade de japinhas bissexuais per capita. chupa, IBGE: troco fácil uns pontos de IDH por um punhado de garotas Saigon. e nem digo que divago: penso nisso sempre.
mas a loira: na sola dos sapatos ou abaixo dos pézinhos deve estar escrito que "este produto contém mais de 4700 substância tóxicas (+ZINCO), e saltos altos que causam dependência FÍSICO-PSÍQUICA." ah, mas como não? ainda que as morenas vençam mais quando postas no mesmo PEDESTAL. e não é nem uma questão de curvas ou-. primeira coisa que escutei quando desembarquei acá: PJ Harvey. parece uma informação desconexa, mas o é só até você ver o ao vivo de Dress, que prova o meu ponto com facilidade. morenas lucifér (sic) to light things up. c-c-combo breaker: 15 dias atrasado para aquela peça do Mutarelli que também é filme, sabe? o nome me foge, mas 15 dias atrasado e parecia bom. stand-up visions e a merda de ouvir os mestres é achar tudo aquilo muito fácil. não é. mais vodka, GARÇOM, mais vodka. vou indo de ORLOFF-COLA quando me canso, e há gelo, há whiskey, há também um vinho vagaba, mas falta umas boas conversas para serem regadas por tudo isso: fim de semana verbeater me deixou mal acostumado. vitórias DEMAIS, quase que sem esforço - a não ser, no meu caso, para vencer EL CHARRO. mas foi.
ah, a loira.

chefe,
botei o nick cave aqui só pra ler teu post.
a gerência agradece.
tem sido trilha sonora dessas noites.