segundo Dylan, no celeiro beat
em 61, Dylan se mandou do Minnesota para tentar a vida em bares e clubes da noite novaiorquina, dividindo o microfone com uma porção de outros artistas e poetas com ambições similares.
suas necessidades: arranjar uns trocados com as apresentações para poder se manter na cidade e/ou conseguir algum contato pra gravar ou se apresentar por aí.
o problema: enquanto dedilhava algumas canções de Guthrie e assoprava a gaita num dos únicos neck racks da região (artigo raro), não tinha como arrecadar as moedas do público. ganhava menos do que poderia.
a solução: depois de várias noites nessa rotina, descobriu que poderia aumentar a arrecadação se uma garota bonita passasse reunindo trocados num chapéu enquanto ele tocava. e funcionava: conseguia, assim, arrecadar praticamente o dobro.
o problema: tinha que dividir essa grana com ela.
segundo qualquer um de nós, numa segunda-feira nublada, às 8:15 AM
(ou: woke up this morning, found my baby gone)
realmente não importa se a garota está contigo desde o dia anterior, há pouco mais de três semanas ou se ela é, vá lá, sua esposa: encontrar-se abandonado numa segunda-feira de manhã é uma punhalada que só elas sabem dar.
dói, mas pelo menos serve pra justificar os altos gastos com uísque.
segundo Godard,
"tudo que você precisa para um filme é uma arma e uma garota."
e acrescento que se a garota for (como) a Anna Karina, você não precisa da arma.
nem de um eventual roteiro.
segundo Tom, indo para Jersey/Guarulhos
a garota está na cidade vizinha. então, sem tempo pro bagulho ou pras putas da oitava avenida, atravessa NY/SP à noite: quer logo chama-la, abraçá-la, beijá-la e shalalá-la.




