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Jupiter And Beyond The Infinite

Morreu hoje o escritor Arthur C. Clarke, aos 90 anos.

Abaixo, Jupiter And Beyond The Infinite, de 2001: A Space Odyssey (1968). Não pude encontrar a cena original (com o áudio original), mas os três vídeos trazem o trecho em questão ao som de Echoes, do Pink Floyd. Singela homenagem.

"Echoes" was released 3 years after the film and is 23 minutes and 31 seconds in length, similar to the "Infinite" segment. Sounds in the middle part of the song suggest to some listeners the feeling of travelling through an alien world. The drone vocalizations heard in the final scenes of 2001 seem to match with the discordant bass vibrations in the middle of "Echoes" as well the choral glissandos of its finale. Some argue that there are moments when the song and film soundtrack are nearly indistinguishable. Another notable link occurs during a change in scene at precisely the moment when guitar and keyboards crescendo as the lyrics re-enter for the final verse. Almost as a bonus, the early lyrics contain references to planets, which seems entirely suitable for the film's depiction of Jupiter and its moons. (...)

Assim Comia Zaratustra

O suco da laranja é o próprio ser da laranja manifesto e com isso quero dizer que é a sua natureza genuína, aquilo que lhe confere a sua "laranjidade" e impede que tenha o paladar de, digamos, salmão escaldado ou cereais moídos. Para os devotos, a idéia de qualquer outra coisa que não cereal no café-da-manhã gera sobressalto e pavor, mas com a morte de Deus tudo é permitido, e profiteroles e mariscos podem ser comidos à vontade, e até asinhas de galinha fritas com molho picante e queijo.
Assim comia Zaratustra, do Woody Allen, lá na Revista Piauí.

Artistas Miseráveis

Miserable

O item 6, sozinho, abrange a esmagadora maioria dos artistas e já é mais do que suficiente para torná-los todos miseráveis -- talvez em maior ou menor grau de acordo com os itens restantes, mas miseráveis de qualquer forma.

(Achei aqui.)

Adendo

MaiakóvskiEncontro no post anterior um pretexto para citar um pequeno trecho da autobiografia de Maiakóvski, oportunamente intitulada "Eu mesmo". O poeta, por meio de pequenos parágrafos um tanto irônicos, discorre desde suas primeiras lembranças até acontecimentos em meados de 1928.

Planejava escrever uma autobiografia mais completa e elaborada, mas sequer começou. Isso porque, em 1930, deve ter se lembrado dos versos iniciais de A Flauta-Vértebra, escrito quinze anos antes:

Freqüentemente me indago:
Talvez fosse melhor
dar à minha vida
o ponto final de um balaço.

E o fez.

Mas, enfim, voltemos à autobiografia. Aos seus primeiros anos. Há diversas passagens geniais, como esta:

Meus estudos

Mamãe e primas de vários graus ensinavam-me. A aritmética parecia-me inverossímil. Era preciso calcular pêras e maçãs distribuídas a garotos. Contudo, eu sempre recebia e dava sem contar, pois no Cáucaso há frutas à vontade. Foi com gosto que aprendi a ler.

E, logo em seguida, complementa:

Primeiro livro

Passarinheira Agáfia. Se na época eu tivesse encontrado alguns livros daqueles, deixaria para sempre de ler. Afortunadamente, o segundo livro foi Dom Quixote. Que livro! Fiz uma espada de pau e uma armadura e destruía tudo que me cercava.

Mas o que trecho que eu queria mesmo citar é o que vem abaixo, cujo pretexto, como já vos disse, é o diagrama anterior, pois Maiakóvski era um dos principais integrantes do movimento futurista russo e essa passagem revela o princípio de seu fascínio pela modernidade, ainda quando criança. Ei-lo:

O inusitado

Eu tinha uns sete anos. Meu pai [guarda florestal] passou a levar-me a cavalo para a ronda das matas. Um desfiladeiro. Noite. A cerração era densa. Nem conseguia ver meu pai. Uma vereda muito estreita. Talvez meu pai tenha empurrado com o braço um ramo de roseira-brava. O ramo enterrou espinhos no meu rosto. Com gritos, vou tirando os espinhos. Subitamente, a dor e o nevoeiro sumiram. Na cerração que desaparece surgiu uma coisa mais brilhante que o céu. Era a eletricidade. A fábrica de aduelas do príncipe Nakachidze. Depois de ver a eletricidade, a natureza perdeu completamente o interesse para mim. É uma coisa não aperfeiçoada.

A Evolução da Arte Abstrata

Cubismo e Arte Abstrata

Interessante notar o grande número de movimentos artísticos nas duas primeiras décadas do século XX. E todos eles, de um jeito ou de outro, acabaram se ramificando em apenas duas "pernas" abrangentes, quando talvez os diversos tentáculos de antes fossem mais profícuos, ainda que limitados aos seus meios. Seria essa uma evolução darwiniana?

Mais aqui. E outros tipos de gráficos e diagramas, aqui.

Lenin Vai ao Pólo Sul

Lenin no Polo SulNão, o título não está errado, estamos falando do pólo sul mesmo.

Um grupo de cientistas noruegueses e estadunidenses, numa expedição à Antártida na primeira semana de 2007*, encontraram um imponente busto do ilustre ícone da Revolução Russa, Vladímir Ilitch Lenin, com a face voltada para a distante Moscou, encrostado no gelo a 3718 metros acima do nível do mar (!), no chamado "pólo inacessível" (Southern Pole of Inaccessibility é o ponto mais distante da costa e mais remoto que o pólo sul geográfico, a 878 quilômetros deste).

Cientistas soviéticos estiveram no pólo sul pela primeira vez em dezembro de 1958 e lá se instalaram por algumas semanas. Antes de partir, deixaram o busto de Lenin sobre a chaminé da cabana, olhando para a Mãe Rússia -- da cabana não restou nada, pois foi consumida pelo gelo, mas o bolchevique continua do mesmo modo que o deixaram e é visível a quilômetros de distância.

Foto da Expedição Russa de 1958

Esta expedição do ano passado foi a segunda** a conseguir chegar ao local e a primeira a fazê-lo de forma não mecânica, isto é, utilizando-se apenas esquis e força humana (os russos, na época, alguns veículos como os da foto acima).

Quem diria, não? Quantas outras relíquias soviéticas não estariam espalhadas mundo afora?

Li aqui.

* Apesar do link da citação ser de 2008 e tratar a coisa como novidade, isso aconteceu em janeiro de 2007, como pode ser visto aqui, aqui e aqui.

** Aqui há uma possível contradição de informações, pois a Wikipedia nos diz que houve uma outra expedição russa que conseguiu chegar até lá em 1967, o que faria a de 2007 ser a terceira.

Ode Triunfal na voz de Paulo Autran

Pauloautranxl6Homenagem.

* * *
Ode Triunfal
Álvaro de Campos.

Londres, junho de 1914.

Interpretado por Paulo Autran.

Download.

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

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