te sacaneiam às vezes

porradas luminosas, ritmadas, sincopadas, martelando suas retinas. SARAIVADAS de flashes para todos os lados, capturando movimentos dos espremidos corpos suados & embriagados; um mar de braços para o alto, para os lados e na horizontal - segurando copos meio cheios de qualquer coisa cintilante de textura aparentemente viscosa, ainda que fosse apenas vodka com, sei lá, algum tipo de GROSELHA AZUL.

você não quer estar ali, mas está. quer dizer, eu estava. já entrei nesse tipo de roubada algumas vezes. com exceção de UMA ou OUTRA onde acabei fisgando uns pares de pernas meio por acaso, todas elas me drenam ORGÔNIOS & paciência.

e grana.

este é o ponto: encha a cara previamente, as coisas te parecem um pouco melhores. e sai muito mais barato, também. uma fila de UMA HORA pra me meter em tal INFERNO pansexual, com amigos & amigas querendo dançar e eu querendo beber o máximo que pudesse antes de passar pela CANCELA. o que foi até fácil, uma vez que dávamos um passo a cada quinze minutos e alguém muito benevolente que conhecemos num posto de gasolina (pra comprar cervejas) resolveu nos pagar mais e mais cervejas. garrafas surgiam e rodavam entre nós. o GRAND FINALE foi um BACARDI que veio absolutamente DO NADA e voltou rapidamente para lá em grande parte por minha culpa. nem sei o nome dela, mas nos disse que tinha muita grana mesmo.

então tá. GRACIAS.

ainda assim, as perspectivas de adentrar para DANÇAR naquele estado de embriaguez não me satisfaziam. quebrei uma garrafa no meio-fio por motivo nenhum (em verdade, pra provar um ponto, mas essa história é longa demais), andei o passo da quinzena de minutos que se completava ali e me apoiei numa daquelas hastes com correntes que delimitam a fila, você sabe, como fazem nos bancos. havia umas três ou quatro daquelas junto à entrada, e depois a fila serpenteava livremente calçada afora. me apoiei na última. um sujeito me bateu nas costas e me pediu licença, "meus amigos estão ali na frente."

"claro, pode furar a fila à vontade."

ficou sem graça, mas foi. parou alguns passos adiante. virou-se para se explicar, dizendo que não era da cidade.

"e de onde você vem é normal fazer isso?"

o segredo é manter a seriedade e o tom monótono da voz. confunde. eu estava cagando pra fila, mas achei divertido fazer parecer que não. além disso, curitibanos têm verdadeiro tesão por filas: esperava que algum desses mais EXCITADOS fosse aproveitar minha deixa para iniciar uma discussão de verdade, algo pra me distrair. não deu certo. não dá pra contar com essa gente. o sujeito & cia., no entanto, me encaravam. ele irritado e ainda meio sem graça e seus amigos, no embalo. de minha parte, metade dos meus companheiros estavam bêbados demais e não ouviram nada, e a outra metade temia que eu fosse fazer alguma merda e - tenho certeza - não ia nem me dar uma força caso precisasse. acabei não aguentando e soltei uma risada. aí riram também. o sujeito era de Caxias do Sul. nem perguntei.

acabamos entrando, acabei achando tudo uma merda e fui DORMIR num sofá que encontrei. me acordaram às quatro e meia da manhã, acho, pensando que eu estava passando mal. "não, isso aqui é só um protesto." fomos comer numa padaria 24 horas ali perto. eu tinha uns trocados e a moça esqueceu de marcar na minha ficha meu X-BACON matinal. fiz as contas: sem ele, daria pra comprar um maço de cigarros.

hm.

única moral possível: a vida te sacaneia às vezes (teus amigos também), mas você pode acabar comendo & bebendo de graça se tiver sorte.

comente


Introduzca los caracteres que ve en la imagen de arriba.

Este post

Esta página contém um post de bcardoso publicado em julho 19, 2009 5:43 PM.

minha frigideira sumiu #2: FRIGIDEIRA BLUES é a postagem anterior.

o homem é o lobo do homem é a próxima postagem.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

navalha / bcardoso

nicotine bop

os vizinhos

boring stuff

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.